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FIQUE ATENTO AOS SINAIS 29.05.2021 | 18h56

Abuso infantil gera traumas que afetam vida adulta das vítimas

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Luiz Leite

Luiz Leite

O Maio Laranja chama a atenção da sociedade para o combate ao abuso e a exploração infantil. Os números são alarmantes e a violência muitas vezes acontece dentro de casa. É preciso estar atento aos sinais para identificar crimes sexuais contra os pequenos. Quem pratica violência contra criança e adolescente também tem alguns traços de perfil, que devem ser reparados com cuidado. O abuso não gera traumas apenas na infância, ela deixa marcas que impactam na vida adulta e prejudicam várias áreas.

 

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psicologa cleiri souza

 Psicóloga Cleiri Souza

A psicóloga Cleiri Souza explica que não há estudos que indiquem as idades em que os abusos mais ocorrem, contudo, com a experiência em consultório é possível perceber a violência a partir dos 3 anos, quando a criança passa a demonstrar comportamento atípico e até relatar o que ocorre com elas.


Ela relata que vários fatores podem indicar os crimes, e os pais ou cuidadores devem reparar nas mudanças físicas e comportamentais que indiquem que algo não está certo com meninos e meninas. Alguns pontos físicos são inchaço na região genital, manchas ou rasgos nas peças íntimas, dificuldade para andar ou sentar, infecção urinária, coceira e queimação.


Há também sinais comportamentais que merecem ser investigados, como pesadelos frequentes, de uma hora para outra não quer mais ir para a escola, desenvolve medos, xixi na cama, agressividade, pedir mamadeira e chupar dedo novamente.

 

Tristeza e depressão também são sintomas de que algo mudou, assim como não querer mais tomar banho e trocar de roupa.


“É preciso tentar uma conversa. Com certeza a mudança brusca no comportamento de uma criança é sinal de algum evento traumático que possa ter ocorrido há dias. Pode ter ocorrido há mais tempo também e demorou a manifestar”, pontua a profissional.


Além de denunciar à polícia a violência identificada, é preciso que a criança vítima seja amparada, acolhida e receba afeto para restabelecer a confiança. Um acompanhamento psicológico especializado é o mais indicado para tratar o trauma e minimizar os danos que possam reverberar por toda a vida. A violência sofrida jamais é esquecida. Como um mecanismo de sobrevivência, como explica Cleiri, o fato pode ser empurrado para o subconsciente, mas as marcas permanecem no corpo e na mente, mesmo que de forma não consciente.


“As consequências são enormes. É possível o desenvolvimento de medos, a autoconfiança e autoestima são abaladas. Até a vida sexual pode ser disfuncional. Trazer a criança abusada para o papel de abusador. O trauma do abuso na infância reverbera na vida adulta e atinge todos os níveis. Por isso é necessário o tratamento desses traumas ainda na infância para que sejam resignificados e não levem impacto para a vida adulta”, destaca a psicóloga.


Além das consequências citadas, a profissional destaca pensamentos suicidas, depressão, ansiedade e insegurança, comportamentos que afetam totalmente as relações.

 

Reprodução

psiquiatra paola ferrer

 Psiquiatria Paola Ferrer

A médica psiquiatra Paola Ferrer explica que é preciso diferenciar o pedófilo do abusador infantil. A pedofilia é um transtorno mental, chamado transtorno pedofílico, que se classifica entre os distúrbios sexuais. É caracterizado por desejos, fantasias, impulsos sexuais e comportamentos intensos e recorrentes voltados para crianças antes da puberdade, em geral com 13 anos ou menos. É importante entender a pedofilia enquanto doença mental, o portador do transtorno pedofílico não tem controle sobre seus desejos e, os impulsos sexuais causam sofrimento intenso ou dificuldades para o indivíduo. Nem todo pedófilo chega a abusar de menores.


O abusador pode ou não ter o transtorno. Estudos apontam que cerca de 50% de todos os indivíduos que abusam sexualmente de crianças são pedófilos e a outra metade eu pratica o crime não tem qualquer distúrbio além da perversão.


De acordo com a médica, é muito difícil identificar o estuprador. Ele não tem um perfil especial que chame atenção. Geralmente são pessoas persuasivas, que conquistam a confiança da criança e da família. Se mostra solícito e disposto a ajudar.


“Buscam a confiança da família e se colocam em uma posição onde possam interagir com a criança de forma não supervisionada. Isso, é claro, quando não estão dentro de casa. Vale ressaltar que em sua grande maioria o abusador é alguém próximo da criança, em muitos casos é um familiar ou o próprio provedor da família”, explica Paola.


Para a psiquiatra, além de todo o dano causado na vida da vítima, um dos grandes obstáculos enfrentados é tirar da criança o sentimento de culpa pelo que aconteceu.


“A pedofilia e o abuso infantil são um dos grandes obstáculos enfrentados pela psiquiatria e um dos motivos é a proximidade do abusador, a ausência de testemunhas e a insuficiência de provas, uma vez que as vítimas não têm a percepção do que é um abuso”, comenta.


Números da violência
Balanço da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) aponta que em 2019 foram registradas 11.480 ocorrências envolvendo vítimas menores de 18 anos. Ao todo são tipificados 31 crimes, desse total, 16 são relacionados ao abuso e à violência sexual, que somam 2.345 boletins de ocorrência. Entre eles estupro de vulnerável (1.450 casos), estupro (293), importunação sexual (102), e divulgação de imagens de pornografia infantil (36). Os dados foram divulgados pelo Tribunal de Justiça (TJMT), durante campanha de combate ao abuso infantil.


Em 2020, os registros tiveram redução e somaram 9.031 boletins em 12 meses, sendo 1.847 casos de cunho sexual praticando contra pessoas de até 17 anos.


Os números podem ser ainda maiores, considerando que nem todo crime é denunciado e também a pandemia inibiu registros, assim como outros crimes.


Denuncie

Acusações de abuso infantil podem ser feitas pelo Disque 100, Polícia Militar 190, Polícia Civil 197/181, pelo aplicativo SOS Infância e Ministério Público Estadual 127. As ligações são gratuitas.

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