Publicidade

Cuiabá, Quinta-feira 22/10/2020

Cidades - A | + A

mercado escasso 16.02.2020 | 14h00

Bancas se reinventam numa Cuiabá que lê cada vez menos

Facebook Print google plus

Chico Ferreira

Chico Ferreira

Revistaria / Banca de Jornal e Revistas / Vendas / Procura de Revista e Jornal

Acordar cedo, tomar um café e ir à banca mais próxima ler as notícias. Por décadas, essa foi uma rotina comum a muitos cuiabanos, que até mesmo marcavam o local como ponto de encontro. Contudo, com a ascensão da internet e redes sociais, as bancas e revistarias se tornaram um fio de memória nostálgica em um futuro incerto.

 

Poucas ainda resistem em Cuiabá – em torno de dez, para ser mais preciso. Muitas se desprenderam do negócio de vender jornais e revistas e viraram pontos aleatórios, como a banca da praça Rachid Jaudy, que atualmente vende salgados e sucos.

 

Desaparecendo lentamente como as palavras de um livro gasto, alguns donos de bancas negaram conceder entrevistas. “Se eu vendesse pinga, certamente venderia mais”, disse um comerciante, que não quis ser identificado. “O pessoal só quer saber de bar. Que vão ao bar e continuem burros”, lamenta.

 

Leia também - Vídeos com 'desafio da rasteira' viralizam nas redes sociais

 

Como parte do cenário cuiabano, a Banca Magalhães, que fica ao lado do Choppão, está permanentemente fechada. O comércio recebeu uma notificação da prefeitura em outubro, para que fosse transferida para a Praça 8 de Abril. No entanto, ainda não receberam um posicionamento de quando poderão mudar.

Chico Ferreira

Banca de Revista e Jornal

Revistaria / Banca de Jornal e Revistas / Vendas / Procura de Revista e Jornal

O ponto, anteriormente Banca Lina, se instalou ali antes mesmo do Choppão, no início da década de 70. Seu antigo dono, Sebastião Gregório, também é dono da Revistaria Gregório, ao lado da Prefeitura de Cuiabá. A reportagem tentou contato com a mais antiga revistaria cuiabana, mas não obteve sucesso.

 

A frente da banca desde 2017, Lorhainy Magalhães explica que o avô comprou o local para aproveitar o descanso da terceira idade e também porque gosta muito de ler. “Aquela banca, por ser uma das maiores e mais completas de Cuiabá, tinha muita informação. Era uma das poucas que fornecia a Folha de São Paulo, Le Monde, a Revista Piauí”, comenta.

 

Nesses três anos, Lorhainy pode observar como funciona a movimentação das vendas, ainda mais na época do auge da internet. São os clientes fiéis e que ainda não se renderam a tecnologia que frequentam o lugar.

 

“Pra falar a verdade, a venda da banca está caindo bastante por conta da tecnologia e internet. Quem compra mais são os clientes fiéis, que gostam bastante do contato físico, com o jornal e revista. As escolas ajudam bastante, porque exigem gibis, aqueles trabalhos de cortar revista”, comenta.

 

Ela aponta ainda que o público da Banca Magalhães em sua maioria está na faixa dos 40 a 80 anos. Porém, muitos adolescentes também procuram o lugar, principalmente estudantes. Os homens costumam ler mais jornais e revistas de política, como Veja e IstoÉ. Já as mulheres representam a clientela mais diversa: leem muitas revistas voltadas para as ciências humanas, filosofia e psicanálise.

 

As vendas

 

Chico Ferreira

Banca de Revista e Jornal

Revistaria / Banca de Jornal e Revistas / Vendas / Procura de Revista e Jornal

A comerciante também analisa que o ápice de venda é durante a Copa do Mundo, por conta dos famosos álbuns de figurinhas, procurado pela meninada e fanáticos, além de colecionadores. Porém, o auge só retorna depois de quatro anos.

 

Outra época boa para os jornaleiros é quando os jornais soltam matérias inéditas. “Principalmente a que mais vende, quando tem noticias quentes, é a Veja e IstoÉ, as mais polêmicas quando o tema é política. Às vezes vendia 40 Vejas num só dia ou todos os jornais. Falou de Lula então e Bolsonaro, não sobra uma!”, ri.

 

O início e começo do ano também são momentos de júbilo para as bancas, porque é quando saem as tabelas de jogos e campeonatos. No fim de ano, muitos compram pôsteres dos campeões. “Outra coisa que também vende bastante é revista infantil. Por incrível que pareça, ainda tem criança que gosta de riscar”.

 

Mudança de tempos

 

As próprias publicações também começaram a sucumbir diante dos novos tempos. Revistas de informática e instrumentos musicais, simplesmente desapareceram das prateleiras. A jornaleira comenta que, curiosamente, as revistas de fofoca também deram uma “minguada”. A Contigo, por exemplo, só publica na internet atualmente.

 

Embora frequentada por alunos, Lorhainy revela que publicações voltadas ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) diminuíram de um ano pra cá. No entanto, os hit makers das bancas ainda são as famigeradas palavras-cruzadas.
“Quando entrei, tinha bastante revista relacionada a aprender tocar violão, vinha até com CD. Mas uma coisa que vende bastante e às vezes faz falta são as revistas de palavra-cruzada. E é todo mundo que compra, viu? Tem bastante adolescente, inclusive é recomendação médica”, aconselha.

 

Resistência

 

Lorhainy admite também que a própria distribuidora deu um empurrãozinho para aumentar as vendas da banca, como diversificar o comércio em doces e bebidas não alcoólicas. Algumas até mesmo vendem comida, o que atrai crianças e adultos. Um exemplo é a Banca Bianca, próxima ao cachorro-quente do Zé Dog, na Praça Clóvis Cardoso. Quem senta ali, certamente dá uma espiada nas notícias.

 

Ao passo que capitais como São Paulo e Rio de Janeiro tem uma banca em cada esquina – ainda que a população seja maior -, Lorhainy lamenta a perda do hábito do cuiabano de frequentar bancas. Ela conta que já ouviu clientes dizerem que nunca haviam pisado em uma.

 

“Me entristece saber que aqui em Cuiabá as bancas não são tão reconhecidas como em outros lugares, como São Paulo, Curitiba. Mas eu espero que as que fiquem, permaneçam. Pra que não acabe de vez, porque é importante a gente ter uma banca, um local que você tem livros, até porque incentiva as pessoas”, conta com uma tristeza na voz.

 

Ela ainda chama atenção para um hábito que vem se perdendo aos poucos: pais e filhos comprarem publicações juntos. “Às vezes você vem um vô ou um pai comprando, pergunta o que é, leva um e gosta. Principalmente gibi, que é quando a gente realmente aprende a ler”.

Galeria de fotos

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Enquete

Como você avalia a ausência de um candidato convidado para debater com adversários?

Parcial

Edição digital

Quinta-feira, 22/10/2020

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem

Publicidade

btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 57,50 1,77%

Algodão R$ 118,67 3,64%

Boi a Vista R$ 242,24 0,00%

Soja Disponível R$ 156,30 0,35%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

Publicidade

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados, Gráfica Millenium e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2020 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.