RACHA CONTINUA 19.08.2026 | 11h20

redacao@gazetadigital.com.br
Montagem GD
A vice-prefeita de Cuiabá, Coronel Vânia (MDB), rejeitou um novo convite do prefeito Abilio Brunini (PL) para assumir o comando de uma secretaria municipal na gestão. A investida ocorreu durante uma conversa informal no estacionamento do Palácio Alencastro, na qual o gestor sinalizou a intenção de se licenciar do cargo por até 20 dias para acompanhar a campanha eleitoral da esposa, a primeira-dama e vereadora Samantha Iris (PL).
O episódio mantém o desgaste político entre os dois e a recusa da vice em voltar a compor o primeiro escalão do Executivo. “Houve, novamente, essa fala sobre a possibilidade de ser secretária. Eu abdiquei. Não faz mais sentido para mim passar pelo que eu passei. Não sou mulher de bandido. Gato escaldado tem medo de água quente. Então, a gente está aqui agora. O meu único foco é a atribuição da vice”, declarou Vânia nesta quarta-feira (19) .
A reação da vice-prefeita é mais um episódio de um histórico conturbado na relação com o titular do Palácio Alencastro. O rompimento formal entre ambos se consolidou após a exoneração de Vânia do comando da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) em dezembro de 2025.
O episódio estabeleceu um rompimento formal entre ela e Abilio, e seu afastamento das decisões de governo e o esvaziamento de funções institucionais para a vice-prefeitura. Desde então, Coronel Vânia cobra a delegação formal de atribuições para o seu gabinete, tendo inclusive protocolado sugestões de projetos e articulações políticas no sistema oficial da prefeitura, mas não obteve retorno do prefeito.
Embora o prefeito tenha minimizado o atrito em declarações públicas e atribuído a crise a especulações da imprensa, a vice-prefeita aponta que a distância reflete a dinâmica real da administração. “Sempre falta esse espaço de diálogo, sempre falta essa maturidade nessa conversa, nessa construção entre prefeito e vice-prefeito. E não é à toa que a gente tá sem atribuição legal até hoje”, afirmou Vânia, ressaltando que, no plano pessoal, não mantém conflitos com o liberal.
Diante do eventual afastamento de Abilio por duas semanas, Coronel Vânia afirmou que assumirá o comando da capital estritamente dentro dos limites institucionais do mandato, sem promover reestruturações na máquina pública ou impor uma agenda própria.
“A decisão é única e exclusiva dele. Eu não fiquei nesse espaço pensando em assumir cadeira de prefeito. Afinal de contas, a gente não muda nada em 20, 30 dias. A gestão aí está há mais de um ano e meio, e a gente vê como está. Então, mudar nesse momento é impossível. 20 dias não fazem milagre”, disse.
“Se for o caso dele se afastar e eu assumir, vou continuar fazendo, segurando ali o que é a gestão do Abilio. Não tem espaço pra Vânia trazer uma marca efetiva.”
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