tempo bom 15.03.2020 | 14h32

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Chico Ferreira
Praça do Rasqueado
Por ora, a praça Caetano Albuquerque, na rua Galdino Pimentel, permanece a mesma, com as lojas ao redor e clientes transitando. Mas em noites de quinta-feira de outros tempos, era só o comércio fechar às 18h que o local era tomado por pés dançantes e versos de “Não aguento mais ser chamado de pau rodado, Já tomo licor de pequi, já danço o Siriri”.
O projeto “Rua do Rasqueado” promoveu por quase 30 anos a efervescência do ritmo genuinamente mato-grossense no Centro Histórico. Toda quinta-feira as cadeiras de plástico tomavam a praça e sobre elas, a cerveja gelada batia ponto. Entre o pessoal dançando, estava a fumaça do espetinho assando.
O autor do projeto, Milton Pereira, o Guapo, compartilha suas memórias ao
na clássica sala de estar mato-grossense, que é a varanda com cadeira de fios da sua casa no Quilombo. Tudo começou em 1992, quando ele foi convidado durante a campanha do ex-governador Dante de Oliveira, para pensar em um projeto de cultura regional.
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“Eu tinha observado Cuiabá durante 6 meses e o que acontecia de música era só pagode, alguns grupos tocavam axé e os bailão de música gaúcha. O rasqueado não tocava mais na noite cuiabana. Tinha algumas bandas tocando, mas era só na Baixada, o Scort Som que está até hoje, Banda Signos, Os Maninhos, Estrela D’Alva”, relembra.
Após a eleição, o plano do primeiro baile dançante foi colocado em prática. E não teve data melhor para estrear a Rua do Rasqueado que não no próprio aniversário de Cuiabá, que completava 271 anos na época.
Na ocasião, Mestre Bolinha foi convidado, mas não compareceu. Então a extinta Banda Requengue deu conta do recado a noite inteira. Porém, nos primeiros bailes o rasqueado não acontecia na praça Caetano de Albuquerque, e sim no antigo Bar Hora Extra, entre a rua Ricardo Franco e Cândido Mariano.
O porquê do nome Hora Extra? Guapo explica: “quando o pessoal ficava enchendo a cara lá e chegava em casa, a mulher perguntava: tá chegando agora por quê? E respondia: estava fazendo hora extra”. Tradicional, o bar só servia peixe frito como tira-gosto.
O sucesso foi tamanho que uma espécie de “cruz de gente” se formava nas esquinas do bar. “Os apoios vieram. Por isso essas bandas ficaram famosas, porque antes elas não tinham mídia. A Rua do Rasqueado que deu fama pra eles. Os Maninhos, todos eles. Começou a surgir todo o tipo de banda e até as bandas de pagode, começaram a tocar rasqueado”.
Em 1994 veio uma pausa no projeto, porém, Guapo conta que o rasqueado já havia se alastrado pela cidade e o lambadão começou a aparecer. “Já estava rasqueado pra tudo quanto é lado. E aí quando eu voltei a querer fazer, já tinha aparecido o lambadão. E o lambadão pegou exatamente o pessoal que estava na noite da Rua do Rasqueado. O lambadão também tocava na periferia, não era conhecido”, comenta.
Só em 2002 que o ritmo foi para a praça, onde também viveu tempos áureos. A arquitetura do local é democrática, com parapeitos para quem ver observar o movimento e pista de dança no meio para “rebuçar e tchuçar”.
Atualmente, em meio a eventos de sertanejo que praticamente dominam a capital mato-grossense, Guapo observa que, se não tivesse realizado o projeto, muito provavelmente o rasqueado teria se rendido ao pagode dos anos 90. “Aquele tempo foi resgate, agora não é mais resgaste. Tem mais de 100 bandas na baixada cuiabana, tocando rasqueado e lambadão e rádios também”.
Nascido nos anos 20 é na periferia e Baixada Cuiabana que o rasqueado tem vida própria. “Eu não faço mais rua do rasqueado pra resgatar a cultura. Ela já está resgatada. Hoje, o que toca na noite cuiabana, em primeiro lugar, é a lambadinha, não é nem o lambadão, e o rasqueado. É um happy hour pras pessoas de baixa renda, que não tem dinheiro pra gastar dinheiro em fim de semana em danceteria e essa coisas”.
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