PROJETOS TRAVADOS NA CâMARA 25.03.2026 | 10h33
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Fred Moraes/ Câmara de VG
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), afirmou que espera o avanço da investigação contra o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), por quebra de decoro parlamentar, e denunciou o que classificou como perseguição política dentro do Legislativo, com projetos importantes sendo barrados pela Casa.
O levante da prefeita acontece após o Partido Liberal protocolar, nesta terça-feira (24), um pedido de cassação contra o chefe do Legislativo. Paralelamente, a chefe do Executivo apresentou uma queixa-crime contra o parlamentar.
Durante uma discussão com o vereador Bruno Rios (PL), Wanderley disse: “quer leitear a prefeita? Leiteia de outra forma”. A declaração ganhou grande repercussão e gerou reações de diversas autoridades, especialmente mulheres.
A peça do PL, que é assinada pelo presidente estadual da legenda, Ananias Martins Filho, ressalta que Cerqueira integra o grupo derrotado nas urnas na eleição de 2024, quando Flávia venceu o prefeito de primeiro mandato Kalil Baracat (MDB). Para o presidente do partido, o episódio não é isolado ou fruto do acaso, mas resultado de uma escalada de hostilidade dirigida contra a prefeita.
A prefeita disse confiar que os vereadores vão cumprir o papel institucional e abrir uma comissão processante para apurar os fatos.
“Eu espero que os vereadores abram a processante, coloquem em pauta, investiguem e façam o trabalho. Está nas mãos deles”, reforçou.
Moretti também endureceu o discurso ao apontar que questões pessoais estariam interferindo diretamente na condução dos trabalhos legislativos, prejudicando a população. Como exemplo, ela citou o projeto protocolado no último dia 5 de março, que prevê o remanejamento de R$ 7 milhões, oriundos de emendas, para a Saúde do município — e que, até agora, não foi levado ao plenário.
“Precisamos separar o lado pessoal da gestão. Estou aqui para governar. Se tem lei para beneficiar o cidadão, por que não colocar para votar? Não colocar em pauta um projeto dessa importância é um absurdo. O vereador tem a obrigação de analisar e votar. Deixar de pautar matérias essenciais pode, inclusive, configurar improbidade administrativa”, questionou.
A prefeita ainda revelou que novos recursos estão previstos e dependem da tramitação na Câmara. “Temos cerca de R$ 20 milhões em emendas para suplementar o orçamento. Outros projetos virão. É preciso responsabilidade com a gestão pública”, disse.
Por fim, Moretti sugeriu que há receio político em submeter as matérias à votação e voltou a cobrar postura institucional do presidente da Câmara.
“Hoje temos cerca de 15 vereadores na base, alguns flutuam. Mas esse é o medo: colocar para votar e ver o resultado. O presidente precisa deixar questões pessoais de lado e fazer gestão pública”, concluiu.
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