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23.04.2006 | 03h00

Na Cohab São Gonçalo falta tudo

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A Cohab São Gonçalo surgiu com a construção de cerca de 100 casas populares, no final da década de 70. Distante cerca de 12 km do centro da capital, cresceu com a grilagem das áreas em torno das casas da "Cohab". Uma tática da época era construir primeiro os banheiros para depois o restante da casa. Agrega 4 bairros, a Cohab São Gonçalo e o São Gonçalo 1, 2 e 3. São cerca de 4 mil habitantes que enfrentam problemas comuns: transporte coletivo ineficiente, ruas esburacadas, transbordamento de esgoto, falta de segurança e, principalmente, falta de opção de lazer.

A praça da avenida principal parece abandonada. Mas é a única opção da comunidade. É nela que acontece hoje mais uma edição do projeto Viva Seu Bairro.

Os problemas começam já na entrada do bairro, quando buracos imensos tomam conta da via que liga o bairro a rodovia Palmiro Paes de Barros. A água empossada esconde buracos que cresceram com o período de chuvas.

A água parada nas esquinas também tem outra origem: o transbordamento de bocas-de-lobo. A invasão de casas pelo esgoto torna difícil a vida. É o caso da moradora Liliane Rodrigues, ex-moradora da rua B, quadra 31, casa 1. Ela abandonou a casa pois não conseguia mais conviver com o esgoto. Os filhos menores adoeceram e ela se obrigou a deixar o imóvel. Disse que encaminhou pedidos para a Companhia de Saneamento da Capital mas nada foi resolvido. "Não posso ficar e correr o risco de ver meus filhos doentes, contaminados pelo esgoto".

A comerciante Roseni Santana dos Santos, desistiu de esperar o poder público para resolver o problema do esgoto na porta da lanchonete. Adaptou uma canalização e resolveu o problema de forma paliativa. Só que do outro lado da rua o esgoto continua transbordando.

O transbordamento do córrego do Machado também é grave. Segundo os moradores mais antigos, o córrego teve o curso desviado. Por interesses pessoais de alguns proprietários de casas por onde ele passava, a medida foi tomada em detrimento dos demais. Como fazem mais de 3 anos que o córrego não passa por limpeza, com as chuvas invade casas que estão a mais de 20 metros do leito.

É o caso do vendedor de doces Messias Manoel Gama, que há 17 anos mora na beira do Machado. "Com as chuvas o esgoto invade a casa e os bichos peçonhentos atacam. Nós não temos mais sossego. Alguém tem que fazer alguma coisa".

Outro drama diário enfrentado é o transporte coletivo. Apenas duas linhas atendem o bairro, que não tem ponto final. Com isso, os moradores revoltados dizem que só pegam os ônibus lotados do Itapajé. Dos 4 únicos abrigos do bairro, 3 estão enferrujados e correm o risco de cair. Um foi reformado pela comunidade. Nos finais de semana o tempo de espera por um coletivo pode superar 1 hora.

A presidente da Associação de Moradores, Raquel Faria Campos, reconhece que os problemas são muitos. Diz que o bairro só é lembrado pelos políticos em época de eleição. A obra do posto de policia, iniciada em 2003, com recursos da comunidade, é um exemplo. Nem foi construído e já está sendo depredado. Raquel disse que existe conversa de que há recurso já arrecadado para obra, mas até agora nem o projeto ela conseguiu ter acesso.

Outro problema é o Centro Comunitário, construído há mais de 20 anos. Está quase desmoronando e vem sendo ocupado por uma família sem teto há 4 anos. Na época a opção de ocupar o local foi a forma de afastar os marginais que o transformaram em abrigo. Mas Raquel afirma que é preciso retomar o espaço e reconstrui-lo para que sirva à comunidade, para realização de projetos sociais.

O posto de saúde atende ao todo 6 bairros e tem 30 mil famílias cadastradas. Tem feito um bom trabalho e poderia ser melhor aproveitado. "Seria importante retomar a coleta de sangue no posto, que ocorria há 10 anos. Até a sala de odontologia que havia sido instalada foi retirada e nunca funcionou por falta de material. Acreditamos que com o novo secretário os investimentos na saúde vão ser maiores".

O bairro abriga 4 igrejas, uma católica e 3 evangélicas, uma escola estadual e uma creche. Apenas as crianças com 5 e 6 anos estão sem atendimento e precisam buscar escolas de outras regiões. Melhoria no policiamento também é cobrado, já que as rondas policiais são raras na Cohab São Gonçalo.

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