INVESTIGADOR QUE MATOU PM 13.05.2026 | 08h58

yuri@gazetadigital.com.br
Divulgação/TJMT
Atualizada às 10h15 - O delegado José Ricardo, que atuava Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), foi o primeiro a prestar depoimento no segundo dia de julgamento do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz, em Cuiabá.
Durante o depoimento ao Tribunal do Júri, o delegado descreveu Mário Wilson como um homem “tranquilo” e afirmou nunca ter presenciado episódios de descontrole envolvendo o investigador, mesmo em momentos de confraternização entre colegas da corporação.
“Mário é pai de família, casado, com filhos. Confraternizamos em alguns momentos com equipes da delegacia e fazíamos uso de bebida alcoólica, mas nunca vi nenhum sinal de descontrole, embriaguez ou problema causado por ele. Sempre foi algo muito natural e tranquilo”, declarou.
Questionado sobre possível envolvimento do acusado com drogas, o delegado negou ter conhecimento sobre o assunto. “Droga, cocaína, nunca ouvi falar”, afirmou durante o julgamento.
A testemunha também foi questionada sobre uma suposta rivalidade entre policiais civis e militares em Mato Grosso. Segundo o delegado, não existe uma rixa direta entre os profissionais das instituições, mas sim uma “vaidade institucional”.
“Na minha opinião, não existe, porque existem inúmeros policiais que são amigos e se ajudam. Existem animosidade e rixas dentro da própria instituição. Agora, pessoalizando, eu não vejo isso, principalmente entre investigadores e praças. O que existe é a vaidade institucional”, disse.
Arma encontrada com o PM
Durante a sessão, a defesa apresentou um relatório diário de serviço da Polícia Militar, datado de 27 de abril de 2023, que trata das ocorrências e da segurança das instalações da corporação. No documento, consta que o cabo Thiago Ruiz portava um revólver calibre 38 com 7 munições, autorizado pela comandante do batalhão de Acorizal.
A defesa sustentou que o relatório serviria como documento apto para legitimar o porte da arma pelo policial militar. Os advogados também destacaram que a arma não teria sido localizada nos sistemas de registro consultados pela Polícia Militar, Polícia Civil e Ministério Público ao longo das investigações.
Questionado em plenário, o delegado ouvido como testemunha afirmou que reconhece a identificação da arma no relatório, mas disse não saber se o documento apresentado seria suficiente, dentro dos procedimentos internos da corporação, para formalizar a cautela do armamento.
“Presume-se que, se consta em um documento oficial, essa arma de alguma forma pertence à instituição. Mas isso pode ser questionado”, declarou.
O delegado ponderou ainda que o relatório, isoladamente, não comprova a regularidade do porte da arma. Segundo ele, seria necessário verificar os registros oficiais do armamento e em qual sistema ele estaria cadastrado.
“Esse documento sozinho não é hábil para provar o porte. Eu procuraria saber se esse é o documento adequado. Sei que a PM possui armamentos cautelados durante o serviço, mas é preciso saber os dados da arma e em qual sistema ela está inserida. Isso precisa ficar documentado”, afirmou.
Segundo dia de sessão
O Tribunal do Júri retoma, na manhã desta quarta-feira (13), o segundo dia de julgamento do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar a tiros o policial militar Thiago de Souza Ruiz. O crime ocorreu em abril de 2023, em uma conveniência de posto de combustível próximo à Praça 8 de Abril, em Cuiabá.
A sessão teve início ainda na terça-feira (12), marcada por momentos de emoção, tensão e embates entre defesa e acusação durante os depoimentos das testemunhas.
A primeira pessoa ouvida foi Walkiria Filipaldi Corrêa, companheira do policial militar assassinado. Em seguida, o delegado André Monteiro, responsável pelas investigações iniciais do caso, foi questionado pelo advogado de defesa Cláudio Dalledone, que insistiu na tese de que Mário Wilson teria atirado após desconfiar que Thiago não era policial militar.
Durante os questionamentos, o delegado confirmou que essa hipótese foi levantada no decorrer das investigações. “O Mário Wilson não acreditava que ele era policial militar”, afirmou André Monteiro ao responder perguntas da defesa sobre o início da discussão entre os dois.
Outro ponto explorado no júri foi a disputa pela arma antes dos disparos. Segundo o delegado, Thiago tentou recuperar a pistola momentos antes de ser baleado. “O Tiago tentou recuperar a sua arma”, declarou.
Ao ser questionado sobre o que poderia ter levado o investigador a efetuar os disparos, André Monteiro respondeu: “Imagino que ele deve ter se sentido ameaçado, com medo de morrer”.
O investigador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Walfredo Raimundo Adorno Mourão Junior, também prestou depoimento e protagonizou um dos momentos mais tensos da sessão.
Segundo ele, foi o responsável por apresentar Thiago ao acusado pouco antes da confusão. “Eu apresentei os dois como Mike e Charlie”, relatou.
Walfredo afirmou ainda que Mário Wilson reagiu de forma agressiva contra o policial militar. “Ele pegou no braço do Tiago e falou: ‘Você não é policial, porra!’”, disse a testemunha durante o julgamento.
O júri segue nesta quarta-feira com a continuidade dos depoimentos e debates entre defesa e acusação. Acompanhe ao vivo abaixo:
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