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Cuiabá, Domingo 30/08/2026

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SAÚDE E ESPORTE 30.08.2026 | 17h00

Corrida conquista cuiabanos e vira estilo de vida saudável

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Chris Oliveira

redacao@gazetadigital

Shutterstock / Alto Astral

Shutterstock / Alto Astral

As ruas foram tomadas por uma nova tendência urbana de esporte. Com histórias motivacionais, corredores mostram como a prática esportiva pode transformar a rotina, a mente e o corpo. Em paralelo, diante da crescente em corridas de rua, especialista alerta para cuidados antes de calçar o tênis.

 

Para alguns, começa com uma caminhada, para outros, com o convite de um amigo ou a vontade de acompanhar os colegas de trabalho. Aos poucos, os primeiros quilômetros deixam de parecer um desafio impossível e passam a fazer parte da rotina. Em Cuiabá, onde o calor impõe ainda mais desafios para quem escolhe correr ao ar livre, a corrida tem conquistado espaço não apenas como esporte, mas também como uma forma de cuidar da saúde e da própria mente.

 

Ian Christian

corredor Ian Christian

 

Foi assim que o supervisor de produção, Ian Christian Nascimento, 25 anos, descobriu a corrida. Incentivado por colegas que participavam de um grupo ligado ao Sesi Mato Grosso, ele encarou sua primeira prova em 2023, a tradicional Corrida de Reis, com um percurso de 10 quilômetros.

 

O que começou como uma experiência acabou virando uma meta pessoal. Depois dos primeiros 5 km e da evolução para os 10 km, Ian agora se prepara para distâncias maiores e carrega um sonho: completar uma maratona. “Hoje a corrida representa algo como um crescimento pessoal”, diz Ian Christian.

 

A mudança também chegou à rotina. Os treinos passaram a ocupar espaço na agenda e a preparação física virou parte do compromisso com o próprio bem-estar, só neste ano, Ian já participou de seis corridas e pretende manter a regularidade até o fim de 2026.

 

Entre tantas provas, uma experiência ficou marcada: uma corrida noturna realizada no Parque Novo Mato Grosso. Sem conhecer bem o percurso e ainda com pouca experiência, ele precisou lidar com a insegurança de correr à noite em um trajeto desconhecido. Mas nem só de desafios são feitas as lembranças. Ian também já sentiu o gosto de subir ao pódio. Em uma das provas, terminou em terceiro lugar como corredor do Sesi, levando para casa medalha e troféu, cada quilômetro também representa persistência.

 

“É algo muito importante quando a gente tem certos objetivos, principalmente voltados à saúde”, afirma Ian Christian.

 

Leia também - Procissão das Almas; lenda que atravessa gerações e ainda assombra Mato Grosso

 

Uma história que começou há 12 anos

Se para Ian a corrida ainda é uma descoberta, para Aloecil Itamar de Lima, a história já dura 12 anos.

                                                                                                                                                                                         

Aloecil Itamar de Lima

corredor Aloecil Itamar de Lima.

 

Hoje na categoria 60+, o técnico em operação de sistema de exibição em televisão começou a correr depois de ouvir uma palavra de incentivo de uma amiga. A primeira prova veio em janeiro de 2014, em Cuiabá. E logo de cara surgiu um desafio: o percurso tinha 10 quilômetros, mas Aloecil havia conseguido treinar apenas 7 km.

 

A insegurança sobre conseguir completar a prova existia, mesmo assim, ele seguiu. A alegria veio ao cruzar a linha de chegada sem precisar parar ou caminhar.

 

Desde então, a corrida deixou de ser apenas uma atividade física e passou a ocupar um lugar diferente em sua vida. “A corrida representa um compromisso prioritário comigo mesmo, se tornou um estilo de vida”, fala  Aloecil Itamar.

 

A transformação foi ainda maior porque, antes de começar, Aloecil levava uma vida sedentária. Hoje, a rotina inclui treinos, fortalecimento muscular e cuidados com a alimentação. E a competição, curiosamente, não é o principal objetivo.

 

“Para mim é uma terapia. Nunca participo com espírito de competição. É um saudável lazer”, diz Aloecil Itamar.

