crime em colniza 25.03.2025 | 15h20

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O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) repudiou o crime cometido por um policial contra um jovem em Colniza (1065 km a Noroeste de Cuiabá) e questionou o uso de armas por pessoas que atuam na educação. Por meio de nota, sindicato argumentou que muitas das pessoas que trabalham em escolas militares não têm o preparo para a função educacional.
O acusado de assassinato Elias Ribeiro da Silva, 54, é policial militar aposentado e atuava como diretor da Escola Estadual Militar Tiradentes. Após o crime, a Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) o afastou do cargo.
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De acordo com a nota, o Sintep tem preocupação com escolas militares pelo fato dos profissionais contratados, muitas vezes, serem agentes militares sem qualificação para lidar com educação e com porte de armas permitido. Dessa forma, existe a possibilidade de estarem armados dentro do ambiente escolar.
“É alarmante observar casos em que indivíduos ligados à educação pública militarizada se envolvem em atos criminosos, o que reflete a crescente banalização dos princípios educacionais. A escola deve ser um espaço de aprendizado, acolhimento e resolução pacífica de conflitos, não um local onde o autoritarismo e a força armada prevaleçam”, diz trecho da nota.
Por fim, o Sintep destaca que os casos de violência podem aumentar nesses ambientes e apresentou exemplos de casos violentos ocorridos em diversos municípios do país.
Relembre o caso
O jovem Claudemir Ribeiro Sá, 26, foi assassinado a tiros em um bar na noite de domingo em Colniza. O autor do crime, diretor de escola cívico militar e policial aposentado, fugiu após realizar os disparos, mas foi preso preventivamente na madrugada. Na segunda-feira (25) ele teve a prisão preventiva decretada e foi exonerado do cargo.
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Claudemir Sá Ribeiro, Elias Ribeiro da Silva e imagens das câmeras de segurança na noite do crime
Informações iniciais apontaram que o crime foi motivado por ciúmes de mulheres que saíram da mesa de bar do assassino e foram até a mesa da vítima.
A vítima, Claudemir, ficou conhecida em Mato Grosso há 6 anos, em 2019, quanto tinha 20 anos e construiu a réplica de um avião usando materiais descartados. Na época, a reportagem do
contou a história, veja aqui.
Leia a nota do Sintep na íntegra
Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) lamenta profundamente a morte brutal ocorrida em Colniza, quando um jovem de 26 anos foi alvejado a tiros e morto a queima-roupa por um membro da gestão escolar de uma escola cívico-militar, policial da reserva. A tragédia ocorreu em um bar, mas poderia ter acontecido em qualquer outro ambiente onde uma pessoa armada e sem controle emocional assume o papel de justiceiro.
É alarmante observar casos em que indivíduos ligados à educação pública militarizada se envolvem em atos criminosos, o que reflete a crescente banalização dos princípios educacionais. A preocupação do Sintep-MT com a militarização das escolas se reforça diante desse episódio, pois evidencia os riscos da presença de agentes armados na gestão escolar. A escola deve ser um espaço de aprendizado, acolhimento e resolução pacífica de conflitos, não um local onde o autoritarismo e a força armada prevaleçam.
O envolvimento de um policial militar da reserva, ocupando o cargo de diretor de uma escola cívico-militar, em um ato de extrema violência ilustra um modelo que a sociedade não pode aceitar como referência para a educação. O Sintep-MT reitera seu alerta sobre o retrocesso representado pela inserção de membros das forças de segurança na administração escolar, uma medida que, longe de garantir ordem e disciplina, expõe estudantes e profissionais ao risco de situações de violência.
O crime registrado em Colniza reafirma que conflitos são inerentes às relações humanas, mas, se ocorridos no ambiente escolar, devem ser resolvidos com critérios pedagógicos, e não militares. A presença de pessoas armadas em escolas aumenta o perigo de que confrontos cotidianos sejam resolvidos de forma violenta, em vez de serem mediados pelo diálogo e pelo ordenamento jurídico. Esse cenário é prejudicial principalmente para os estudantes, que podem sofrer impactos psicológicos graves ao conviverem em um ambiente regido pela força e não pela educação.
