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educação e segurança 25.01.2026 | 09h49

Médico mira Câmara Federal em sua segunda campanha

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João Vieira

João Vieira

O médico Marcelo Sandrin, que completará 44 anos de Mato Grosso nesta semana, afirmou que pegou gosto pela política e voltará a colocar o seu nome para a disputa eleitoral neste ano. Segundo o veterano, ele quer disputar uma das 8 cadeiras de Mato Grosso na Câmara Federal.

 

Atualmente filiado ao Republicanos, Sandrin afirma que, caso não tenha espaço na sigla, buscará outra legenda para viabilizar sua campanha.  Formado em medicina pelo Estado do Rio de Janeiro, Sandrin acompanha o avanço da medicina, mas, ainda aposta ainda na relação médico e paciente para se conseguir um diagnóstico preciso.  

 

Ele também critica a política de terceirização da saúde no país com a contratação de Organização Social de Saúde (OSS), e afirma que a politização da saúde durante a pandemia da Covid-19 foi um desastre no Brasil.  

 

- Como foi a chegada em Cuiabá?  

 

Marcelo Sandrin - Eu já era médico estabelecido Rio de Janeiro. Onde fiz toda a minha formação, eu entrei em 1974 pra UFRJ, universidade do Brasil, à época, e segui o curso de medicina lá. Eu fui sozinho pra lá. Nasci no interior de São Paulo. Uma cidade chamada São Simão. E galguei toda escalada da medicina. Fui convidado a participar de um concurso para a bolsa de estudo de terapia intensiva, que estava começando no Rio de Janeiro e no Brasil. E já havia uma bolsa muito boa. 

 

Eu não achava que eu era capacitado. Era capaz de passar para essa prova, mas passei na primeira etapa. Aí tinha um curso de um ano de terapia intensivo. Você dava plantões para aprender já nessa época. Eu já estava instalado na terapia intensiva que era uma novidade no melhor hospital dessa área. E prestei concurso no hospital Cardoso Fontes e mergulhei na terapia intensiva. Eu era clínico geral, fiz a residência de medicina interna de clínica geral clínica médica e terapia intensiva. Então, minha vida estava resolvida. O trabalho que tinha até naquela época, jovem, e um dos meus chefes me convidou para partilhar com ele o consultório dele lá na Tijuca. Então, já tinha até consultório. Eu estava instalado no Rio. Não ia voltar pra São Paulo.

 

Mas nesse ínterim, no hospital central do exército, havia um grupo que quase todo mundo de Cuiabá. E nesse grupo eu convivi com muitas pessoas que me propuseram pra vir pra cá para montar UTI. Porque eles vieram antes e não tinham especialidade, e eu tinha especialidade. E havia necessidade de alguém documentasse. E aí tive que tomar uma decisão. Eu sempre quis seguir a cadeira acadêmica. Ia prestar concurso pra professor lá também no Rio de Janeiro, mas já havia aqui na UFMT o curso medicina. Então eu falei, eu vou lá. Presto concurso. Seu passar já tenho alguma coisa. A área pública tá sempre precisando, e a gente montou o primeiro o UTI do Mato Grosso com o grupo de pessoas daqui. Paralelamente, é isso ou fui convidado a trabalhar no pronto-socorro municipal.

 

Eu cheguei aqui dia 28 de janeiro de 1982 e aí já comecei a trabalhar alopradamente e estou até hoje. Depois fiz o concurso para a UFMT e fui professor até aposentar. Fiquei 35 anos com o professor de medicina da UFMT. Agora o que mudou minha vida acadêmica e o que mudou um pouco a minha vida em Cuiabá, é que eu comecei e trabalhava aqui no Santa Helena. Foi dia 3 de março de 1982. A chefia, do doutor Antônio Correa da Costa, fundador do hospital, que era meu sogro.  Ele disse que se a gente não assumisse a administração de Santa Helena, seria fechado. E aí estou a 44 anos a partir de 3 de março, administrando junto com outras pessoas. Desenvolvi  minha carreira e continuei aqui, e hoje se me perguntar, eu não me veja morando fora de Cuiabá, me apaixonei. É uma cidade encantadora. É um lugar de povo extremamente acolhedor. Eu fui vendo crescer”.    

 

- E como o senhor vê o avanço da tecnologia na área médica?  

