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Cuiabá, Sexta-feira 11/09/2026

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CAOS NA SAÚDE 11.09.2026 | 15h35

Pacientes denunciam demora e falhas na classificação de risco em UPA de Cuiabá

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Reprodução

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Pacientes e acompanhantes denunciaram, nesta sexta-feira (11), demora no atendimento e possíveis falhas no cumprimento da classificação de risco na UPA do Leblon, em Cuiabá. Os relatos apontam que pessoas classificadas como amarelas e laranjas estariam aguardando atendimento, enquanto pacientes classificados como verdes eram chamados.

 

Uma das denunciantes acompanhava a mãe, encaminhada por uma Unidade Básica de Saúde (UBS), e relatou que ela aguardou por mais de uma hora e quarenta minutos para ser atendida. Segundo o relato, a paciente precisou ser reclassificada para conseguir atendimento.

 

A denunciante também afirmou que a recepção estava cheia, mas que os consultórios médicos estavam vazios e havia pouca movimentação na área de medicação. Segundo ela, alguns pacientes estariam aguardando entre duas e três horas sem atendimento.

 

“Então, assim, não é uma situação de lotação extrema. Então, essas pessoas estão esperando por volta de duas, três horas, sendo que não está tendo uma movimentação no sistema que justifique isso”, afirmou.

 

Outro acompanhante relatou que sua filha chegou à unidade com febre e dor no estômago e foi classificada como urgente. Durante a espera, porém, a febre teria aumentado para mais de 40°C. O acompanhante afirmou ainda que ela passou a apresentar tremores e dificuldade para permanecer em pé.

 

“A febre dela foi aumentando e ela já não conseguiu ficar em pé, ficou tremendo e aí eu voltei lá, a menina falou: ‘Não, traz ela aqui de volta”. Aí eu levei, aí mediu, aí já estava mais de quarenta de febre.”, relatou.

 

Ele afirmou que aguardava há mais de duas horas pelo atendimento.

 

Outra paciente relatou estar na unidade desde 9h20, com dores na coluna, dor de cabeça e diarreia, e afirmou que ainda aguardava consulta. Segundo ela, a equipe apenas informou que o atendimento demoraria, sem apresentar uma previsão.

 

Ordem de atendimento

 

A sequência de atendimento também foi questionada pelos pacientes. Uma das pessoas ouvidas afirmou ter visto uma paciente classificada como amarela ser chamada somente após longo período de espera. Segundo o relato, a paciente havia chegado por volta das 8h20 e só foi chamada para consulta horas depois.

 

De acordo com uma das denunciantes, durante o período em que acompanhava o atendimento, foram realizados oito atendimentos de pacientes classificados como verdes para apenas um paciente classificado como laranja.

 

Os denunciantes questionaram o critério utilizado para definir a ordem das consultas e afirmam que pacientes classificados como amarelos e laranjas estariam aguardando, enquanto verdes eram chamados.

 

Conforme a denunciante, após as primeiras reclamações, os pacientes também teriam passado por uma nova reorganização do fluxo de atendimento. Segundo uma das denúncias, a fila para retorno médico passou a ser organizada em frente aos consultórios. A reclamação é de que pacientes que foram atendidos posteriormente estariam conseguindo acessar o retorno antes daqueles que já aguardavam na unidade há mais tempo.

 

Além da demora, uma das denunciantes afirmou que familiares estariam sendo destratados por funcionários ao pedir informações ou auxílio. “Os funcionários destratando os familiares que estão pedindo auxílio. Tá caótico”, relatou.

 

Reclamação sobre médicos

 

Além das queixas relacionadas à demora e à ordem dos atendimentos, pacientes também relataram insatisfação com a atuação dos médicos. Uma paciente afirmou ter passado três vezes pela mesma médica e alegou que nenhuma das intervenções realizadas durante os atendimentos teria ajudado na melhora de seu quadro.

 

Uma profissional de enfermagem, que pediu para não ser identificada, também apresentou uma possível explicação para a demora. Segundo ela, médicos experientes teriam deixado a unidade e novos profissionais teriam sido contratados. A profissional alegou ainda que os médicos estariam priorizando pacientes classificados como verdes por receio de atender casos considerados mais complexos.

 

“Sabe o porquê dessa demora? Todos os médicos bons saíram e foi contratada uma cambada de recém-formados para atender. Aí eles ficam chamando só os verdes por medo de pegar alguma bomba e não saber resolver.”, relatou.

 

Outro lado

 

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá afirmou que a UPA Leblon funciona normalmente nesta sexta-feira (11) e que o atendimento segue o protocolo de classificação de risco do Ministério da Saúde. A pasta informou que a unidade conta com quatro médicos clínicos, dois clínicos infantis e um médico de suporte.

 

Segundo a Secretaria, às 14h50 havia pacientes aguardando atendimento, com maior tempo de espera de 2h47. A pasta também afirmou que o tempo atual está abaixo do registrado no início do ano passado, quando chegou a seis horas, e informou que eventuais reclamações são apuradas individualmente.

 

Leia a nota na íntegra 

 

NOTA À IMPRENSA

 

A Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá informa que a UPA Leblon, unidade de maior movimento da rede, com até 500 atendimentos em dias de maior fluxo, funciona normalmente nesta sexta-feira (11).

 

A unidade conta com quatro médicos clínicos, dois clínicos infantis e um médico de suporte. O atendimento segue o protocolo de classificação de risco do Ministério da Saúde, com prioridade para pacientes em situação de urgência e emergência, classificados como amarelo ou laranja.

 

Às 14h50 desta sexta-feira, havia 40 pacientes aguardando atendimento no consultório adulto, sendo cinco amarelos, cinco roxos e 34 verdes. O maior tempo de espera registrado era de 2h47. No consultório pediátrico, havia um paciente verde, com espera de 29 minutos. No acolhimento com classificação de risco, eram sete pacientes, com espera de 12 minutos.

 

A Secretaria destaca que o tempo de espera atual está em torno de duas a 2h40, abaixo do registrado no início do ano passado, quando chegou a seis horas.

 

Sobre eventuais reclamações, a pasta informa que os casos são apurados individualmente e que a unidade dispõe de canal via QR Code para o registro de manifestações.

 

 

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