Deu em A Gazeta 25.02.2022 | 07h53

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Otmar de Oliveira
O juiz Leopoldino Marques do Amaral, executado há mais de 22 anos, nunca terá chance de se defender das acusações de ladrão, mentiroso, bandido e dos ataques feitos a sua sexualidade, assegura o filho Leopoldo Augusto Gattass do Amaral, 50. "Foi morto sem ter a chance de se defender, ao contrário dos que silenciaram ele." Ao final de 23 horas de julgamento o empresário Josino Pereira Guimarães, 67, foi considerado inocente da acusação de ser o mandante da execução do juiz pela segunda vez em 11 anos, na quarta-feira (23).
Mas Leopoldino, pelo contrário, nunca terá chance de ser absolvido de todas as acusações feitas contra ele após denunciar 14 desembargadores e 5 juízes de Mato Grosso por envolvimento em crimes, na década de 90.
Ao contrário do que aconteceu em 2011, o filho mais velho não acompanhou os 3 dias de júri na Justiça Federal, pois não acreditava na condenação do empresário. Nenhum familiar ou amigo do magistrado esteve entre os espectadores. "Como disse antes do julgamento, a Justiça não alcança os poderosos. Eu realmente não acredito mais nela".
Leopoldo lembra que quando jovem o pai gostaria que ele seguisse a carreira do direito e se tornasse magistrado. Mas Leopoldo relutou e acredita que fez a melhor escolha.
Após fazer denúncias que envolviam assédio sexual, venda de sentenças, nepotismo, fraude de concurso público, aposentadorias irregulares e tráfico de entorpecentes, Leopoldino foi morto em setembro de 1999, no Paraguai. Mas pouco antes, tão logo iniciou as denúncias, passou a ser investigado por se apoderar de dinheiro das contas de processos que tramitavam na Vara de Família, da qual era titular. Estava em fuga, pois se dizia ameaçado e também já tinha ordem de prisão contra ele, quando foi morto.
Mas Leopoldo garante que estas acusações nunca foram provadas contra o pai e o suposto dinheiro desviado por ele nunca apareceu. "Se alguém praticou este crime realmente não foi investigado e punido, da mesma forma que ficaram impunes os membros do judiciário denunciados pelo meu pai. Só ele foi punido com a morte, preço por ter denunciado a corrupção no judiciário".
Durante o júri, o próprio advogado de defesa de Josino Guimarães, João Cunha, disse que a situação de corrupção no judiciário, na década de 90, era fato conhecido e comentado em toda sociedade, justificando que o teor da carta denúncia que Leopoldino apresentou foi feito com base nestes relatos, mas que não tinham relação com o empresário Josino, apontado como intermediador na venda de sentenças e acusado por contratar a morte do juiz.
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