SETEMBRO AMARELO 06.09.2026 | 14h00
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Marcelo Camargo/ABr
Setembro Amarelo chega com o reforço sobre a importância de reconhecer sinais de sofrimento emocional, acolher sem julgamentos e saber onde buscar ajuda. Nem sempre quem está sofrendo consegue dizer que não está bem; às vezes, o pedido de ajuda aparece de maneira silenciosa: isolamento, irritabilidade, mudanças na rotina ou até naquele sorriso de quem continua trabalhando, cuidando dos outros e seguindo a vida, enquanto, por dentro, enfrenta um esgotamento que ninguém vê.
“Precisamos aprender a olhar além do que a pessoa mostra”, alerta a psicanalista, palestrante e consultora em Saúde Mental, Kalyan Paes de Barros, 49, que também é autora de livros e criadora do projeto Setembro Amarelo Girassol, voltado à conscientização e prevenção.
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Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização e à prevenção do suicídio, o debate sobre saúde mental ganha espaço, mas a necessidade de cuidado permanece durante todo o ano. Para a especialista, reconhecer os sinais, se aproximar e oferecer uma simples escuta pode ser um primeiro passo importante para quem ainda não conseguiu transformar a dor em palavras.
Nem todo sofrimento é visível
Mudanças no sono e na alimentação, perda de interesse por atividades antes prazerosas, afastamento de pessoas próximas e alterações no comportamento podem indicar que algo não está bem.
Segundo Kalyan Paes, é preciso prestar atenção também àqueles que aparentemente continuam levando uma vida normal,
aquela pessoa que continua sorrindo, trabalhando e cuidando de todos, mas por dentro está "acabada".
A especialista explica que existe diferença entre uma tristeza passageira e um sofrimento que necessita de atenção profissional. A tristeza faz parte da vida e pode surgir diante de perdas, frustrações e momentos difíceis, o sinal de alerta aparece quando a dor permanece, se intensifica e começa a interferir na rotina.
“O sinal de alerta aparece quando esse sofrimento persiste, fica intenso e começa a interferir no sono, no trabalho, nos relacionamentos e na própria vontade de viver.” Por isso, a orientação é não esperar que a situação chegue ao limite para procurar ajuda.
Pedir ajuda não é fraqueza
Ainda existe, segundo Kalyan Paes, uma barreira que impede muitas pessoas de procurar ajuda: o medo do julgamento.
A ideia de que é preciso ser forte o tempo inteiro pode fazer com que alguém esconda aquilo que está sentindo e tente enfrentar tudo sozinho. “Pedir ajuda não é fraqueza. É um ato de coragem”, afirma Kalyan Paes.
Para quem está próximo de alguém que apresenta mudanças de comportamento, a recomendação é simples, mas exige disposição: perguntar e principalmente, estar preparado para ouvir. “Eu percebi que você não está bem. Quer conversar?”, uma forma de iniciar a conversa.
Mais do que encontrar uma solução imediata, o importante pode ser demonstrar presença. Às vezes, a pessoa não precisa de uma solução naquele momento. Ela precisa de alguém que tenha coragem de permanecer ao lado dela.
O que dizer e o que evitar
Quando alguém decide falar sobre um momento difícil, algumas palavras podem acolher, enquanto outras podem fazer com que a pessoa se feche ainda mais.
Frases como “eu estou aqui”, “pode falar comigo” e “você não precisa passar por isso sozinho” demonstram disponibilidade.
Já expressões como “isso é bobagem”, “tem gente passando por coisa pior” ou “você precisa ser forte” podem diminuir a dor de quem está sofrendo.
“Quando alguém está em dor emocional, dizer ‘seja forte’ pode aumentar ainda mais a culpa por não conseguir reagir”, explica Kalyan Paes.
Nesse momento, ouvir sem julgamento pode ser mais importante do que tentar oferecer respostas prontas. “Escutar é uma forma de cuidado e o acolhimento ajuda no processo”.
Cuiabá prepara ações para o Setembro Amarelo
Em Cuiabá, a Prefeitura, por meio da Diretoria de Saúde Mental, preparou duas ações especiais durante o mês de setembro, com a participação de profissionais, usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e da comunidade.