 

Sandrin - É muito bom. Mas na medicina existem alguns primários. O primeiro é o mais importante, o elo relação médico-paciente, médico e família. Essa é a base da medicina. E no Caso é a recompensa pessoal de humanismo. Muita gente nunca vão lembrar de você”   Nesses 44 anos de Mato Grosso, como o senhor analisa o avanço no setor da saúde. Melhorou muito, ou ainda existem problemas crônicos?   Hoje existe o problema do aumento da população de Mato Grosso exponencial, e é preciso de recursos e verbas para se manter num sistema de saúde que se propõe ao impossível. O SUS é uma grande ideia. Mas é preciso ter um financiamento real e definido para a saúde pública. É por isso que temos a problemática das emendas. Hoje o que faz funcionar o sistema de saúde é pedir emenda, e quando na realidade o que deveria era acertar um orçamento real para a saúde. E mesmo assim vai ser difícil porque as demandas vão crescendo. O SUS é universalizado e é muito difícil administrar uma coisa tão grande, ainda mais sem verbas condizentes com os serviços que são propostos. Esse é o grande problema. Então os hospitais que trabalham, que militam sofrem por demais. A carência de recursos para dar essa medicina que hoje avança a passos cruéis.  ‘Ah, mas é muito bom’. É muito bom até certo ponto. Porque daqui a pouco, vai ser mais fácil, você fica falando de cirurgia robótica do que você vê que tá com dificuldade de operar um apêndice da forma mais tradicional possível.   E a boa medicina é calcada na relação médico-paciente paciente, em diagnósticos feitos com precisão,numa história médica bem colhida. Num exame físico. O que está faltando hoje é se dedicar. Examinar o doente, porque só a confiança que a relação com o médico propõe. Chega uma pessoa aqui, nós temos que examinar, tocar, tem que ter essa confiança para deixar o médico examinar. Igual aquela história de que não se faz o exame do dedo na próstata. Você faz ultrassom e exame de sangue. Não, você tem que fazer o exame de dedo. Tem agora protocolos que dizem que você faz um exame de sangue faz ultrassom, e precisa fazer o toque retal. Como você vai ver a maciez, o tamanho, se está tendo infiltração de algum lado, porque através do sensibilidade do seu dedo, então, a medicina evoluiu muito. Mas ainda é preciso ter uma comprovação diagnóstica.   Hoje pra você chegar a fazer uma cirurgia de apendicite você faz o ultrassom. Fica na dúvida  faz uma tomografia, depois uma ressonância nuclear magnética. Isso faz o custo da medicina se tornar estrondoso, estrondoso para os convênios. Aí chegam no médico e pede para fazer  uma tomografia e pronto. Não, eu quero conversar com você e te examinar. Agora se é uma emergência tudo bem. Atendimento médico é uma outra coisa ,e o primado do exame físico é o que tem faltado muito, e ele faz uma falta brutal para que você faça suas hipóteses diagnósticas e a partir dessas hipóteses diagnósticas, você faça diagnósticos prováveis de que você aí comprove eles. Um bom médico.  

 

- O que o senhor acha da política de contratação de OSS para administrar os hospitais no país?  

 

Sandrin - Em minha opinião pessoal, de um modo geral hoje. O que acontece é que o estado quer tirar as responsabilidades dele, pelos próprios problemas de gestão que trazem todas as empresas. Ah, tem um problema que é o gerenciamento de limpeza. O que vai fazer? Vamos terceirizar. Estão terceirizando sua responsabilidade, porque a lei obriga saúde à disposição de todos agora. Isso é uma discussão que não passa por quem é gestor de área de saúde ou médico em si. Eu sou gerente de uma entidade filantrópica com todas as obrigações que tem. Nós aqui cumprimos 100% do nosso contrato estamos sempre negativos. Atendemos mais do que deveríamos .   

 

- E como foi atuar no período da pandemia?  

 

