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24.08.2003 | 03h00

Mito Harley-Davidson chega aos 100 anos cultuada pelo mundo

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Ícone da cultura americana, a Harley-Davidson está completando seu centenário. Imortalizada no cinema e cultuada com fanatismo quase religioso em todo o mundo, essa motocicleta é hoje muito mais um símbolo de status do que da rebeldia que já representou. No Brasil, estima-se que existam em circulação cerca de 5 mil Harleys, mas encontrar duas iguais é raro, porque existem quase 100 mil itens para personalizá-las. "As transformações as tornam verdadeiras obras de arte", atesta Moses Maurício Chachamovits, dono da Stroker e Moses, oficina de São Paulo. "E essa fixação do harleyro em ter uma motocicleta única, que tenha a sua cara, é que a torna tão especial". Chachamovits é exemplo de ligação com a moto: há alguns anos fechou sua confecção, largou a família no Brasil e foi para os EUA se especializar em mecânica da Harley.

Chachamovits não vai para Milwaukee, terra da Harley, comemorar os 100 anos do mito, entre os dias 28 e 31, mas se diz satisfeito de ter ajudado 18 brasileiros a levarem suas motos para participar do evento - outros também vão para lá, mas recorrendo ao aluguel de motocicletas. "O Brasil não poderia ficar de fora dessa caravana histórica, que deverá reunir quase um milhão de Harleys.

Esse objeto de desejo surgiu em agosto de 1903, quando os jovens William Harley e Arthur Davidson adaptaram um motor de combustão a uma bicicleta. Começava assim uma longa história de suceso e paíxão.

A marca não demorou a emplacar comercialmente. Em 1908 começou a tradição que a acompanharia ao longo de sua história: pela primeira vez, um batalhão de polícia, o de Detroit, adquiriu motos para o patrulhamento. Mas foi o uso das Harley pelas forças armadas americanas na Primeira Guerra que deu o impulso decisivo. A Harley sentiu o baque da grande depressão econômica dos anos 30. Foi preciso uma outra guerra mundial para a marca voltar a crescer. Com toda a sua produção adaptada para fins militares, a Harley fez quase 100 mil motos para os aliados combaterem pela Europa.

Na volta, os próprios ex-soldados alavancaram suas vendas. Com os anos, ela foi sendo cultuada e ganhou as telas do cinema, tornando-se um conceito de liberdade. O sucesso despertou o interesse de muitos empresários e, em 1969, acabou comprada pelo conglomerado American Machine and Foundry Company, cuja sigla, AMF, passou a dividir lugar com o Harley-Davidson nos tanques das motos. A opção dos novos donos de fabricar também modelos leves não vingou e, o que é pior, as marcas japonesas acabaram entrando no mercado das grandes cilindradas -oferecendo mais tecnologia e por um preço menor.

Os anos 80 começaram com a Harley voltando às mãos dos antigos donos, que contaram com uma grande ajuda para renascer: com forte lobby político, conseguiram sobretaxar as motos importadas. A HD então cresceu dentro e também fora dos EUA - isso sem perder o toque artesanal que a diferencia até hoje.

Se no passado quem rodava com essas barulhentas motos Harley-Davidson eram rapazes arruaceiros, hoje elas são pilotadas por médicos, publicitários e outros senhores estabilizados financeiramente -tanto que essa idéia de que "a vida começa aos 40 anos" deve ter sido lançada por algum harleyro. "Desde a adolescência, tive todo tipo de moto, mas sempre focado no ideal de um dia montar numa Harley. Demorou, mas cheguei lá", diz o aposentado Nelson Sato, de 53 anos, ex-diretor de marketing do Banespa.

Essa história de Sato, que tem uma Sportster, se encaixa perfeitamente na de tantos outros donos de Harley no País, pois essa paixão custa muito caro. "A Harley é um vício. Gasto mais com personalização e com objetos e roupas da marca do que com a própria moto", atesta Edgar Bala Michelucci, 46 anos, dono de uma confecção e de uma metalúrgica e que também tem uma Sportster, além de uma Heritage.

Os dois não fazem o tipo rebelde sem causa -saem acompanhados das mulheres na garupa -, mas gostam de se vestir com roupas de couro e botas como as usadas por Peter Fonda e Denis Hopper em Easy Rider, filme de 1969 que fez decolar as vendas da marca em todo o mundo. O ânimo também é grande para fazer muito barulho.

"Aceleramos pra todo mundo ouvir", diz Bala que faz parte do Moto Clube Rebel Bikers. O ronco alto do motor de uma Harley é único e tão especial que a marca o patenteou. Bala carrega o símbolo HD no celular, na carteira, na camiseta, no colete, na bandana, no capacete e onde mais puder. "Tenho anel, gravata, toalhas, cobertores e até o sofá em casa traz o símbolo da minha paixão", completa sem esconder ser um apaixonado pela Harley. Há quem vá além disso: fala-se de gente que se casa sobre uma Harley, tatua seu nome no corpo e até batiza o filho com ele.

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