MEDEIROS TRAÍDO 02.08.2026 | 14h01

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O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, determinou que o partido caminhe em Mato Grosso com o MDB, levando Janaina Riva (MDB) para o palanque do candidato ao governo Wellington Fagundes (PL), seu sogro. Com isso, fica desfeito o acordo que previa que o deputado federal José Medeiros (PL) seria o único candidato ao Senado pelo grupo.
A insistência de Fagundes em levar Janaina para a sua chapa vem de muito tempo, mas sempre esbarrava em Medeiros, cujo nome conta com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Até mesmo na convenção do partido, realizada no dia 22 de julho, foi assegurado que Medeiros seria candidato único a senador. A promessa não deve ser cumprida.
"Nós não temos outra candidatura de senador na nossa coligação", disse Ananinas em um churrasco na noite de 21 de julho com as lideranças do partido. A fala foi registrado em vídeo, que mostra o apoio entusiasmado dos presentes à declaração.
Em maio deste ano, Medeiros já havia comentado a possibilidade de alguma decisão dessa natureza ser tomada. Ele comparou a situação com um casamento forçado, em que o casamento só existe no papel.
“Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Se a gente for forçado a ter uma coligação com o MDB, você vai fazer o quê? Não tem como desfiliar, não tem como ir para outro partido, você vai ter que disputar a eleição, mas quem vai julgar é o eleitor. E aí vai ser aquele clima”, disse na época.
Há uma resistência ao MDB por parte de nomes importantes do partido no estado e que integram a ala bolsonarista do PL, como o prefeito Abilio Brunini e o deputado Gilberto Cattani, por exemplo.
Abilio, aliás, tem se mantido discreto na campanha de Fagundes. Amigo de Otaviano Pivetta, ele decidiu não apoiar outro projeto em lealdade do partido, mas não embarcou de cabeça no projeto de Wellington. Outros gestores municipais do partido não adotaram a mesma postura, como Cláudio Ferreira (Rondonópolis) e Edilson Piaia (Campo Novo do Parecis), que já estão no barco de Pivetta.
Wellington não tem a confiança dessa ala bolsonarista do partido, que já vinha acompanhando com desconfiança algumas de suas movimentações nos bastidores. A decisão de Valdemar vem sendo atribuída a ele e vista como uma traição à Medeiros. Até então, vigorava no PL a promessa de que os candidatos a senador seriam indicados por Bolsonaro, enquanto os nomes ao governo seriam definidos por Valdemar.
O próprio Valdemar da Costa Neto já havia dito que os senadores apoiados por Jair Bolsonaro em Mato Grosso seriam Medeiros e Mauro Mendes (União). E nem isso levou o ex-governador para uma “dobradinha” com o nome do PL.
Os bolsonaristas do PL se ressentem do fato de que, em Mato Grosso, não são eles que dominam o partido, mas Fagundes, que não é visto como “bolsonarista raíz”. Para esse grupo, o presidente do partido, Ananias Filho, é um homem do senador que comanda a legenda conforme os interesses dele. Uma derrota de Wellington nesta eleição não seria lamentada por essa parte do PL.
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