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PATRIMÔNIO ESQUECIDO 22.03.2026 | 15h00

Mais de 400 imóveis abandonados evidenciam decadência do Centro de Cuiabá

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Helena Werneck - Especial para o GD

redacao@gazetadigital

O Centro Histórico de Cuiabá, marcado por casarões neoclássicos, vielas de calçadões de pedra e igrejas que simbolizaram a vida cotidiana de uma Cuiabá antiga, hoje se encontra em completo abandono. Muitos edifícios importantes para história de Mato Grosso foram esquecidos pelo poder público, como o Grande Hotel na Praça Alencastro, o Museu Histórico de Mato Grosso, a Igreja do Rosário, que integram, segundo dados do IPHAN de 2023, mais de 400 imóveis em abandono na cidade, onde 80 estão em risco de desabamento.

 

Um desses imóveis em risco é o Casarão da antiga Gráfica Pepe, situada ao lado do Museu de Imagem e Som (MISC) que após uma década de abandono, recentemente seria demolido, mas em vez disso, teve sua fachada preservada pela Prefeitura de Cuiabá, embora ainda não tenha recebido as intervenções necessárias e aguarde reparos para evitar acidentes no entorno da construção.

 

Helena Werneck

casa ao lado da grafica pepe abandonada

 

 

Essa situação de abandono é uma problemática antiga que atinge toda população cuiabana deixando o centro da cidade mais perigoso e vazio, além de perder sua característica original que carrega anos de história.


Segundo Luís César, frequentador assíduo da Igreja Nosso Senhor dos Passos, em frente ao MISC em sua opinião, o descaso com o Centro Histórico de Cuiabá reflete em outros problemas vivenciados na capital.


“O descuido com a região central, o abandono das construções, a falta de infraestrutura e iluminação refletem no surgimento de prostíbulos, pontos de venda de droga, usuários e moradores de rua que vivem aqui. Para mim, a principal mudança seria no acolhimento dessas pessoas, pois precisam ser assistidas pelo estado. Mas com certeza com maiores cuidados nessa região poderiam contribuir para segurança, e melhorar também a qualidade de vida das pessoas que mais precisam”, revelou Luís, que já realizou diversas campanhas junto a igreja para contribuir na alimentação de pessoas em situação de rua.

 

Helena Werneck

iphan predio abandonado centro histórico

 


Dona Luísa vive em um desses casarões há mais de 50 anos e já perdeu as esperanças na estruturação do Centro Histórico, ela também promove ações para ajudar pessoas em situação de rua, e acolhe na sua própria casa quem precisa de ajuda, cestas com diversas frutas estavam dispostas em sua residência para atender quem por ali passasse.


“Nós, moradores antigos aqui do centro já perdemos as esperanças, entra e sai prefeito, governador e presidente e nada muda e nem irá mudar por aqui. Promessas infindáveis já foram feitas. Nós não podemos mexer em quase nada na construção, mas eles também não mexem, deixam aí até apodrecer, como o caso da Gráfica Pepe aqui em frente, que foi uma gráfica vinda da Alemanha e era muito renomada, hoje está aí para cair em nossas cabeças”, revelou a moradora.

Helena Werneck

sapataria abandonada centro histórico

 


Segundo ela, diversas promessas de reestruturação, até subsídio de energia já foram feitas, mas o descaso, o abandono e a insegurança nunca deixaram de fazer parte do cotidiano de quem vive no centro de Cuiabá.


Ao ser acionado, O Iphan relatou que é apenas um órgão fiscalizador e que as devidas diligências de preservação e restauração devem ser requeridas junto a Defesa Civil e Prefeitura Municipal.


A Prefeitura por sua vez, ao ser questionada sobre atividade da gestão em relação a preservação do Centro Histórico e também medidas futuras, emitiu a seguinte nota:

 

"A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano informa que estão em andamento estudos com a finalidade de subsidiar ações estratégicas voltadas à revitalização, preservação e melhoria da infraestrutura do Centro Histórico da capital, em conjunto com o Iphan. Além de alguns projetos em andamento, envolvendo diferentes frentes de trabalho e parcerias institucionais, com foco na valorização do patrimônio, na segurança da população e na organização do espaço urbano.

 

Entre as medidas já iniciadas, destaca-se a retirada de cabos em desuso, realizada pela Secretaria de Ordem Pública (SORP), ação conjunta com a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano contribuindo para a melhoria visual e redução de riscos.

 

Outra, é o rebaixamento do cabeamento elétrico, iniciado como projeto piloto nos calçadões Antônio João e da Antônio Maria, em parceria com a Energisa. A intervenção prevê o rebaixamento dos cabos de energia nos dois principais calçadões da região, promovendo maior segurança, modernização da infraestrutura e valorização paisagística.

 

Paralelamente, está sendo realizado o mapeamento detalhado da situação de cada imóvel localizado no Centro Histórico. O que contribuirá para viabilizar a arrecadação de imóveis em situação irregular em favor do município e planejar ações de preservação, recuperação e ordenamento urbano. O mapeamento será disponibilizado no aplicativo Smart Cuiabá, para acompanhamento e acesso dos cidadãos.

 

As ações seguem diretrizes técnicas e legais, com foco na prevenção de riscos e na responsabilização dos proprietários quando necessário.

 

Ressalta-se que medidas vêm sendo discutidas com vários segmentos sociais, mantendo o compromisso da Prefeitura de Cuiabá na liderança das ações para preservação do patrimônio histórico e cultural de Cuiabá. Três reuniões, nesse sentido, já foram realizadas na Associação Comercial de Cuiabá, a última delas na quinta-feira (19), com representantes de diversos segmentos."

 

O Centro Histórico

O Centro Histórico de Cuiabá surgiu a partir da descoberta de ouro em 1722, com um ciclo minerador curto, de apenas oito anos (até 1730), mas decisivo para definir o traçado urbano da cidade. O núcleo começou ainda antes, em 1719, foi elevado à vila em 1727 e consolidado como centro administrativo em 1748, com a criação da Capitania de Mato Grosso.

 

Hoje, o conjunto tombado reúne cerca de 13 hectares e aproximadamente 400 imóveis históricos, além de uma área de entorno com 49,7 hectares e cerca de 600 edificações.

 

O reconhecimento patrimonial veio tardiamente: os estudos iniciaram nos anos 1980, foram aprovados em 1988 e efetivados apenas em 1993.


Apesar da dimensão, mais de 1.000 imóveis no total, o centro enfrenta degradação desde a década de 1960, com demolições e descaracterização impulsionadas pela pressão urbana e comercial.

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