Reencontro Histórico 03.06.2026 | 15h45
Divulgação/Fernando Young
Após 12 anos da saída do Revelação, Xande de Pilares vai voltar a integrar um projeto especial com o grupo. A turnê Tava Escrito: O Reencontro Histórico vai cruzar o país em celebração aos 30 anos do conjunto, que foi um dos precursores do samba e do pagode no Brasil.
Em entrevista exclusiva ao blog, o cantor relembrou as dificuldades na decisão de seguir carreira solo e de recomeçar na música após ser o vocalista do grupo por 20 anos.
“Eu me preparei para enfrentar o caminho que eu escolhi para traçar. É como se você estivesse caminhando e chegasse a um lugar que tem um precipício, e lá do outro lado tem mais chão para andar. Passei por coisas que você não imagina.
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Quando eu cantava num botequim para 30 pessoas era comum no início. No reinício, não era comum. Porque a gente já tinha passado por aquele processo ali.”
Para o Revelação também não foi fácil a separação de Xande. Integrante remanescente do conjunto, Mauro Júnior contou que o recomeço foi uma confusão, mas que, com o tempo, o grupo conseguiu uma maturidade para lidar com a situação.
“Convivência é difícil, seis pessoas no Revelação. Mas nunca houve quem manda, quem desmanda. Sempre foi uma democracia. Houve a separação do Xande, mas, no primeiro momento, é aquela confusão mesmo de qualquer separação.
Mas o importante é que o Revelação decidiu não parar, o Xande decidiu não parar. Todo mundo seguiu para um lado, e chegamos até aqui, onde estamos hoje, o Xande com um Grammy Latino nas costas, onde ninguém acreditava em nada disso. Esse reencontro é mais uma comemoração de termos conseguido vencer todas as dificuldades que nós passamos depois de ter tanto sucesso.”
Xande e o sobrinho dividem os vocais
A turnê também vai celebrar a nova geração do samba e contará com a parceria de Xande de Pilares e o sobrinho, Jonathan Alexandre, conhecido como Mamute, ao lado da formação original do conjunto — Mauro Júnior (banjo), Rogerinho (tantã), Beto Lima (violão), Sérgio Rufino (pandeiro) e Artur Luis (reco-reco). Mamute assumiu os vocais do Revelação no final de 2018 e está seguindo os passos do tio.
“Meu sobrinho está podendo dar a contribuição dele de uma forma maior. O Revelação merece esse momento que vai viver, porque teve muita coisa que a gente poderia ter vivido que a gente vai poder viver agora”, disse Xande.
Influência das redes na música: ‘Não cabe na nossa cabeça’
Fundado na década de 1990, o Grupo Revelação passou por várias fases da música, mas ainda assim não abandonou a essência principal das rodas de samba e as composições densas sobre superação, otimismo e cultura de rua.
Com um novo estilo musical se popularizando por influência das redes sociais e da alta demanda de produção, Mauro Júnior explica que as plataformas digitais ainda continuam sendo uma novidade para o Revelação, apesar das exigências do mercado.
“A gente não consegue lidar com isso. É uma parada que não cabe na nossa cabeça. Mesmo com essa dificuldade que a gente tem com a rede social, a gente consegue se manter aí no mercado porque a galera curte o nosso som mesmo, tanto a galera da antiga quanto os jovens que estão descobrindo o Revelação pelas plataformas e por ouvir pai, mãe, avó falarem da gente. Mas a gente está tentando se adaptar, só não dá para fazer dancinha no TikTok”, comentou entre risos.
Xande ressaltou que agora, com o imediatismo do sucesso e pressão por novas músicas, o peso acaba recaindo na desvalorização do trabalho do artista.
“As pessoas não conseguem mais ouvir uma playlist inteira, não têm mais paciência. Por mais real que seja para a época, não é legal para o artista, porque o cara é conhecido mais pelo número [de ouvintes] do que pelo trabalho dele.
E vai chegar uma hora em que você vai frustrar o artista. Eu gostaria muito e sonho ainda que a música seja o ponto alto da coisa toda. Porque o que sustenta uma carreira é o trabalho. Mas não é um trabalho com pressa, é um trabalho com calma, para a gente mostrar por que aquela música foi feita, o que a mensagem ela música diz.”
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