Sandrin - O principal problema foi o ‘negativismo’ ridículo, de maneira ideológica em torno da saúde. Tivemos no Brasil uma guerra ideológica e que persiste até hoje, um absurdo. Vacina é dádiva de Deus. Se elas forem boas e seguras, aconselho a todos a fazerem bom uso dela, mas existem discussões sobre a qualidade de vacinar em massa. Por exemplo, nós estamos aí na campanha da vacina da gripe. Vacina que tem décadas, é segura, não causou mal para ninguém, previne a morte de idosos, lembrar que ela era a vacina do idoso. Ela não era a vacina para criança. Todo o ano tem um custo grande, mas pela quantidade que é feita. E nós não vamos conseguir chegar aos patamares de 90%.  As pessoas estão interrogando assim. Temos a vacina do sarampo, da varíola. Temos uma fronteira. A Bolívia está falida e não programa de vacinação nenhum.   Aí o Brasil faz um cerco da febre aftosa. De doenças da área agrícola em torno da Bolívia. Mas não faz o cerco da área de vacinação. Fronteira livre, lá não tem vacinação para sarampo. Nós temos a vacina para HPV para as meninas e meninos e nós perdemos todo o ano milhares de exemplos dessas vacinas.   A pandemia mostrou que o ser humano para o meu modo de entender, é muito frágil em termos de resistência coletiva. E muito é lábio em termos de influência. E as autoridades à época erraram demais, na realidade não se brinca com coisa séria.   A Covid nada mais foi do que mais um desafio. É esse desafio. Infelizmente, foi mutilado pelo pior vírus que existe para o ser humano. A política na saúde enão política de saúde. Como é que pode o poder público chegar ao ponto, o governante de plantão da cidade, do estado e federação mudar a política de saúde por ideologia. Então esse problema foi o grande problema da Covid, um vírus que inicialmente era sado como a ‘gripezinha’, ou então ‘não saia de casa’.  

 

- O senhor disputou as eleições em 2024 e não teve êxito. Pretende se manter na política?  

 

Sandrin - Eu passei pela minha primeira aventura política oficial. Apesar de ser um político da saúde, eu entendendo que sou um político. Eu aprendi a viver nesse mundo, que é um mundo de negociação. Eu fui chamado pra fazer um programa de saúde para a candidatura do Eduardo Botelho. Não fui chamado pra vice-prefeito. É no último momento mchamaram pra ser candidato a vice-prefeito pra compor. Fizemos esse programa, que infelizmente eles não foram em frente. Acho que a maioria das pessoas nem ouviu falar que tinha um programa de saúde muito bem feito, por muitas mãos. Foi muitas mãos. Pessoas que não são da saúde contribuíram entre elas. A nossa secretária de saúde de Cuiabá participou desses trabalhos, que é a Carmona, e muitas outras pessoas, como  psiquiatras, psicólogos, dentistas, fisioterapeutas. Nós nos reunimos pra montar durante 3 meses, lutamos, entregamos para o Botelho uma plataforma. Infelizmente, ela não foi utilizada. Me chamaram para ser candidato pela amizade, pelo trabalho que o botelho desenvolveu em favor das filantrópicas. Sendo ele, o salvador dos grandes hospitais do Mato Grosso, e tem que se pontuar a isso. Não, estou falando que outros não fizeram. Todos fizeram, todos os deputados, votaram a favor do FEEF (Fundo Estadual de Equilíbrio Fiscal de Mato Grosso), que estabilizou as finanças dos hospitais filantrópicos. Então eu fui aceitei, e foi uma das experiências extremamente diferentes. Nunca tinha participado. Eu participava, indiretamente, com amigos e colegas e candidatos. E não tenho nada para reclamar. Ganhar ou perder faz parte do jogo. Conheci Cuiabá, que eu não conhecia, um número imenso de bairros que eu não sabia. Fiz o que eu podia fazer. Na época, eu estava com problema de saúde. Só fui resolver depois, colocando próteses de quadril. E hoje estou pré-candidato e quero participar desse pleito. Ainda não definimos definitivamente, mas deixei claro que meu nome está a disposição. Tenho um bom relacionamento em Brasília. Então quero concorrer para deputado federal. Espero que meu partido me aceite, estamos em conversas, mas existem outros partidos também.  

 

- E quais suas principais bandeiras e propostas?  

 

Sandrin - Se eu chegar lá, meu foco não será só a saúde. Tem a questão da segurança e educação. Acredito que posso contribuir, porque fui professor por muito tempo e o Santa Helena tem convenio com as faculdades de medicina Eu vivo isso.

 

Na segurança posso contribuir como cidadão, mas é claro que vou buscar ajuda, ideias e opiniões de especialistas da área. E a eleição agora é pra decidir os rumos que vamos tomar nessas áreas e em outras. Agora na área de saúde, se houvesse oportunidade da gente contribuir, a gente teria essa oportunidade e, obviamente, se formos sagrados com essa possibilidade, nós vamos dedicar de corpo e alma e fazer muito mais do que fiz nesses 44 anos. Posso dizer que perto do sistema de saúde, no mundo global de Santa Helena. É uma pequena ilha, mas eu posso dizer pra você, não é infalível, mas é uma ilha de excelência no Mato Grosso.

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