SEPULTADO EM CRIPTA 30.11.2020 | 12h11

jessica@gazetadigital.com.br
João Vieira
Centenas de fiéis lotaram a Catedral Basílica Bom Jesus de Cuiabá na despedida do arcebispo emérito, Dom Bonifácio Piccinini, 91 anos, que teve como lema em vida: “fazer o bem aos pequeninos”. Emoção tomou conta do espaço e religiosos em lágrimas assistiram a missa celebrada pelo arcebispo de Cuiabá, Dom Milton. O corpo do religioso foi sepultado na cripta da igreja, onde estão outras 8 personalidades importantes de Mato Grosso.
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Dom Bonifácio faleceu na noite de sábado (28) devido à falência múltipla dos órgãos. Nos preparativos para o sepultamento foram realizadas 7 celebrações na catedral durante o domingo e cerca de 2 mil católicos participaram dos atos. Com máscaras, álcool em gel e respeitando o distanciamento social para prevenir o contágio pelo novo coronavírus.
A última missa foi realizada na manhã desta segunda-feira (3), celebrada por Dom Milton. Padres de outras cidades e de fora de Mato Grosso participaram na celebração. O irmão de Dom Bonifácio, padre Severino Piccinini, veio do Rio Grande do Sul para dar adeus ao irmão.
Muito emocionado, ele lembrou do carinho pelo irmão e da felicidade da mãe quando ele se consagrou padre. O religioso destacou o legado que Dom Bonifácio deixa como servo de Deus e também material pelas igrejas que construiu.
“Posso falar do meu irmão com grande carinho que ele tinha pela família. Minha mãe, quando ele era pequeno, o chamava de meu Fácio. Quando se consagrou padre, era padre Fácio. Depois era bispo Fácio. Nem chamava pelo nome. Tinha uma flor em casa que a gente chamada de flor do Fácio”, lembra o padre.
Com a voz embargada e lágrimas dos olhos padre Severino relata que o irmão deixa um grande legado para a humanidade e para o sacerdócio de modo geral.
“Ele foi um homem muito fiel. Eram 3 coisas especialmente: a reza diária, a reza da eucaristia, reza dos salmos que temos que rezar todos os dias. Ele deixa essa lembrança para o povo de Deus. Essa é o principal legado, além do legado material.
Ele foi um grande empreendedor, um grande construtor de igrejas. Um grande evangelizador”, declarou o padre.
Dom Bonifácio foi internado no começo da semana por conta de oscilação na pressão. O irmão contou que o religioso não tinha comentado sobre problemas de saúde. Como mora a mais de 1200 km de distância, o contato era por telefone e em visitas anuais.
“Ele não dizia tudo o que estava sofrendo. Da última vez que nos vimos, ele não demonstrou doença. A morte foi inesperada para mim”, explicou o padre.
Logo após a missa, foi realizado ritual para fechamento do caixão, carregado por vários religiosos. Na porta da catedral, a banda da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros tocou canções religiosas, entre elas “Noites Traiçoeiras” e “Segura na Mão de Deus”. Fiéis que estavam reunidos na rua e na calçada da igreja cantavam as canções acompanhando a melodia tocada.
O ato na frente da igreja durou cerca de 20 minutos e, dali, o caixão seguiu para a cripta, no subsolo do templo religioso, onde o corpo de Dom Bonifácio descansa.
Dom Milton comentou que nas últimas conversas com Dom Bonifácio, o colega de sacerdócio disse que “sentia que estava morrendo”.
Para o religioso, a morte não é motivo de tristeza, pois agora Piccinini segue outro caminho, numa trajetória mais próxima de Deus.
“Dom Bonifácio deixa um grande legado. Em algumas culturas a morte é motivo de festa. Agora ele segue um caminho diferente do nosso, mais próximo do divino”, comentou.
O pároco de Cuiabá, padre Deusdete Monge, ressalta que Dom Bonifácio merece todo reconhecimento pelo que fez pela igreja nos 40 anos de vida religiosa.
“Merece toda nossa reverência, nossa gratidão por tudo que é, foi e agora está no céu. Sua alma foi para o céu, mas sua história ficara eternamente conosco”, destaca.
O padre afirma que Dom Bonifácio tinha 3 características principais: o espirito de paternidade com o clero, a sinceridade de coração e a humanidade no trato com as pessoas.
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DR. JONEL BENEDITO FERREIRA DE ARRUDA - 30/11/2020
DOM BONIFÁCIO - SAUDADES “Não sou Dom Aquino, não sou Dom Orlando, figuras ímpares nesta Arquidiocese. Sou apenas Dom Bonifácio e quero me entregar e me integrar, de corpo e alma, nesta realidade cuiabana, quero me gastar aqui. De hoje em diante, EU SOU CUIABANO!” Estas foram suas palavras proferidas no jantar de recepção, no dia 5 de outubro de 1975, dia da sua posse como Arcebispo Coadjutor de Cuiabá. Como cuiabano, de coração, aprendeu amar esta terra e esta gente, aqui se ENTREGOU, se INTEGROU, se GASTOU. O passado não retorna, o que foi feito aí está. Como pastor, como administrador e gestor, Dom Bonifácio marcou presença, diuturna e incansavel, em toda a sua querida Arquidiocese, nas Paróquias, nas Capelas e Comunidades, nas Comunidades Religiosas e ainda no Regional Oeste II, da CNBB, bem como presença nas pastorais, movimentos, organismos sociais e demais instrumentos de evangelização, como a Rádio Difusora Bom Jesus de Cuiabá, atualmente Bom Jesus FM 92.7. Gostaria apenas de ressaltar um nota do seu perfil como pessoa humana que, por certo, nos poderá servir como lição de vida. Em pequeno opúsculo que tive a felicidade de lhe dedicar ainda em vida, pude escrever e testemunhar: “Adentrando em sua sala de serviço sempre aberta, qualquer pessoa, fosse sacerdote, religioso, fosse leigo, encontrava Dom Bonifácio num “mar” de papéis, documentos, cartas, mapas e livros. Ao receber o visitante, Dom Bonifácio tinha o poder imediato de se desligar de tudo para atender à pessoa e dar-lhe toda a atenção que merecia e pelo tempo que fosse preciso. Sua orientação sempre foi firme, segura e fundamentada na doutrina e orientações da Igreja. E quando não havia solução a dar, restava-lhe a palavra de carinho, de conforto, de amigo, muitas vezes regada com gotas de lágrimas”. Descanse em paz, Dom Bonifácio, meu pastor, meu irmão, meu amigo de sempre. BONUM FÁCERE PÁRVULIS!
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