articulação forte 16.11.2018 | 07h50

lazaro@gazetadigital.com.br
Chico Ferreira
Apenas o deputado estadual Dilmar Dal Bosco (DEM) e o hoje prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), que integravam a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar sonegação fiscal no agronegócio, poderiam ser os parlamentares a quem o deputado Zeca Viana (PDT) se referiu na manhã desta quarta-feira (14) ao acusar colegas de terem recebido propina para abafar o caso. É o que sugere o ex-deputado José Riva, relator de uma das CPIs citadas e autor do relatório encaminhado aos órgãos de controle para apurar mais detalhes da suposta fraude.
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Em entrevista por telefone à Gazeta, Riva fez coro às declarações de Zeca Viana. Segundo ele, “o burburinho” de que deputados receberam vantagem ilícita era grande no fim de 2014, quando ocorreu a CPI. “Eu não sei a quem o deputado Zeca Viana se refere, o que eu sei é que, na época, os únicos que votaram contra o relatório foram os deputados Dilmar Dal Bosco (DEM) e Emanuel Pinheiro (MDB)”, afirma. “Nós tivemos uma série de dificuldades para investigar, ficou muito claro que havia uma articulação para que a CPI não fosse para frente”, criticou.
Naquele ano, a denúncia de sonegação atingiu principalmente a Cooperativa Agroindustrial de Mato Grosso (Cooamat), que tinha o empresário Eraí Maggi entre seus membros. Segundo Riva, houve uma articulação forte para evitar que funcionários de Eraí, que constavam como seus cooperados, fossem ouvidos pela CPI. Por isso, o ex-deputado não descarta as acusações de Zeca.
Sem citar nomes, Zeca Viana argumentou, nesta quarta, contra a taxação do agronegócio afirmando que o verdadeiro problema começa na sonegação por parte de megaempresários. Na avaliação do parlamentar, é preciso reabrir CPI’s que trataram do tema e que, segundo ele, tiveram resultados pífios.
“A sonegação está em quem exporta, as tradings, das quais se originaram duas CPI aqui e foi o maior escândalo. Os deputados receberam dinheiro, sim, para esconder os dados, para fraudar o relatório final, para proteger um ou dois empresários do agronegócio”, afirmou Zeca.
O deputado foi provocado por Wilson Santos (PSDB), que pediu um aparte e exigiu que Zeca Viana citasse os nomes de quem teria recebido propina naquele ano. O pedetista, no entanto, se recusou a dizer, pontuando que o tucano saberia quem são os acusados.
Outro lado
Procurado pela reportagem, o prefeito e ex-deputado Emanuel Pinheiro não atendeu nem retornou as ligações. Dilmar Dal Bosco, por sua vez, negou que tenha votado contra o relatório de Riva e disse que a declaração de Zeca Viana é infeliz. Segundo o democrata, é preciso que o deputado apresente provas sobre este suposto recebimento de propina.
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