08.06.2008 | 03h00
Uma pesquisa controvertida - e divertida, sem dúvida! - garante que o uso de salto alto pelas mulheres fortalece a musculatura pélvica e pode levar a um impacto bastante positivo sobre a vida sexual feminina. Quem assina os estudos é a urologista italiana Maria Cerruto (34 anos), da Universidade de Verona. Embora ainda incipiente, as conclusões indicam que o símbolo fetichista de alguns homens e inimigo número 1 dos ortopedistas é um verdadeiro viagra para as mulheres. A pesquisa parece estar num rumo tão irreversível que os opositores do salto alto estão bem perto de se renderem à tese da médica italiana.
Maria Cerruto assegura que do ponto de vista urológico, uma diferente posição do tornozelo pode influenciar a atitude do pavimento pélvico. Ou seja, a região onde está a denominada musculatura do prazer feminino simplesmente muda a partir do uso de um salto com altura de 8 cm, 12 cm ou 15 cm, aliás um modelo copiado do estilo adotado pelo rei francês Luís XV, no século 17. Com baixa estatura, ele entrou para a história como o inventor deste tipo de salto. Até o seu reinado, o salto alto era peça exclusiva do vestuário masculino. Depois dele, liberou geral.
Por enquanto a pesquisadora italiana, que selecionou 66 mulheres com idade inferior a 50 anos, para desenvolver o estudo, detalha que o salto ideal para o fortalecimento dos músculos pélvicos não pode ser superior a 7 cm, mas deve provocar uma inclinação nas articulações de cerca de 10 ou 15 graus para que a mulher fique confortável. Aí, sabe-se lá. Com a questão do atrito, da estatura e do gosto individual e outras "cositas" a mais tem-se a possibilidade de se chegar aos 15 tão propagado pelo rei francês, expert em saltos.
Ortopedistas italianos, ouvidos pela própria pesquisadora, acreditam que no estudo dela faltam informações e que o universo de 66 mulheres é pequeno para uma amostragem de valor científico. Alguns consideram que seria necessário o acompanhamento de pelo menos 4 mil mulheres para se alcançar uma conclusão ideal. Os especialistas ressaltam que o uso contínuo do salto é perigoso porque aumenta a chance de torcer o tornozelo, expõe a quedas frequentes e acentua a curvatura da coluna, além de encurtar os músculos da panturrilha.
Muito além de uma questão de saúde ou de exercício pélvico, o salto enquanto imagem que desperta a libido pode não ser determinante na performance sexual. O presidente da Sociedade Brasileira de Ginecologia Endócrina, Elsimar Coutinho, não descarta a possível relação entre o uso do salto e o fortalecimento da pélvis, mas alerta que chamado "sexo bom" nem sempre se mede pela aptidão física. Há fatores hormonais e psicológicos tão fundamentais que superam na cama qualquer malabarismo.
De toda forma, a imagem erotizada do salto alto vem do jeito de andar da mulher. Em cima de uma plataforma Luís XV, por exemplo, elas forçam a curvatura da coluna, empinando o bumbum e, obviamente, são obrigadas a requebrar para caminhar melhor. Uma boa requebrada, por vezes, insinua algo como: "Estou disponível agora" e aí o papo rola. Tudo bem, gosto é gosto. Mas como ficam aquelas mulheres adeptas das "rasteirinhas"?
Margareth Botelho é jornalista em Cuiabá e diretora de Redação de A Gazeta. E-mail: margareth@gazetadigital.com.br
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