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corridas canceladas 21.03.2026 | 10h23

Cadeirante acusa desafios no uso de aplicativo de transporte

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Atualizada em 23/04/2025 

Antes mesmo da popularização dos aplicativos, já era comum enfrentar resistência de motoristas. A publicitária Vitória Carneiro, 24, relata que as dificuldades de acesso ao transporte fazem parte de sua rotina há anos. Cadeirante, ela conta que os obstáculos enfrentados atualmente com plataformas de mobilidade repetem problemas antigos, já vividos na época em que dependia de táxis e do transporte público e ao solicitar corridas com antecedência de horas e, mesmo assim, encarar cancelamentos frequentes.

 

No transporte coletivo, a situação também era desafiadora. “Eu e minha mãe já esperamos por muito tempo no ponto e, quando o ônibus chegava, o motorista informava que a rampa estava com defeito, impedindo o embarque”, relembra.

 

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Com a chegada das plataformas de transporte por aplicativo, a expectativa era de melhora na locomoção. No entanto, de acordo com ela, as dificuldades persistem e, em alguns casos, se intensificaram.

 

Para tentar reduzir os transtornos, ela passou a enviar uma mensagem padrão aos motoristas informando que é cadeirante assim que a corrida é aceita. Ainda assim, afirma que há cancelamentos após o aviso ou situações em que o motorista se desloca até o local apenas para questionar a condição.

 

“Recentemente, um motorista leu a mensagem e foi até o hospital onde eu estava só para abordar o assunto”, relata.

 

Diante da recorrência dos episódios, Vitória afirma que tem buscado seus direitos e já registrou reclamações formais junto à uma das plataformas. Ela destaca que se trata de uma questão de acessibilidade e de garantia do direito à mobilidade. Apesar dos registros, não houve mudanças significativas na prática.

 

Em alguns casos recentes, em respostas as suas reclamações, a plataforma Uber afirmou que os motoristas são profissionais independentes e que não tem controle direto sobre suas ações, mas reforçou que trabalha para promover mais inclusão e combater a discriminação. A empresa destacou ainda que criou um guia para orientar condutas respeitosas e ofereceu à reclamante apoio psicológico por meio de parceria com o MeToo Brasil.

 

Procurada, a Associação dos Guerreiros, de motoristas de aplicativo, não quis se pronunciar oficialmente sobre o tema. Porém motoristas ouvidos pela reportagem apontam desafios operacionais. Segundo eles, nem todos os veículos possuem espaço adequado para o transporte de cadeiras de rodas, especialmente no porta-malas, e cada passageiro demanda um tipo específico de embarque e desembarque. Também mencionam a falta de preparo de alguns condutores para auxiliar corretamente no manejo da cadeira de rodas.

 

Para Vitória, no entanto, a medida não resolve o problema principal e ressalta que o problema vai além dos cancelamentos.

 

“O essencial é garantir que pessoas com deficiência consigam utilizar o serviço sem discriminação, com a mesma segurança e previsibilidade que qualquer outro usuário. O problema não é apenas o cancelamento das corridas em si; é um reflexo de uma questão maior relacionada à acessibilidade nas cidades”, afirma.

 

Entre os desafios citados estão calçadas irregulares, transporte público inadequado e estabelecimentos sem estrutura para receber pessoas com mobilidade reduzida. “Isso transmite a sensação de que não fomos considerados no planejamento desses espaços”, desabafa.

 

Vitória também afirma conhecer outras pessoas com deficiência que enfrentam dificuldades semelhantes, tanto com aplicativos quanto em outras situações do cotidiano. Para ela, não se trata de um caso isolado, mas de uma realidade que ainda afeta muitas pessoas.

 

Apesar das justificativas, Vitória reforça que a responsabilidade de garantir acessibilidade não pode recair apenas sobre o usuário. “Não é só sobre uma corrida cancelada, é sobre o direito básico de ir e vir”, conclui.

 

A equipe de reportagem entrou em contato com a Uber, que se pronunciou na segunda-feira (23) sobre as medidas adotadas pela plataforma em casos como esse. 

 

A Uber não tolera qualquer forma de discriminação em viagens pelo aplicativo. Temos como política que os motoristas parceiros cumpram a legislação que rege o transporte de pessoas com deficiência. Em parceria com o MeToo Brasil, a Uber conta com um canal de suporte psicológico, que foi disponibilizado para a usuária.

 

Nos casos em que usuários sentirem que o tratamento dado pelo parceiro não foi respeitoso, ou que desrespeitou os termos da lei, ressaltamos sempre a importância de reportarem esses incidentes à Uber, para que possamos tomar as medidas necessárias. Conforme explicitado no Código da Comunidade, casos comprovados de motoristas que adotem conduta discriminatória podem levar à perda de acesso à plataforma.

 

A Uber tem o compromisso de promover respeito, igualdade e inclusão para todas as pessoas que utilizam o nosso app. Neste sentido, a plataforma fornece diversos materiais educativos a motoristas parceiros sobre como tratar cada usuário com cordialidade e respeito e possui um guia de acessibilidade que tem como objetivo apoiar os parceiros com informações sobre como ter interações positivas e respeitosas com usuários que têm alguma deficiência. A Uber inclusive abordou o tema no quinto episódio do Uber Cast.

 

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