 

Ao longo dos anos, ele também colecionou quilômetros e histórias fora de Mato Grosso. Entre as lembranças, estão uma prova no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, e a Corrida da Virada, realizada em João Pessoa, na Paraíba, em 31 de dezembro de 2025. Mesmo depois de 12 anos, a vontade de correr continua.

 

“Incrível, mas, depois que consegui correr a primeira, nunca pensei em desistir.” Mais do que colocar o corpo em movimento. As histórias de Ian e Aloecil ajudam a explicar por que a corrida pode significar coisas diferentes para cada pessoa. Para uns, é desafio. Para outros, lazer, saúde, socialização ou simplesmente um momento para respirar longe da rotina.

 

Pablo dos Santos

educador fisico Pablo dos Santos

 

Segundo o professor de Educação Física e personal trainer Pablo dos Santos, conhecido como Don Pablo, a modalidade tem justamente essa característica democrática.

 

A corrida não exige uma estrutura complexa para começar e pode ser praticada em diferentes ambientes. Além disso, a sensação de evolução, seja aumentando a distância, melhorando o ritmo ou simplesmente conseguindo correr alguns minutos a mais pode funcionar como um estímulo para continuar.

 

Outro fator é a convivência, grupos de corrida e provas de rua aproximam pessoas com objetivos semelhantes e transformam o exercício em uma experiência também social. Mas, apesar da facilidade de acesso, isso não significa que qualquer pessoa deva sair correndo sem preparação.

 

Para quem está sedentário, Pablo recomenda começar de forma gradual, priorizando atividades como caminhada e fortalecimento muscular antes de aumentar a intensidade.

 

“O segredo para sair do sedentarismo é a consistência: comece devagar, prepare a estrutura do corpo e evolua o ritmo no seu tempo”, orienta personal trainer Pablo dos Santos.

 

O perigo de querer acelerar demais

Um dos erros mais comuns de quem começa, segundo Pablo, é querer recuperar em poucos dias o tempo em que ficou parado. A vontade de treinar todos os dias, aumentar rapidamente a distância ou ignorar o descanso pode acabar produzindo justamente o efeito contrário: dores, lesões, cansaço e até abandono da atividade.

 

Para Pablo, o mais importante não é começar no ritmo máximo, mas conseguir manter uma rotina sustentável. O descanso também faz parte do treinamento. É durante a recuperação que o organismo se adapta aos estímulos do exercício e se prepara para novos esforços.

 

Por isso, sinais como queda de rendimento, dores persistentes, fadiga excessiva, alterações no sono e perda de motivação não devem ser ignorados.

 

Entre o calor e a corrida

Em Cuiabá, existe ainda um personagem que todo corredor conhece bem: o calor.

 

As altas temperaturas tornam a prática ao ar livre mais exigente e exigem atenção especial à hidratação, aos horários e à exposição ao sol. O educador físico recomenda priorizar os períodos mais frescos do dia, principalmente o início da manhã ou a noite, além de manter a hidratação antes, durante e depois dos treinos.

 

A escolha das roupas também pode ajudar. Peças leves e confortáveis, além do uso de protetor solar, boné ou viseira e óculos com proteção UV, são aliadas para quem corre ao ar livre.

 

E o principal: ouvir o próprio corpo.

Tontura, dor de cabeça, náusea e mal-estar são sinais para interromper a atividade e procurar um local fresco. Cada um tem seu próprio ponto de chegada.

 

Não existe uma distância única capaz de definir um corredor. Para Ian, o próximo objetivo é chegar cada vez mais longe e, quem sabe, cruzar a linha de chegada de uma maratona. Para Aloecil, cada prova representa mais um momento de lazer, saúde e uma história para guardar.

 

Entre os dois, existe uma diferença de décadas, mas também uma semelhança: ambos encontraram na corrida uma maneira de se desafiar e cuidar de si.

 

No fim, talvez seja justamente isso que faça tanta gente continuar colocando o tênis, acordando cedo ou enfrentando o calor para correr alguns quilômetros. Porque, para quem está na rua correndo, a linha de chegada pode até ser o destino. Mas o verdadeiro ganho acontece muito antes dela.

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