Casos emblemáticos e denúncias
Nos últimos anos, diversos episódios demonstram os riscos do modelo cívico-militar:
• Março de 2024 (Paraná): Um aluno foi esfaqueado por um colega no banheiro do Colégio Cívico-Militar Frentino Sackser (FOLHAEXTRA, 2024).
• Janeiro de 2022 (Paranavaí, PR): Um policial militar da reserva, atuando como monitor, foi investigado por assediar sexualmente alunas (G1 PARANÁ, 2024).
• 2020-2024 (Paraná): Sete denúncias de abuso sexual em colégios cívico-militares foram registradas (PLURAL.JOR, 2024).
• 2023 (São Paulo): O processo de militarização em escolas públicas foi associado a casos de violência envolvendo a PM (DIÁRIO DIPLOMÁTICO, 2024).
• Julho de 2023 (Brasil): Escolas cívico-militares foram marcadas por abusos de autoridade, como proibição de bonés e corte de cabelo coercitivo (BRASIL DE FATO, 2023).
• 2024 (Curitiba, PR): Estudantes denunciaram práticas abusivas, comparando o ambiente escolar a uma "prisão" (APPSINDICATO, 2024).
• Março de 2025 (Paraná): Brigas generalizadas e disparos de arma em frente a colégios foram registrados, sem intervenção militar (APPSINDICATO, 2024).
• 2024 (Nacional): Atividades pedagógicas foram substituídas por cantos com versos de ódio em escola cívico-militar (TERRA, 2024).
Documentação e apelos
O Dossiê do Observatório de Escolas Militarizadas (2021) detalha violações como agressões, racismo e repressão excessiva em instituições do Paraná. Relatos de assédio sexual em Francisco Beltrão (PR) e agressões físicas em Imbituva (PR) reforçam a urgência de revisão desse modelo.
O Sintep-MT reafirma que a educação pública deve ser conduzida por profissionais qualificados, selecionados por concurso, e não por agentes militares. A tragédia em Colniza e os casos citados deixam claro que a gestão escolar deve priorizar o diálogo, a mediação pedagógica e o respeito aos direitos humanos, garantindo que a escola seja um espaço seguro para todos.
Cuiabá, 25 de março de 2025
Direção do Sintep-MT
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João Batista - 26/03/2025
O crime não aconteceu dentro da escola, não tem nada a ver um crime que ocorreu em um bar e que teve como autor um policial militar que é diretor de uma escola estadual militar.
Wanderley - 26/03/2025
Primeiro, minhas condolências a família enlutada. Ora, o crime não foi cometido em área escolar e sim em um estabelecimento comercial que nada tem haver com ambiente escolar, segundo, não podemos pegar um caso isolado e querer colocar todos os policiais em um mesmo saco, se assim fosse teríamos que condenar todos os professores, por causa de um que assedia alunos e alunos. Vejam: Em Sinop-MT um professor preso por fazer parte de uma organização criminosa e mandar dar salve em alunos, em Rondonópolis-MT, professor de vôlei foi preso por assediar e prometer destaques a alunos . E aê SINTEP, vamos condenar todos os professores???? Claro que não, né!!!! Bando de hipócritas.
Pedro - 25/03/2025
Por acaso o crime foi na escola? O policial estava sóbrio? E quanto ao preparo de professores que abusam de alunos, que não são poucos casos? É sabido que o Sintep (puxadinho do PT) não gosta de polícia. Quem tem telhado de vidro, seria bom ficar calado e não generelizar baseado na atitude de um policial bêbado em um bar, assim como não se deve desconfiar de todos os professores por conta de meia dúzia de pedófilos infiltrados nas escolas.
3 comentários