'não tenho 5 minutos para você' 24.02.2026 | 14h48

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Vicente Aquino/ Montagem GD
Duas pacientes denunciam episódios de violência verbal, desorganização e negativa de atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), do bairro Jardim Leblon, em Cuiabá. O relato aponta uma série de irregularidades que teriam ocorrido entre a tarde e a noite da última sexta-feira (20), envolvendo desde a recepção até a farmácia da unidade. Uma das servidoras teria dito à uma das mulheres que estava "perdendo tempo" falando com ela.
De acordo com as denunciantes, o problema começou logo na chegada, por volta das 15h. Uma funcionária da secretaria teria condicionado o atendimento e a realização de exames à apresentação do cartão físico do Sistema Único de Saúde (SUS). Contudo, a versão física não é requisito para consulta.
A exigência contraria a Portaria nº 940/2011 do Ministério da Saúde, que garante o atendimento universal, especialmente em casos de urgência, permitindo que o cadastro seja feito no ato. Apesar da norma, uma das mulheres afirma que a enfermeira se recusou a realizar a coleta de sangue até que o documento físico fosse apresentado.
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O cenário descrito pelas denunciantes é de abandono: painéis de chamada quebrados e ambiente insalubre. Uma das pacientes relatou que o médico responsável não realizou um exame clínico adequado, prescrevendo medicação e dando alta sem sequer fazer perguntas básicas sobre os sintomas.
"Precisei insistir para que ele pedisse um raio-X e exame de sangue, já que eu estava passando mal há 15 dias", afirmou. O processo completo, entre triagem e consulta, durou cerca de sete horas, período em que presenciaram idosos e mães com crianças de colo sendo tratados com rispidez pela equipe.
O episódio mais crítico, segundo relato das pacientes, ocorreu na farmácia da UPA, que funciona 24 horas. Ao tentarem retirar a medicação prescrita pelo próprio médico da unidade, as mulheres tiveram o acesso negado. Uma farmacêutica, teria dito que a prioridade eram os pacientes internados e que não pararia o serviço para atendê-las.
"Estou perdendo tempo falando com você, eu não tenho nem cinco minutos para você", teria dito a profissional diante dos pedidos das pacientes.
Outra funcionária interveio, justificando o mau atendimento devido à sobrecarga de trabalho: "Ninguém gosta de trabalhar sobrecarregado, por isso que está desse jeito", alegou.
As pacientes buscaram a Secretaria Geral da UPA, mas a responsável não resolveu o impasse e teria impedido ser gravada. Ao retornarem à farmácia em outro plantão, a hostilidade continuou.
O farmacêutico da noite sugeriu que elas procurassem um posto de saúde, porém, as jovens foram ao local encaminhadas pelo posto de saúde do Despraiado por falta de médicos. "Então pede para o médico vir aqui buscar, já que ele sabe tanto. Se eu não fizer a medicação de todos os internos, eu não janto". Ao ser confrontado sobre a responsabilidade do cargo, ele finalizou: "Isso é problema seu".
Outro lado
Procurada, a Prefeitura de Cuiabá encaminhou a seguinte nota:
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), informa que recebeu a reclamação de uma paciente referente ao atendimento realizado no último sábado (21), na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Leblon.
A Secretaria esclarece que todas as manifestações encaminhadas pela população são tratadas com seriedade e responsabilidade. Diante do relato, serão adotadas as providências cabíveis para a devida apuração dos fatos, conforme os protocolos internos e a legislação vigente, garantindo o direito à ampla análise e às medidas necessárias.
A Prefeitura de Cuiabá e a Secretaria Municipal de Saúde reforçam que não compactuam com qualquer forma de agressão, desrespeito ou falta de seriedade, seja contra pacientes ou colaboradores da rede municipal de saúde. O compromisso da gestão é com um atendimento ético e respeitoso, pautado na valorização da vida e na dignidade das pessoas.
Por fim, a SMS reitera que permanece à disposição da população para receber denúncias, sugestões e reclamações, entendendo que a participação do cidadão é fundamental para o aprimoramento contínuo dos serviços de saúde oferecidos no município.
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