deu em a gazeta 15.11.2023 | 07h00

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Chico Ferreira
Mato Grosso possui 134 mil habitantes, com 15 anos ou mais, analfabetos. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua mostram que a taxa de analfabetismo, a partir desta faixa etária, diminuiu no Estado, de 5,6% para 4,9%. Apesar da queda, os números indicam que Mato Grosso caminha a passos lentos para solucionar o problema, pois a meta do Plano Nacional de Ensino (PNE) é zerar essa taxa até o ano que vem.
Filha de pais analfabetos, Kelly Ribeiro da Silva tem 32 anos e abandonou os estudos no 2º ano do ensino fundamental, aos 15 anos de idade.
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Ela morava com o pai, um alcoólatra que não se importava com os estudos da filha. Conta que sofria muita violência dentro de casa e não importava a hora, tinha que fazer serviços domésticos ou sair para comprar bebida. Dessa forma, não sobrava tempo para ir à escola ou para fazer as tarefas escolares. “Eu não tinha o sossego de pegar o caderno e tentar, ao menos, soletrar o que a professora mandava, eu não tinha isso”, desabafa. Aos 15 anos, Kelly fugiu da casa do pai e foi morar com a
mãe, mas também não voltou para a escola.
Caso quisesse frequentar uma unidade escolar, precisava acordar às 4h e atravessar uma região de mata para pegar o ônibus. Pouco tempo depois, ela se envolveu com um rapaz e engravidou. Ao mudar para Cuiabá, não tinha com quem deixar a filha
e, por isso, decidiu abandonar de vez os estudos.
Diariamente ela passa por dificuldades, como para pegar o ônibus, acessar o sistema do banco e até para matricular a filha no colégio, pois o sistema de matrículas é totalmente digital e isso dificultou o acesso da família.
Kelly conhece pessoas que sempre questionam quando, e se, ela voltará a estudar. Retornar aos estudos e aprender
a ler e a escrever é um sonho, mas para outro momento. Mãe de cinco filhos, sendo que a mais velha tem 15 anos e o mais
novo dois, ela não pode estudar até que eles cresçam.
“É muito sofrido. A partir do momento em que a pessoa não sabe ler, a pessoa não é ninguém. Se eu voltar a estudar e aprender a ler e escrever já é alguma coisa, mas o único curso que quero fazer depois é de cozinhar, que eu gosto de cozinhar”.
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