DENÚNCIAS DE MAUS-TRATOS 14.08.2021 | 13h10

khayo@gazetadigital.com.br
Luiz Leite
Dois meses após anunciar a possibilidade de transferência de capivaras de parques públicos devido a casos de maus-tratos, a prefeitura de Cuiabá segue analisando junto à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) qual medida será tomada para solucionar os casos de violência contra os animais.
Conforme informado pela prefeitura no início de junho deste ano, o Executivo municipal recebeu diversas denúncias de maus-tratos às capivaras, inclusos casos de atropelamento e registros de mortes por falta de alimentos.
À época, a prefeitura anunciou que havia solicitado um estudo à UFMT para verificar quais medidas poderiam ser adotadas para resguardar a segurança das capivaras, dentre elas a possibilidade de manejo dos mamíferos do local.
Contudo, nenhuma resolução prática do estudo foi adotada até o momento. À reportagem, a prefeitura informou que mais de 10 placas foram instaladas em diversos pontos das cidades com grande circulação de capivaras para prevenir atropelamentos.
Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano e Sustentável, uma das ações avaliadas quanto à situação das capivaras diz respeito à possibilidade de castração dos machos, mas também há uma discussão em torno de uma eventual limitação do território de pastagem.
Além da Universidade, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente também foi acionada para participar do estudo de manejo. Ao portal, a pasta informou que chegou a participar de uma visita técnica com biólogos da UFMT em julho, mas que não recebeu nenhum requerimento da prefeitura em torno da transferência dos animais.
"Até o presente momento não obtivemos nenhuma resposta da Secretária de Meio Ambiente municipal. Esclarecemos ainda que atualmente, as capivaras estão dentro de empreendimento licenciado pela Secretaria de Meio Ambiente do município", apontou a Sema.
Considerada o maior roedor das Américas, a capivara se consolidou como dos símbolos do estado. Nas redes sociais, vídeos destes animais viralizam e rapidamente ganham o carisma do público.
Símbolo de família
A presença destes animais em perímetro urbano e seu comportamento familiar são características que somam à imagem pacífica das capivaras. À reportagem, a médica veterinária e professora da UFMT campus Sinop, Elaine Dione Benega da Conceição, explicou quais são os hábitos deste mamífero.
"Elas apresentam cuidados muito parentais. Tanto os machos quanto as fêmeas cuidam dos filhotes. Os filhotes mais velhos e os adultos mais jovens também cuidam dos filhotes", disse.
A doutora apontou ainda que esses animais são importantes indicadores ambientais, uma vez que podem ser reservatórios de várias doenças.
Segundo Elaine Dione, as capivaras podem conter várias doenças, mas não as transmitem. Assim, quando um espécime morre, a análise do seu corpo pode revelar algum tipo de anomalia ambiental ou ainda patologia.
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