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Rosana Leite A Barros - A | + A

09.01.2017 | 00h00

Pai e mãe mentes sãs

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Tem situações que, em regra, se fazem hereditárias. Tenho percebido que os maus tratos às mulheres vêm passando de pais para filhos. Assim, a importância do relacionamento dentro do âmbito do doméstico entre os gêneros, mostrando aos descendentes o modelo da ação futura.
Filhos frutos de contatos de respeito e amor, possuem grande chance de gerar relacionamentos respeitosos. Os ensinamentos carregados por anos, dentro do seio familiar, trazem o condão de acompanhar os adultos. Muitos conseguem abandonar traumas vividos, outros não.
Venho de família onde o respeito foi cativado diuturnamente. Fatos foram marcantes, máxime, na minha condição de caçula, sempre muito próxima dos genitores. Às sextas-feiras, finais de tarde e início de noite, eram reservados para o mercado da família. Aquele era um momento mais que especial. Papai foi quem sempre trabalhou fora. E a mãe, ficava com a difícil tarefa de administrar o lar. Algumas vezes, nessas sextas-feiras, íamos, também, com o pai para o barbeiro, antes do supermercado. Certa vez, ficamos no carro esperando. Como estava demorando um pouco, convidei a mamãe para dar uma volta no quarteirão, enquanto esperávamos o momento beleza do genitor. Ao passarmos em frente à uma loja, um homem assediou a mamãe com palavras. Quando foram desferidas as agressões, ela ficou muito chateada, e voltamos imediatamente para o carro.
Com o retorno do meu pai, imediatamente lhe contamos o ocorrido, já demonstrado na face triste da minha mãe. A reação dele deveria ser viril, machista, ou de culpabilidade à esposa? Não, ele agiu com preocupação. Ficou apreensivo em ver a mulher constrangida. Se preocupou, a questionando se ela gostaria de alguma atitude dele naquele momento. Ela, muito sábia, apenas falou que queria ir às compras e voltar para casa. Ele a respeitou. Antes de dormir, ainda o vi a inquirindo se estava bem.
Na atualidade, na escola em que estuda o meu filho e a filha de uma grande amiga, ouvi uma curiosa história. A amiga contou que estava chegando no colégio, e em uma roda de mães, ouviu falar o nome do meu filho. Então, se aproximou para ver o que falavam. Segundo ela, as mulheres estavam afirmando que o Gilson Neto, meu rebento, seria um excelente marido. Para elas, o fato dele estar sempre em contato com o assunto violência doméstica, não praticará agressões contra a companheira, sendo um ‘bom partido‘. O conceito de ‘bom partido‘, mudou. Pais e mães querem vida futura para os filhos e filhas livre de agressões.
Aproveito a oportunidade para agradecer aos meus genitores. Com formação espírita, acredito que escolhemos o local de nascimento, por afinidade àqueles que irão nos gerar. Escolhi muito bem. Graças a eles, tive criação e educação liberta de qualquer violência, a ponto de poder agora, contribuir para a retirada da violência doméstica da vida de muitas mulheres.
Dona Marlei, minha genitora, abriu mão de se capacitar profissionalmente, para o cuidado com o lar. Dr. Sebastião, como é conhecido o meu pai, por ter formação como bacharel em direito, exerceu a advocacia, se aposentando como procurador jurídico da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, sendo um exímio marido, ao qual rendo todas as homenagens, principalmente neste mês, em que completa mais um ano vida, dia de São Sebastião. E olhando para os ancestrais, rememoro o meu avô paterno, Vô Mamede, que foi um gentleman como marido.
A formação da personalidade começa em casa. Os valores transferidos em muito contribuem para a felicidade dos adultos. Vale o ditado: ‘Cada um dá o que tem‘.


Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual e escreve para o Jornal A Gazeta.

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Graci Ourives - 13/01/2017

Dra.Artigo para ser lido é repassado para todos familiares e amigos. Parabéns ? 2017.Escritora Graci Ourives de Miranda.

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