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18.05.2003 | 03h00

Manoel de Barros em prosa

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Quando ganhou o Prêmio Jabuti de melhor ficção de 2001, com a obra O Fazedor de Amanhecer (Salamandra), o poeta Manoel de Barros dizia estar vivendo uma nova ascensão para a infância. "Como todo velho, sou uma criança nova e, com a memória mais aguda, relembro todos os bons momentos que vivi como menino. Enxergo o mundo agora de maneira mais inocente", comentou. O estado de espírito favoreceu a escrita de seu mais recente livro, o primeiro em prosa Memórias Inventadas - A Infância (Editora Planeta).

Barros vive em Campo Grande e animou-se a contar histórias de sua meninice. O resultado agradou ao poeta: cada história é ilustrada pela filha do poeta, Marta, e o leitor encontra seus escritos dentro de uma caixa, fechada por uma fita. Trata-se de um local adequado para guardar o diário fantasioso de Manoel de Barros que oferece uma advertência na primeira página, revelando seu ato de brincar com as palavras: "Tudo o que não invento é falso.

"Ou seja, o poeta prefere a verdade da sua imaginação para contar as próprias histórias, o que lhe permite usar a poesia em um texto no formato tradicional da prosa. Aos 86 anos, Barros cultiva hábitos em favor da palavra, como responder às perguntas por fax, em páginas datilografadas.

- Se as memórias são inventadas, como diz o título do livro-caixa, o que seria interessante constar nas memórias não inventadas do menino Manoel de Barros?

- Minha infância foi rodeada de pessoas queridas. O ermo que eu tinha, enorme, dentro do olho era um dom de ser triste. Não tenho nenhum retrato em que apareça o ermo. O ermo era por dentro. Penso que fosse meu reparo particular sobre o abandono do lugar em que vivíamos. Era um lugar parado e cercado de distâncias. Seria alguma coisa parecida com exílio. Pra disfarçar, eu montava em cavalo-de-pau e saía a correr pelos campos abertos.

- Brincar com as palavras era melhor que com brinquedos?

- Só aprendi a ler com 7 anos. Ao conhecer as letras, eu via, em algumas, formas de bicho, de flor, de gente, etc. Então brincava de fazer coisas com elas. Mas só depois de grande, inventei de brincar com palavras. Era uma forma de fazer novas peraltices.

- Primeiro seus textos chegaram ao teatro (Chão de Barros), agora ganham o formato de prosa. O que virá a seguir?

- Gostaria de retomar a minha Theologia do Traste. Que não seria um livro de meditação. Penso nisso como um derradeiro livro de poemas.

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