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Cuiabá, Domingo 07/06/2026

Entrevista da Semana - A | + A

DISPUTA AO GOVERNO 07.06.2026 | 07h00

Pré-candidato quer caçada à faccionados e não aceitar pagar RGA retroativo

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TV Vila Real

TV Vila Real

Pré-candidato ao Governo do Estado, o empresário Rafael Milas (Missão) defendeu a valorização das carreiras policiais e uma maior integração da Polícia Penal com os demais braços da segurança pública de Mato Grosso. Além disso, ele sinalizou a intenção de adotar um discurso de caça aos faccionados, incentivando inclusive a morte desse tipo de criminoso pela polícia.

 

Questionado sobre o pagamento do Reajuste Anual Gera (RGA)l retroativo que os servidores estaduais cobram referente ao período da pandemia de covid-19, o pré-candidato disse que, se eleito, não vai pagar. Para ele, faz mais sentido investir em obras e serviços públicos do que “reforçar” os vencimentos dos funcionários públicos.

 

As declarações foram feitas na última sexta-feira (05), durante sabatina no Jornal do Meio Dia, da TV Vila Real (10.1).  Durante a conversa, Milas também propôs uma política de desenvolvimento do estado, baseado no fomento ao agro e à indústria, mas que não se restrinja aos “amigos do rei” e, negando fazer uso de discurso esquerdista, criticou que a riqueza produzida no estado “fique nas mãos de poucos”.


Confira os principais pontos da conversa:

 

 

Gazeta Digital - Quais serão as prioridades, ações concretas mesmo, caso eleito?


Rafael Milas - Meu foco principal será a segurança pública. Não dá para aceitar que Mato Grosso, um estado tão rico, com poucos municípios, seja um estado tomado por facção criminosa. Só que para isso não é só fazer discurso, é preciso, no primeiro dia de governo, propor uma reforma administrativa de fato e passar a valorizar principalmente os setores da polícia que vão fazer com que Mato Grosso combata de fato o crime organizado e que não estão sendo valorizados. Vou dar um ótimo exemplo que é uma classe que eu respeito muito: os policiais penais. Ninguém fala do policial penal, aquela categoria que fica lá dentro do presídio tendo contato direto com os traficantes, com os criminosos. Passou da hora de Mato Grosso ter delegacias penais especializadas em pontos estratégicos do estado para que o policial penal tenha infraestrutura, condições de ter uma polícia com inteligência. O policial penal poderia muito bem mapear quem são os traficantes ali, os faccionados do presídio, uma inteligência para ajudar as polícias, mas para isso ele tem que ter infraestrutura e ser tratado com a mesma estrutura que as outras polícias tem.

 

Gazeta Digital - A narrativa aqui é a seguinte: faltam leis mais rigorosas para combater as facções criminosas. Só que faltam mais de quatro mil policiais na Polícia Militar e aí, nos últimos anos, as facções estenderam os tentáculos para todos os municípios de Mato Grosso. Como resolver isso?


Rafael Milas - De fato, é um problema nacional, sim. As leis são frouxas demais, só que um governador não pode usar isso como muleta para justificar o crescimento das facções. O chefe da polícia é o governador. (...) Esses policiais estão doidos para combater faccionados, porque eles sofrem na pele, eles são expostos. Eles recebem ameaças de faccionados também, então ninguém mais quer combater o crime organizado do que os próprios policiais, mas falta um governador com coragem para enfrentar e falar ‘pode ir que Mato Grosso não vai ser terra de faccionado’. Tem que passar uma mensagem clara: faccionado, você tem duas opções. Ou você sai do estado ou você será morto, simples assim.

 

Gazeta Digital - O senhor fez uma defesa ferrenha dos policiais penais, mas e em relação aos servidores do estado que reivindicam o pagamento das RGAs atrasados, algo em torno de R$ 3 bilhões? O governo se nega, falando que quebraria o estado, no entanto existe um superávit. Como lidaria com isso caso fosse eleito?


Rafael Milas - É bem polêmico isso. Eu, como governador, falo aqui agora, não pagaria RGA retroativo coisa alguma para servidor por época de pandemia. E explico por que: parece que estou sendo malvado, injusto, mas não. Na pandemia, o Governo Federal na época falou ‘como estamos em uma pandemia, o estado não está arrecadando, tá todo mundo quebrando, empresas falindo, o povo indo para a rua, gente morrendo, quem se arrisca morre trabalhando, então vamos congelar a RGA’. Na época ninguém reclamou porque era pandemia, só que boa parte dos servidores pode, com razão e legitimidade, ficar em casa se protegendo do vírus. E tudo bem. Mas aí, a maioria das pessoas comuns, que pagam imposto, ficaram tentando trabalhar e sobreviver. Pagar esse RGA retroativo significa quase R$ 4 bilhões que poderiam ser investidos em infraestrutura, construir mais silos, mais escolas, mais segurança. A gente vai ficar patinando nessa ideia sempre de reforçar pagamento de servidor?

 

Gazeta Digital - É correta a afirmação de que o atual governo olha mais para os ricos e vira as costas para os pobres?


Rafael Milas - Eu acho de fato é preciso investir em áreas essenciais, o que a gestão passada até tentou fazer só que falta indústria, falta energia barata, habitação barata, falta logística. É um estado que focou muito em trazer benefícios fiscais para os amigos do rei, aquela gestão muito focada em manter os ricos mais ricos, os grandes produtores. E faltou a gente ter a imaginação de que dá para o Mato Grosso ser o estado mais rico do Brasil. O que estou falando é verdade, dá para ser o mais rico. São Paulo é o mais rico porque tem agro e tem indústria, mas é um estado que é pequeno. Mato Grosso tem o agro que é o maior do mundo, hoje dá uma surra nos Estados Unidos na questão da produção do agro. Aqui são três safras por ano apesar do Estado, que não entrega logística de qualidade, não entrega silo, não entrega energia, não entrega condições de o agro desenvolver ainda mais, não fizeram a lição de casa. Tenho certeza que o agro aqui vai explodir se verticalizar a produção, trazer incentivos fiscais para empresas da maneira correta, de maneira que não beneficie só os amigos do rei, que beneficie também a população.

 

Gazeta Digital - Aqui em Mato Grosso, alguns setores da economia insistem em querer definir a eleição por decreto, como é o caso dos barões do agronegócio. Qual a estratégia para pedir o voto do eleitor?


Rafael Milas - Muito simples: falar a verdade para o eleitor. Acho que Mato Grosso carece de mais imaginação nessa gestão que virá, porque não é possível um estado tão rico, mas que essa riqueza fique nas mãos de poucos. Isso não é papinho de esquerdista, não é papinho de distribuição de renda, é um papo de que essa elite que você citou está apenas trocando a cadeira de lugar entre eles.

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