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07.01.2026 | 11h47

A saúde pública começa na farmácia

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Luís Köhler

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Quando se fala em saúde pública no Brasil, o imaginário coletivo costuma apontar para hospitais, prontos-socorros e grandes estruturas do Estado. Raramente se olha para um espaço que milhões de brasileiros frequentam todas as semanas: a farmácia do bairro. Esse esquecimento não é casual — é um erro histórico que custa caro à saúde da população.

 

Em um país marcado por desigualdades no acesso aos serviços de saúde, a farmácia é, para muitas famílias, o primeiro — e às vezes o único — ponto de cuidado disponível. É onde se busca orientação imediata, alívio para sintomas iniciais e respostas rápidas, sem fila, sem burocracia e sem intermediários. Ainda assim, insistimos em tratar esse espaço como se fosse apenas um comércio.

 

Esse olhar reduzido ignora uma realidade fundamental. A farmácia é um estabelecimento de saúde e exerce uma função sanitária estratégica. Muito do que garante a segurança do cidadão não está apenas no atendimento ao balcão, mas em rotinas técnicas que acontecem longe dos olhos do público: controle de temperatura, conferência de validade, armazenamento adequado, rastreabilidade de medicamentos e vigilância rigorosa sobre substâncias controladas. Quando essas rotinas falham, o problema não é burocrático. É sanitário — e atinge diretamente a população.

 

O Brasil possui mais de 100 mil farmácias espalhadas por seus municípios. Poucos países contam com uma rede de cuidado tão capilarizada. O paradoxo é evidente: temos presença territorial, mas ainda falhamos no reconhecimento pleno desse potencial como política de saúde pública. Ter farmácias não significa, automaticamente, ter farmácias preparadas para cumprir seu papel sanitário.

 

Persiste a falsa ideia de que a farmácia é um ambiente simples, guiado apenas pela venda e pela boa vontade de quem atende. Na prática, trata-se de um espaço técnico, altamente regulado, que exige conhecimento, responsabilidade e supervisão profissional contínua. Ignorar isso é aceitar riscos invisíveis, porém reais.

 

Nesse cenário, o farmacêutico ocupa um papel central. É ele quem garante que as rotinas sanitárias sejam cumpridas, orienta o uso correto de medicamentos, identifica situações que exigem encaminhamento médico e contribui para o uso racional de terapias. Sua presença não é decorativa. É um fator de proteção à saúde coletiva. Sem o farmacêutico, a farmácia deixa de ser um ponto de cuidado e se transforma em um simples ponto de venda — com consequências graves para o cidadão.

 

Valorizar a farmácia exige mais do que reconhecimento simbólico. Exige políticas públicas que compreendam que saúde não se faz apenas em grandes estruturas hospitalares. Ela começa no cotidiano, na proximidade, no acesso imediato e na orientação segura. Começa onde o cidadão procura ajuda antes que o problema se agrave.

 

A saúde pública brasileira precisa aprender a olhar para a farmácia não como um apêndice do sistema, mas como parte essencial dele. Fortalecer esse espaço é fortalecer a prevenção, a segurança sanitária e o cuidado contínuo.

A saúde pública começa onde o Brasil menos percebe: no balcão da farmácia. E continuar ignorando isso é um risco que o país já não pode mais se dar ao luxo de correr.

 

Luís Köhler Farmacêutico é especialista em Gestão Regulatória - Conselheiro Federal de Farmácia eleito 2027/2030.

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