suposta mandante do assassinato 17.09.2020 | 20h00
Fernando Frazão/Agência Brasil
A deputada federal Flordelis (PSD-RJ), acusada de ser a mandante do assassinato do pastor Anderson do Carmo, publicou uma homenagem ao marido na noite desta quinta-feira, 16 - um ano e três meses após o crime. No texto, a parlamentar diz que ‘não consegue se acostumar‘ e que ‘está muito difícil viver sem ele‘.
‘Sei que preciso continuar e não deixar a felicidade fugir de vez da minha vida, mas as saudades que sinto de você me deixam paralisada. Você foi embora, meu amor, e levou também uma parte de mim ... Sempre te amarei, Nem‘, escreveu ao se referir ao pastor assassinado.
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Na madrugada do dia 16 de junho de 2019, Anderson foi morto com mais de 30 tiros na garagem da casa onde morava com a deputada e os filhos. Horas depois do crime, Flordelis disse que se tratou de uma tentativa de assalto.
Investigação
A parlamentar foi denunciada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro no mês passado como mandante do assassinato do marido. Dois filhos dela - entres adotados e biológicos, são 55 - já estavam presos pelo crime. No último dia 24, outros cinco, além de uma neta, também foram presos acusados de participação no assassinato.
Polícia Civil e Promotoria acreditam os integrantes da família tiveram participação seja ajudando a orquestrar o plano ou a dificultar as investigações. Entre os acusados, só a pessoa apontada como a mandante da ação segue em liberdade: a própria Flordelis, beneficiada pela imunidade parlamentar. Ela alega inocência.
A investigação durou mais de um ano, e os responsáveis pelo inquérito concluíram que a deputada ‘foi a autora intelectual, a grande cabeça desse crime‘. A defesa nega o envolvimento da parlamentar e diz que a investigação é ‘contraditória e espetaculosa‘.
O Estadão teve acesso a relatório final da Polícia Civil, duas denúncias oferecidas pela Promotoria, além de depoimentos juntados aos autos do processo. A história narrada nos documentos contraria o histórico de boa pastora da deputada federal e sugere uma trama nada cristã, que envolve disputa por dinheiro, interesses políticos e até suspeitas de abuso sexual.
No último dia 9, o corregedor da Câmara, deputado Paulo Bengston (PTB-AM), entregou à deputada notificação sobre processo disciplinar que pode levar à cassação do mandato dela. O prazo de cinco dias úteis para a entrega terminou na quarta-feira, 16, mas poderia ser prorrogado a pedido de Flordelis.
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