CUIABÁ 307 ANOS 08.04.2026 | 10h00

fred.moraes@gazetadigital.com.br
Fred Moraes/ GD
Nas festas em família, confraternizações do trabalho, bares e shows regionais, uma coisa é unanimidade: tem que tocar o Lambadão. O ritmo que há pelo menos 35 anos embala gerações e atravessa bairros inteiros com as batidas marcantes é um dos principais símbolos culturais de Cuiabá.
Na cobertura especial do Gazeta Digital no aniversário da Capital, não tinha como deixar esse patrimônio popular de fora, afinal, em cada esquina sempre tem algum aparelho eletrônico “soltando o som” e colocando todo mundo para dançar.
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O lambadão é mais do que música: é identidade, resistência e expressão artística do povo mato-grossense. Nascido no interior do estado, especialmente em cidades como Poconé e Rosário Oeste, o estilo surgiu da mistura da lambada trazida por garimpeiros paraenses com o rasqueado cuiabano e influências do carimbó, formando a sonoridade única que se tornou marca registrada das noites e dos eventos populares em Mato Grosso.
O movimento ganhou força entre as décadas de 1980 e 1990, impulsionado pela criatividade dos músicos locais e também pelo apoio da mídia regional, que ajudou a espalhar o ritmo por todo o estado. Ao longo dos anos, o lambadão se consolidou como trilha sonora da periferia, dos bailes, das feiras e dos encontros familiares, sempre carregando consigo um sentimento de pertencimento e orgulho cultural.
Entre os nomes que marcaram época está Chico Gil, considerado o Rei do Lambadão, eternizado com o sucesso “Ei Amigo”, além de bandas tradicionais como Estrela Dalva, Os Maninhos, Signus, Scort Som e Stillus Pop Som, que ajudaram a construir a história do gênero e transformaram o ritmo em um verdadeiro fenômeno popular.
O reconhecimento oficial veio em 2019, com a sanção da Lei nº 10.809, que declarou o lambadão como movimento cultural e musical de caráter popular em Mato Grosso, uma conquista importante para artistas, produtores e apaixonados pelo estilo, que durante anos mantiveram viva a tradição mesmo sem incentivo formal.
E se tem um lugar que sempre deu espaço para o lambadão foi o Grupo Gazeta de Comunicação. Desde os anos 1990, era comum ver diversas bandas como Erre Som, Real Som, Estrela Dalva, Os Maninhos e o próprio Chico Gil se apresentarem no “Revista da Manhã”, programa que marcou época na grade matinal da emissora.
O tradicional quadro “Sexta Musical” também abriu as portas para inúmeros artistas e grupos, além de promover concursos culturais voltados para as danças do lambadão, reforçando o ritmo como símbolo da cuiabania.
Outro destaque foi o “Palco da Gazeta”, que em várias ocasiões transmitiu apresentações que ecoaram o som do lambadão para todo o estado, fortalecendo ainda mais a ligação entre o ritmo e a população.
A tradição continua firme até hoje. Há cinco anos, a TV Vila Real leva ao ar todos os sábados o programa “LambaShow na Vila”, apresentado por Edmilson Maciel, que virou vitrine para bandas consagradas e também para novos talentos que surgem na cena cultural.
Para a diretora do programa, Thais Dias, manter o lambadão vivo é uma missão que vai além da televisão. Integrante de uma família que há 70 anos realiza festas de santos, dirigir a atração é como participar dos eventos de dentro de casa.
“Para mim é uma honra muito grande poder dirigir e ajudar manter viva a tradição do lambadão. Não deixamos morrer. Infelizmente a nova geração não sabe a diferença do lambadão, do siriri, do cururu, ritmos nossos. É muito importante participarmos dessa continuidade”, destacou.
Edmilson Maciel reforçou que o programa se tornou uma porta de entrada para a cultura cuiabana, reunindo diversos ritmos tradicionais.
“O LambaShow é a porta de entrada para a nossa cuiabania, aqui recebemos grupos de siriri, cururu, lambadão e tudo mais. Desde o começo, enquanto colaborador do Grupo Gazeta, assisti essa exaltação à nossa cultura, desde o Sexta Musical que eu apresentava até o nosso programa de hoje. Cuiabá é feita de seu povo, sua gente, precisamos sempre preservar nosso passado”, afirmou.
Além da música, a dança também é um dos elementos que mantém o lambadão pulsando em Cuiabá e em Mato Grosso. Um exemplo disso é o grupo Lambadão de Elite, fundado por Vladimir Alves, que há mais de uma década promove a cultura por meio de apresentações e aulas gratuitas.
“O meu grupo funciona há onze anos, eu danço há 24 anos, e eu tenho como objetivo manter vivo nossa cultura. Tanto o rasqueado, como mãe do lambadão como ele. Dou aula gratuita para a comunidade, funciona toda quarta-feira no Parque da Nascente às 20h e às quinta-feira no Museu do Rio. Comecei em 2002 e até hoje levo a cultura, apresentei em canais de TV nacionais e internacional, além dos festivais de danças. Levamos o nome da nossa cidade para o mundo”, contou.
O lambadão segue como trilha sonora oficial da cidade: uma batida que atravessa gerações, une famílias, fortalece tradições e reafirma a essência cultural do povo cuiabano. Afinal, celebrar Cuiabá é também celebrar o ritmo que faz o coração da cidade bater mais forte.
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