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Cuiabá, Quinta-feira 20/08/2026

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abaixo da realidade 20.08.2026 | 16h38

Vereador contesta patrimônio declarado de candidatos; 'Mora onde, mora na rua?'

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Laisa Stofel e Fred Moraes

redacao@gazetadigital.com.br

Chico Ferreira/ GD

Chico Ferreira/ GD

O vereador por Cuiabá e policial federal, Rafael Ranalli (PL), fez críticas à discrepância existente entre o patrimônio real de alguns políticos e os valores declarados à Justiça Eleitoral durante o registro de candidaturas. O parlamentar defendeu a necessidade de maior rigor e transparência na evolução patrimonial dos ocupantes de cargos públicos, apontando que as declarações são irreais e mascaram a verdadeira situação financeira dos políticos.

 

“Todo mundo sabe, eu tenho 20 anos de Polícia Federal. Quer dizer, o mínimo que a gente tem é um apartamento e um carro. O meu, 80% a 90% do meu patrimônio é o meu apartamento em que eu moro, que eu conquistei sendo policial federal com o meu salário. Só que você vê deputados, candidatos a outros cargos, declarando R$ 300 mil, R$ 200 mil. Quer dizer, a pessoa não tem nenhuma casa? Mora onde? Mora na rua? Daqui a pouco vão pedir ajuda de ‘volta pra minha terra’ para ir embora do Estado. Então não dá para entender, eu fico chateado com isso”, desabafou em coletiva na Câmara Municipal na terça-feira (18).

 

Leia também - Medeiros quer prisão de ministro e extinção do ICMbio; 'É um órgão que trava tudo'

 

Ele citou a realidade do mercado imobiliário da capital mato-grossense para demonstrar a incompatibilidade dos números apresentados à Justiça Eleitoral. Segundo Ranalli, uma residência de padrão médio em Cuiabá custa atualmente entre R$ 600 mil e R$ 800 mil, enquanto imóveis localizados em condomínios fechados, endereço frequente de expressiva parcela dos políticos, ultrapassam com facilidade a marca dos R$ 3 milhões.

 

Ao citar a repercussão sobre os bens declarados em âmbito nacional pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o vereador ressaltou que quem declara os valores corretos acaba sendo criticado injustamente, enquanto a subdeclaração passa despercebida.

 

“A gente que fala a verdade, muitas vezes é 'saraivado' por fatos que são constatados. Só a casa do cara vale R$ 2,5 milhões no condomínio em que ele mora”, pontuou.

 

Para solucionar essa brecha, Ranalli defende que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) altere as regras de prestação de contas no ato de registro dos candidatos. Na avaliação do policial, o modelo atual, baseado em preenchimento declaratório e manual, é ultrapassado e facilita distorções.

 

“O que deveria ser apresentado na hora em que você faz o cadastro da sua candidatura deveria ser a sua declaração de Imposto de Renda, que foi o que eu fiz. Eu peguei a minha declaração de Imposto de Renda, que consta o carro, consta o apartamento, e copiei do Imposto de Renda para falar: ‘poxa, se um dia investigarem a minha declaração de candidatura, bate com o Imposto de Renda’. Em pleno 2026, a sua declaração de bens para registrar a candidatura é uma declaração de punho, sem embasamento”, declarou indignado.

 

Ao concluir, o vereador destacou que a exigência da cópia oficial do Imposto de Renda é o único caminho capaz de assegurar a idoneidade do processo e permitir que a sociedade civil monitore se o crescimento dos bens de um político é condizente com sua renda.

 

“Eu acho que é a idoneidade para todo mundo acompanhar a sua evolução patrimonial, se é compatível com o salário que ele ganha fora da vida política e dentro da vida política. Então, se ele tiver uma administração do seu bem e conseguir evoluir dentro de uma razoabilidade, tá certo. Agora, o cara explodir na Receita ou diminuir, onde está o dinheiro que ele ganhou? Ele não sabe administrar nem o salário dele? É muito estranho”, finalizou.

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