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Terra e Criação - A | + A

02.10.2006 | 03h00

Danos provocados por cupinzeiros são estudados

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O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), José Raul Valério explica que o cupim de montículo, Cornitermes cumulans, infesta as pastagens em diversas regiões do Brasil. "Muito embora haja uma grande demanda para o controle, há controvérsias quanto aos danos que possivelmente estariam causando", explica.

Os cupins fazem parte de um grupo de insetos sociais que vivem em ninhos e apresentam uma porção visível na superfície do solo, os chamados cupinzeiros. "Estes insetos predominam em áreas menos sujeitas à mecanização como, por exemplo, as pastagens", explica o pesquisador. Desta forma, se não houver um sistema de controle o nível de infestação só tende a aumentar e prejudicar ainda mais as pastagens.

Cada colônia de cupins é dividida em grupos de indivíduos com características e funções diferentes. Há o casal real, que é o par fundador da colônia, indivíduos sexuados cuja função é apenas reprodutiva. Copulam de tempo em tempo, proporcionando o crescimento da população da colônia. Nos cupinzeiros há também os soldados, indivíduos estéreis que apresentam cabeças e mandíbulas bastante desenvolvidas que tem como função a defesa da colônia. Por fim, há o grupo dos operários. Assim como os soldados, são também estéreis e assumem todas as funções da colônia.

Os cupinzeiros adultos anualmente liberam um grande número de cupins alados (com asas) que são aptos para a reprodução. São os chamados siri-siris ou aleluias. A revoada destes indivíduos geralmente ocorre nos primeiros meses da época chuvosa, logo após fortes chuvas. Após a revoada, machos e fêmeas, aos pares, escavam no solo uma pequena câmara na qual copulam dando origem a uma nova colônia.

O pesquisador explica ainda que com o passar do tempo, à medida que a colônia cresce, constata-se, igualmente, o crescimento desproporcional do abdômen da rainha. Este fenômeno, denominado fisogastria, consiste na expansão dos seus ovários e acúmulo de gordura. Este crescimento resulta no aumento original do inseto em dezenas de vezes, limitando, em parte, a locomoção da rainha que fica restrita a umas poucas câmaras do cupinzeiro. A alimentação da rainha, bem como a retirada de seus ovos, são feitas pelos operários.

Segundo o pesquisador há muitas controvérsias sobre os danos causados pelos cupins às pastagens. Se, de um lado, altas infestações de cupinzeiros podem ser facilmente encontradas em pastagens, de outro, ainda não há números concretos sobre os danos. "Esta dúvida existe, talvez, por não se conhecer o suficiente a respeito dos hábitos alimentares destes insetos".

Apesar de alguns afirmarem que os cupins danificam diretamente as raízes das plantas, ainda não foi constatado redução na produção, na qualidade e muito menos na cobertura vegetal dos pastos, quando comparadas às áreas infestadas (até 160 cupinzeiros por hectare) com outras não infestadas. O pesquisador diz que há também informações de que estes insetos se alimentam de material vegetal morto ou de solo rico em matéria orgânica, ou ainda ainda de fezes de bovinos e eqüinos.

Por outro lado, tem-se constatado que a riqueza nutricional dos solos onde se encontra o material do montículo de C. cumulans é superior à dos outros. Um outr ponto que, de acordo com o pesquisador, está sendo questionado é sobre a perda de área de pastagens onde há cupinzeiros. "Este aspecto também é questionável. Num levantamento feito em vários municípios do Mato Grosso do Sul, constatou-se que cada cupinzeiro ocupava uma área média de meio (0,5) metro quadrado. Desta forma, um número alto de, por exemplo, 200 cupinzeiros num hectare reduziria a área útil da pastagem em apenas 1%", considera o pesquisador.

Mas é importante destacar que a alta infestação dos cupinzeiros, no entanto, limita a movimentação de máquinas e, por vezes, dos próprios animais. "Os cupinzeiros podem abrigar animais como cobras, aranhas, escorpiões, ninhos de vespas, abelhas, ratos e outros. Isso sem falar no aspecto de abandono que é freqüentemente mencionado quando se fala destas áreas", explica.

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