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15.03.2007 | 03h00

Gostosa terapia

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Alguns serviços de casa são uma obrigação e uma chateação. Ninguém gosta de ficar lavando louça, passando roupa, limpando o chão, cozinhando... bom, talvez este último não seja tão ruim assim. Senão, por que algumas pessoas se tornariam cozinheiros, os famosos "chefs" de cozinha? E por que, aos domingos e feriados, muita gente gosta de fazer aquele almoço especial? E convidar alguns amigos para um jantarzinho em casa?

A verdade é que cozinhar pode ser uma terapia, um hobby e até mesmo virar uma profissão. O professor de gastronomia da Unic (Universidade de Cuiabá), Gilmar Fava, conta que aprendeu a cozinhar quando era criança. "Comecei por hobby e virou uma profissão. É uma das minhas paixões", revela.

"Geralmente quem gosta de cozinhar são pessoas com um perfil detalhista, que observam bem as coisas", lembra ele. "Quando estou na cozinha, concentrado, fazendo um prato, minha cabeça voa, eu me distraio, fico "viajando", descreve. Mas não são só os profissionais que se encaixam nessa terapia. "Seres normais", com outros empregos e afazeres, também podem usar a cozinha como um refúgio.

A terapeuta complementar e ocupacional Mara Wiegel, de São Paulo explica que a arte de cozinhar funciona realmente como uma terapia. "Esse processo auxilia na organização da mente, na transformação de idéias e na própria meditação", afirma. "Uma vez eu fiz um curso com uma monja budista que me falou que a meditação pode ser feita em lugares inesperados, inclusive na cozinha", diz.

"Por exemplo, se você está preparando uma salada, cada folha de alface que você pega e lava é um exercício de paciência, você está meditando", esclarece. "Cozinhar ajuda na nossa instropecção e extroversão, pois muitas vezes estamos fazendo aquela comida para o outro. É altamente terapêutico e é um gesto de amor, que o que nos move no mundo", relata. "Eu particularmente adoro cozinhar", admite.

A professora Ana Maria Moraes, 61, e a economista Deuseni Noleto Meira, 60, são amigas e cunhadas e ambas são apaixonadas pela cozinha. "Desde criança eu cozinho. Minha família morava no interior e minha mãe achava que mulher sempre tem que saber fazer alguma coisa na cozinha", conta Ana Maria. "A primeira coisa que aprendi foi a temperar um bife", recorda.

Já Deuseni foi um pouco autodidata. "Minha mãe não tinha o hábito de fazer comida. Eu observava quem sabia cozinhar", revela. "Se tem uma coisa que faço com prazer é cozinhar, me sinto bem na cozinha", confessa. "As pessoas podem até aprender a cozinhar, mas antes de tudo têm que gostar", destaca.

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