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Rosana Leite A Barros - A | + A

19.12.2016 | 00h00

Cozinheira ou Chef?

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A cozinha está em alta no mundo inteiro. Pessoas que antes afirmavam não entender nada de comida, apenas apreciar bons pratos, hoje se aventuram no preparo culinário. Afirmando, mais uma vez, que não existe lugar para o gênero masculino ou feminino, a cozinha passou a ser universal.
Profissionais de todas as áreas, entraram na onda. As emissoras televisivas de canais abertos e fechados transmitem reality shows onde a vedete é o alimento. Em tempos não muito remotos, cozinha era um lugar ocupado apenas por mulheres. As mães sempre ganharam o título de ‘cozinheiras de mão cheia‘. Entretanto, como tudo na vida, o que era um espaço feminino, tomou ares de requinte, principalmente com a chegada do gênero masculino. A mídia noticia, com frequência, vários profissionais dedicados ao labor que trocaram a profissão sonhada, para ocupar balcões, pias e fogões. A vida se modificou, mesmo. Cada qual está mostrando quem é, e o que aprecia, sem hipocrisias.
Mas o machismo... Ah, esse teima em estar presente em todos os lugares, mesmo sendo persona non grata. Com o gênero masculino ocupando lugares que dantes eram somente delas, já chegam chegando, como dizem os jovens. Até semana passada, na televisão aberta brasileira, uma competição entre profissionais da cozinha, que contou com audiência privilegiada, foi muito comentada. E os escólios não ficaram apenas por conta da comida, mas, também, pela discriminação. Dentre os finalistas, três participantes: uma mulher e dois homens. O inesperado, mas, intuitivamente sempre esperado, acontece. A finalista Dayse ouviu, do também finalista Ivo, que deveria varrer o chão. Segundo o mencionado participante: ‘Trabalhar com mulher na cozinha é um pouco mais delicado, vamos ser realistas. Ela acaba sendo um pouco mais frágil.‘
Outra partícipe, que foi eliminada no sexto episódio, assegurou que as mulheres eram subestimadas na cozinha. Bel Coelho, renomada chef garantiu: ‘Homem diante de homem tem uma postura de respeito e diante da mulher tem outra. E essas coisas que homens fazem na rua também fazem na cozinha, como boicotar coisas que fazemos ou nos encoxar (...). Na verdade, o que existe há muitos anos é a tentativa de empurrar as mulheres para atividades consideradas menos glamorosas e escondidas, como a limpeza‘.
A professora de história moderna na Universidade de Urbino, na Itália, afiançou que durante a Idade Moderna, o responsável pela cozinha era variável de acordo com a classe à qual pertencia a família. Aqueles de classe mais baixa possuíam mulheres como cozinheiras. Ao contrário das famílias mais abastadas, que tinham homens no comando da cozinha. Na França, o domínio masculino da cozinha começou no século 16, no reinado de Henrique IV, quando ganharam o prestígio de chefs.
Carlos Alberto Dória, doutor em sociologia na Unicamp, relata que expressões como ‘cozinhar como amor‘, está associada à culinária mais simples, portanto, ligada à mulher. Todavia, ‘cozinhar com arte‘, boa cozinha, é ligada à figura masculina, por ser superior.
Os alimentos podem, e devem, sem preparados com amor, arte, carinho e dedicação por qualquer dos gêneros. São sentimentos que independem de condição hormonal ou do gênero que se entende. Assim como qualquer função, profissão, labor, é ocupada pelo sexo masculino ou feminino com competência e eficiência, de nada importa quem estará preparando o alimento.
A expressão ‘chef‘ ganhou força quando o gênero masculino passou a se dedicar à arte culinária, fugindo da denominação cozinheiro. Em família, cresci com a felicidade de não fazer qualquer diferença, ou admirar, em encontrar a genitora ou genitor no preparo do alimento da família. E não sei afirmar qual dos dois é o melhor chef. São dois alquimistas de alimentos!

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.

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