O SABOR QUE ATRAVESSA GERAÇÕES 13.09.2026 | 14h50
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colagem/montagem
Doce de leite, doce de mamão e rapadura seguem presentes em festas, encontros, encomendas e lembranças de quem aprendeu a preparar ainda na infância. O ponto do doce não se aprende apenas olhando a receita no papel. Para quem cresceu acompanhando o preparo, ele vem do olhar, da prática e das horas ao lado de quem já sabia exatamente quando tirar a panela do fogo.
Foi assim que Laudelina Peixoto de Oliveira, 80, aprendeu a preparar doces com a mãe, Donata de Oliveira Machado, além da saudade, as receitas que ficaram, o doce de leite e o doce de mamão, são as que mais marcaram sua história em Cuiabá.
Aos poucos, Laudelina foi aprendendo a reconhecer o ponto enquanto ajudava a mãe. A infância tinha mais brincadeira do que preocupação com a receita. “Era divertido, porque gostava de fazer bagunça quando estava aprendendo. Todos os meus irmãos ajudavam, mamãe só ia olhar para ver se estava bom o ponto do doce”, conta Laudelina de Oliveira.
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Os doces apareciam principalmente nas festas de santo, siriri e cururu. Em algumas ocasiões, eram preparados a pedido da própria comunidade e distribuídos como doação.
Décadas depois, a receita continua sendo feita praticamente da mesma maneira. E um dos filhos de Laudelina, Ismael de Oliveira Nascimento, de 47 anos, acabou aprendendo o preparo observando a mãe.
A primeira lembrança dele com o doce vem do sítio dos pais, quando tinha entre oito e nove anos. Mais do que acompanhar o preparo, ele esperava pelo momento de experimentar o resultado. “Tudo muito divertido quando se é criança, principalmente quando termina e podemos saborear”, lembra Ismael de Oliveira.
Ismael diz que aprendeu rápido porque era observador. Não houve mudança na receita desde então, e o doce continuou aparecendo em datas comemorativas e também sendo preparado para pessoas que já conheciam e apreciavam o sabor.
Hoje, o preparo acontece com menos frequência. A produção é destinada ao consumo da própria casa, a conhecidos que fazem pedidos e, algumas vezes, a festas da comunidade. Os filhos de Ismael também já participam.
A história de Laudelina e Ismael é uma das formas pelas quais receitas antigas continuam circulando. Mas não é a única.
Doce que virou renda
Em outra história, o doce de leite também ocupa um lugar especial na vida de Armindo Agostinho de Oliveira, de 55 anos.
O professor Armindo, aprendeu a receita com a própria mãe quando era mais jovem. O preparo acontecia de forma simples e caseira, com os ingredientes disponíveis em casa.
O doce aparecia em reuniões e principalmente quando a família recebia visitas, Armindo lembra também de familiares esperando o preparo ficar pronto e pedindo que ele fizesse novamente.
Assim como aconteceu com Laudelina, o aprendizado veio acompanhado da convivência com a mãe e acabou sendo levado adiante. Hoje, além do consumo, os doces também podem chegar a outras pessoas por meio das vendas.
O doce de leite é comercializado por R$ 25, enquanto a rapadura custa R$ 12. Para encomendar entrar em contato via whatsapp.
São histórias que não se cruzam pela mesma família, mas pelo mesmo costume: receitas que começaram dentro de casa e encontraram diferentes caminhos para continuar sendo preparadas.
Para Laudelina, a receita também carrega a lembrança da mulher que a ensinou. Se pudesse voltar a um momento da vida, escolheria estar novamente ao lado da mãe.
“Eu e ela éramos muito além de mãe e filha, éramos amigas. Me ensinou a costurar, cozinhar, fazer doces. Sinto saudades dela, ela era tudo para mim.”
E enquanto as panelas continuam no fogo e novas mãos aprendem o ponto, receitas que poderiam ficar apenas no passado continuam chegando à mesa, seja em uma festa, em uma encomenda ou simplesmente no momento em que alguém decide repetir aquilo que aprendeu em casa.
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