DEU EM A GAZETA 29.05.2026 | 06h20

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Assessoria
Novo modelo de mineração artesanal se fortalece em Mato Grosso e começa a mudar décadas de informalidade, insegurança jurídica e degradação ambiental. Longe da imagem do garimpo predatório, cooperativas minerais do estado têm se tornado exemplo de experiência baseada em legalidade, rastreabilidade, recuperação do meio ambiente e desenvolvimento social. Os números mostram a força dessa transformação.
Segundo o Anuário do Cooperativismo Matogrossense 2025, o cooperativismo mineral reúne 13 cooperativas registradas no Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras em Mato Grosso (OCB/MT) e 5,5 mil cooperados. Em 2024, o segmento movimentou R$ 144,1 milhões, com crescimento de 47,02% nas receitas em relação ao ano anterior. Mas o impacto vai muito além da economia. As cooperativas minerais responderam por R$ 27 milhões da arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), equivalente a 16,89% de toda a arrecadação mineral do estado. No primeiro trimestre de 2026, essa participação saltou para 32,79%, posicionando Mato Grosso como referência nacional em mineração cooperativista formalizada.
Para o superintendente do Sistema OCB/MT, Frederico Azevedo, o crescimento do setor demonstra que é possível conciliar produção mineral com responsabilidade social e ambiental. “A mineração cooperativista mostra que desenvolvimento econômico e preservação ambiental podem caminhar juntos. Quando organizada dentro do sistema cooperativista, a atividade gera prosperidade com inclusão, legalidade e compromisso social”, afirma. Em um mercado cada vez mais exigente quanto à origem dos metais preciosos, o cooperativismo ganhou protagonismo justamente por oferecer segurança jurídica e rastreabilidade.
Segundo o presidente da Federação das Cooperativas de Mineração do Estado de Mato Grosso (Fecomin), Gilson Camboim, a comercialização organizada por meio das cooperativas fortalece o controle da cadeia produtiva. “As cooperativas garantem que a produção seja comercializada via DTVMs (Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários), com emissão rigorosa de notas fiscais. Isso permite identificar origem, vendedor e comprador, atendendo às exigências do mercado e combatendo a ilegalidade”, explica.
O modelo cooperativista também facilita o cumprimento das exigências da Agência Nacional de Mineração (ANM), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema/MT), ampliando a transparência do setor. No município de Peixoto de Azevedo, a Cooperativa dos Garimpeiros do Vale do Rio Peixoto (Coogavepe) se tornou símbolo dessa nova fase da mineração mato-grossense. A cooperativa foi pioneira no Brasil na eliminação do mercúrio dos processos produtivos ao substituir a substância por técnicas de gravimetria, com uso de mesas vibratórias e calhas concentradoras. A mudança nasceu da conscientização dos próprios cooperados.
“O garimpo precisava se reinventar para continuar existindo. Os cooperados entenderam que eliminar o mercúrio era indispensável para garantir sustentabilidade e segurança ambiental”, destaca a direção da cooperativa. Assim, houve redução dos riscos de contaminação do solo, da água e da saúde dos trabalhadores, além do fortalecimento da imagem de uma mineração limpa e regularizada. A sustentabilidade também se materializa no viveiro de mudas mantido pela Coogavepe.
A estrutura produz espécies nativas e frutíferas utilizadas tanto na recuperação de áreas mineradas quanto em ações ambientais nos municípios da região. As mudas são distribuídas gratuitamente para cooperados e comunidades locais, fortalecendo projetos de reflorestamento, paisagismo urbano e recuperação ambiental. A iniciativa ajuda a recompor áreas degradadas e reforça políticas públicas ambientais em municípios do norte mato-grossense.
Em áreas remotas de garimpo, o acesso à saúde sempre foi um desafio histórico. Para enfrentar essa realidade, a Coogavepe criou o Projeto Saúde do Garimpeiro, em parceria com municípios e governo estadual. A iniciativa leva consultas médicas, vacinação, exames preventivos e orientações diretamente às frentes de trabalho.
O resultado alcançou praticamente todos os cooperados que atuam em áreas de lavra. “O projeto levou dignidade e atendimento básico de saúde para locais de difícil acesso. Hoje ele está sendo transformado em um programa permanente da cooperativa”, informa a direção da Coogavepe. Além do atendimento médico, a cooperativa mantém campanhas de doação de sangue, ações de logística reversa de lixo eletrônico em apoio ao Hospital de Câncer de Mato Grosso e projetos de combate à violência contra a mulher.
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