22.09.2005 | 03h00
Acordar cedo, sair correndo para trabalhar, engolir o almoço em 10 minutos, trabalhar de novo, chegar em casa depois das 7 da noite super cansado, jantar, assistir TV e dormir. Hoje, a vida de milhares de pessoas é assim. Aliás, isso pode ser chamado de vida? Ninguém mais sabe o que é um momento de paz, de harmonia com aqueles que ama, de real tranquilidade. O pensamento está sempre voltado para o que temos que fazer no dia seguinte.
Parece que entramos em um processo de aceleração e não conseguimos mais revertê-lo, pois não temos sequer tempo para pensar em uma "desaceleração". Então, entram as velhas desculpas, afinal de contas não se pode parar uma rotina assim de uma hora para outra.
Mas o segredo não está em ser radical. Algumas raras pessoas podem servir como exemplo de como modificar essa vida maluca que se leva atualmente. "Todo essa coisa acelerada gira em torno de uma questão: a nossa energia nervosa", diz o publicitário e coordenador da Academia de Autoconhecimento Humi, André Lang.
"O efeito deste desequilíbrio que está havendo pode ser visto claramente. É o estresse e a depressão. Por isso mais do que nunca é preciso que as pessoas comecem a se autoconhecer para descobrirem quais são seus verdadeiros problemas e como podem solucioná-los", completa.
"Não significa que se deve parar de correr completamente, mas sim conseguir se identificar de uma maneira positiva no meio da correria", reflete ele. Para ficar menos confuso, nada melhor do que um exemplo. "Você pode estar no meio de um ambiente agitado, mas sentir-se tranquilo e harmonioso consigo mesmo", explica.
E para alcançar este ponto de equilíbrio, ele dá um conselho. "A grande força vital que alimenta o ser humano está na natureza. É muito bom e eficiente de vez em quando escapar para um lugar mais calmo, como a Chapada dos Guimarães ou ir para um rio pescar", diz.
Segundo ele, a industrialização e toda a tecnologia dos grandes centros acabam gerando muitas correntes eletromagnéticas, que contribuem para tanta agitação. "A água, a terra, o ar, o sol e os metais da terra ajudam a descarregar toda essa carga acumulada no corpo. Quando você está em contato com a natureza ocorre um processo de revitalização físico e mental", esclarece.
E André é um seguidor de seu próprio discurso. Ele faz parte de um núcleo ecológico que de vez em quando se refugia em um fim de semana nos ares de Chapada para meditar e refletir sobre a vida. "Algo que me relaxa muito é observar as estrelas", revela.
A professora de yoga e de tai chi chuan, Ligia Prieto, pode ser considerada outro exemplo de quem tenta lidar com a velocidade do mundo. "O que me ajuda muito a viver no meio de tanto estresse é a meditação, o yoga e o tai chi chuan", conta. "São atividades que proporcionam calma e trabalham a paciência", afirma.
"Com essa vida corrida que a gente leva, acabamos funcionando no piloto automático. Você faz as coisas porque está acostumado a isso e não porque está plenamente consciente daquilo", opina. Ligia acredita que o que falta mesmo é termos esta consciência de prestarmos atenção em nós mesmos.
"A sociedade está muito consumista. Você tem que trabalhar muito para consumir muito e assim conseguir viver do jeito que pensa que é certo", critica. "Na verdade o problema não está em trabalhar. Ganhar dinheiro é bom. Mas é importante saber se o que estamos fazendo está sendo prazeroso para nós mesmos", argumenta.
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