12 de setembro, será realizada a Rota da Ancestralidade, um percurso pelo Centro Histórico de Cuiabá que busca resgatar a memória, as histórias e as referências culturais da cidade. A atividade também pretende promover convivência, participação e valorização do território e da cultura local.
No dia 26 de setembro, a programação será realizada na Casa Cuiabana, com café da manhã coletivo e atividades de convivência e lazer, incluindo aula de carimbó, DJ, cuidados faciais e outras ações.
Segundo a Prefeitura, a proposta é reforçar que o cuidado com a saúde mental também passa pelo acesso à cultura, ao lazer, à convivência e à criação de vínculos sociais.
A rede de atendimento funciona o ano inteiro
As ações do Setembro Amarelo não encerram o trabalho de prevenção. A Prefeitura afirma que a prevenção ao suicídio faz parte das ações permanentes da rede municipal de saúde.
As Unidades Básicas de Saúde (UBS) são uma das principais portas de entrada para quem está passando por sofrimento emocional. A pessoa pode procurar diretamente a unidade de referência, sem necessidade de encaminhamento, para receber acolhimento, orientação e avaliação.
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) também são serviços de porta aberta. A população pode procurar diretamente as unidades, onde a equipe realiza o acolhimento e avalia a necessidade de acompanhamento. Cuiabá conta atualmente com dois CAPS voltados ao público infantojuvenil, um CAPS para atendimento de adultos e um CAPS destinado a pessoas com transtornos relacionados ao uso de álcool e outras drogas.
Para adolescentes e jovens, a Prefeitura também desenvolve ações por meio do Programa Saúde na Escola (PSE). A rede conta ainda com o CAPS Adolescer, que oferece, entre outras atividades, um grupo aberto e permanente de teatro, utilizando a arte como ferramenta de cuidado, convivência e expressão.
Prevenção e cuidado
Para Kalyan Paes, cuidar da saúde mental não deve ser uma atitude tomada somente quando a dor se torna insuportável, procurar ajuda antes de uma crise também é uma forma de prevenção e cuidado.
A mensagem da especialista para quem enfrenta um momento difícil é direta:
“Não espere chegar ao seu limite para pedir ajuda. Você não precisa saber explicar tudo. Pode começar simplesmente dizendo: Eu não estou bem e preciso conversar”, diz.
E, para quem ainda não conseguiu falar, ela deixa um lembrete: “Sua dor merece ser ouvida. Sua vida merece cuidado.”
O Setembro Amarelo pode terminar no calendário, mas a necessidade de olhar para quem está ao nosso lado permanece. Às vezes, o primeiro passo para romper o silêncio não é ter a resposta certa, é encontrar alguém disposto a ouvir.
Onde procurar ajuda em Cuiabá
Em situações de sofrimento emocional que não configuram uma urgência, a orientação é procurar a UBS mais próxima da residência. Já em situações de crise aguda ou urgência, a população pode procurar:
UPA Leblon
Rua Militar, s/n, Jardim Leblon.
UPA Verdão
Avenida Agrícola Paes de Barros, s/n, Verdão.
UPA Morada do Ouro
Avenida Tancredo Neves, s/n, Morada do Ouro II.
Policlínica do Pedra 90
Avenida Newton Rabello de Castro, Pedra 90.
Os CAPS também podem ser procurados diretamente:
CAPS CPA IV
Rua 82, s/n, Quadra 110, CPA IV.
CAPS Verdão
Rua Maurício Cardoso, 735, Cidade Alta.
CAPS Adolescer
Rua Romênia, s/n, Jardim Europa, atrás da UNIC Beira Rio.
CAPSi Curumim
Rua Antônio Dorileo, s/n, Jardim Lucianópolis/Coophema.
CAPS AD
Rua Edgar Vieira, 728, Boa Esperança.
Além dos serviços municipais, o CVV atende pelo telefone 188. Adolescentes e jovens também podem utilizar o Pode Falar, pelo site www.podefalar.org.br.
Em caso de risco imediato à vida, a orientação é procurar imediatamente um serviço de urgência ou acionar o SAMU, pelo 192. “Não espere chegar ao seu limite”.
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