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‘SEQUER ME TORNEI RÉ’ 26.08.2026 | 17h28

Ex-secretária depõe na CPI da Saúde e afirma que acusações já foram esclarecidas na Justiça

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Laisa Stofel e Aparecido Carmo

redacao@gazetadigital

Reprodução

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A ex-secretária adjunta estadual de Saúde, Caroline Campos Dobes, prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde na Assembleia Legislativa do Estado (ALMT) e reforçou que todas as dúvidas sobre sua gestão já foram esclarecidas na esfera judicial. Logo após a oitiva, Caroline destacou que sua atuação à frente da pasta sempre esteve amparada pela legalidade e por decisões da Justiça que a isentaram de responsabilidades criminais.

 

“Nenhum ato de autoridade, num processo tão sensível como esse, pode ser considerado desnecessário. Inclusive, eu até agradeci na CPI a oportunidade de ter, num momento técnico, sóbrio, democrático, podido trazer tudo o que aconteceu, que não havia sido divulgado ainda da forma como precisa ser divulgado”, declarou à imprensa em coletiva nesta quarta-feira (26).

 

Leia também - Oitiva de ex-secretário é remarcada para semana que vem na CPI da Saúde

 

Sobre o papel dos parlamentares nas investigações, a ex-secretária avaliou a atuação da comissão como um dever constitucional e reafirmou sua serenidade em relação às apurações.

 

“Eles estão cumprindo com o papel para o qual eles foram eleitos e eles continuam trabalhando dentro daquilo, da competência deles, daquilo que se espera deles”, afirmou.

 

Mesmo amparada por decisões anteriores que a excluíram do rol de investigados, a ex-gestora fez questão de responder aos questionamentos da CPI para defender seu legado à frente da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e desmistificar rótulos pejorativos.

 

“Mesmo tendo uma decisão que já me excluiu dessa investigação, eu sequer me tornei ré. Eu apresentei provas perante o Poder Judiciário na sétima vara criminal com o juiz Jean. Eu fui excluída do rol de réu. Nunca cheguei a responder por isso. As provas foram julgadas e considerou-se que eu não fazia parte disso. E, mesmo perante a Justiça Federal, também o juiz não quis receber denúncia alguma contra mim”, pontuou.

 

Ainda, Caroline desabafou sobre o impacto das acusações em sua vida pessoal e profissional, defendendo as ações implementadas durante a crise sanitária.

 

“Não sou a ‘mulher da SES’ de forma pejorativa, como divulgam. Os trabalhos que eu fiz sempre foram em favor da sociedade. Aquele centro de triagem, no qual, durante a pandemia, todos vocês puderam ser atendidos com carinho, com humanidade, foi um projeto da minha autoria como secretária. Eu estava ali para atender a população. Não sou a mulher da SES de forma pejorativa. Se eu sou uma mulher da SES, eu sou uma mulher que trabalha e que tirou grandes projetos assistenciais para salvar a população de Mato Grosso num momento crítico da pandemia”, desabafou.

 

Com a depoente desgastada pelos questionamentos e processo de exposição pública, a ex-secretária pediu a compreensão dos jornalistas quanto ao seu estado emocional e físico.

 

“Eu estou de verdade esgotada. Faz muitos anos que eu estou sendo submetida a um processo de julgamento popular e sendo massacrada na minha imagem, na minha vida, sem nada eu ter a ver com isso. E eu estava aguardando um momento oportuno, correto e adequado para que eu pudesse me manifestar documentalmente, como sempre foi a minha posição profissional. Apresentar as coisas como têm que ser, sem ser leviana, sem acusar ninguém”, esclareceu.

 

Além disso, Carolina comentou que foram respondidas cerca de 70 questões sobre sua gestão e que, por conta da pressão, tem passado “noites em claro”. Concluindo que seu advogado está aberto aos questionamentos da imprensa para atender às demandas da sociedade, mesmo que ela se encontre “no limite”.

 

“Acho que vocês vão ter acesso a tudo o que foi respondido. [...] Eu peço que vocês me respeitem, que na próxima oportunidade a gente responde mais”, finalizou a ex-secretária.

 

CPI da Saúde  

A CPI da Saúde, presidida pelo deputado Wilson Santos (PSD) na ALMT, investiga uma série de supostas fraudes, desvios de recursos e irregularidades em contratos firmados pela SES entre os anos de 2019 e 2025. O foco dos trabalhos inclui a apuração de dispensas ilícitas de licitação durante o período da pandemia, pagamentos indenizatórios suspeitos e esquemas de corrupção em hospitais regionais do Estado, além de uma denúncia recente envolvendo um suposto ataque hacker que teria gerado um prejuízo de R$ 500 milhões aos cofres públicos.

 

Dando continuidade às investigações com foco nos agentes públicos, os deputados membros da comissão receberão, na próxima quarta-feira (02), o depoimento do ex-secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo. A oitiva, que havia sido adiada anteriormente devido ao período eleitoral, é considerada um dos passos mais importantes desta fase da CPI, com a expectativa de que o ex-gestor preste esclarecimentos sobre as decisões administrativas e os contratos assinados durante a sua permanência no comando da pasta.

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