04.05.2026 | 12h13
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Colunista
Nas tardes de sexta-feira de minha infância, mainha nos liberava um lanche pouco saudável: Pingo d'ouro ou biscoito Bono. Um pra mim, um pra minha irmã. A gente dividia. Não tem lanche nesse melhor nesse mundo. Se enche a mão com um punhado de salgadinho, não se espera o sal sair da boca e dá-lhe biscoito doce.
Eu sei, gordura trans, açúcar e sódio. Hoje em dia, Deus me livre. Mas o gosto do contraste, esse pode mandar que quero. Mais adulta, nas madrugadas de escritório do começo da vida profissional, substituí o combo por pizza - meia 4 queijos, meia brigadeiro. Bem bom também.
Corta pra sexta-feira, dia do trabalho, tirei folga como se deve. Fui ao MASP. Não para me juntar a alguns dos muitos movimentos que ocupavam a cidade (também como se deve - desculpa), mas para visitar o museu. Se tivesse pensado um pouquinho de nada, teria desistido porque, a princípio, é lá no vão do MASP que o povo se concentra para sair em defesa dos direitos dos trabalhadores, o museu estaria fechado. Não estava, embora houvesse uma trio elétrico e vários decibeis de ideias circulando na Paulista.
Estas contrárias aos direitos, contrárias à democracia, contrárias à taxação de grande fortunas, contrárias à preservação da floresta, contrárias a quase tudo que eu acredito. Só não eram contrárias mesmo às falas do motorista de aplicativo que nos levou até lá. Ele fez questão de deixar bem claro.
Pelo volume do trio estacionado quase que diante do museu, imaginei que estaríamos acompanhados de centenas de amiguinhos do motorista. Mas, pelo menos até a hora que entramos, o homem ao microfone falava para 17 barulhentos gatos pingados. Dentro do anexo do MASP, 4 exposições de encher os olhos: as obras do artista indígena do povo Uitoto, radicado na Amazônia peruana, Santiago Yahuarcani; o Coletivo Acciones de arte formado em Santiago entre 1979 e 1985;
as 31 obras, incluindo 14 aquarelas da icônica série Vírgenes cholas, exposta na Biennale di Venezia em 2024 de La Chola Poblete e as lindezas do coletivo de tecedeiras do povo Wichí, composto por mais de cem mulheres que vivem nas comunidades de La Puntana e Alto La Sierra, no norte da província de Salta, na Argentina. Um gostinho de contraste melhor do que Pingo D’ouro e biscoito Bono. Bom demais. Quem estiver em São Paulo, vá. O trio elétrico não estará mais gritando pra ninguém, garanto, já não estava quando saí.
Boa semana, queridos. E viva os trabalhadores.
Roberta D'Albuquerque é psicanalista, atende em seu consultório em São Paulo e escreve semanalmente no Gazeta Digital e em outros 17 jornais e revistas do Brasil, EUA e Canadá. E-mail: contato@robertadalbuquerque.com.br
Coluna semanal atualizada às segundas-feiras
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