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Jonas Pinheiro 3 06.11.2019 | 09h29

Vídeo mostra desespero de mãe despejada junto os 5 com filhos em Cuiabá

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Jessica Bachega

Jessica Bachega

Até a manhã desta quarta-feira (6) moradores do Residencial Jonas Pinheiro 3 ainda tinham esperança de continuar no local. No entanto, a expectativa deu espaço ao desespero com a chegada do oficial de Justiça e a ordem de despejo, junto com dezenas de policiais. “Eu não sei pra onde vou com meus filhos. Não tenho família, ninguém fala nada”, declarou Neime Azevedo, ao lado dos 5 filhos, em meio às coisas que irá levar para a futura moradia.

 

Leia também - Ordem de despejo em 48 horas deixa 379 famílias aflitas

 

As 379 famílias foram despejadas durante a manhã. Até o fim do dia todas devem sair das casas onde passaram os últimos dois anos. Vinte delas conseguiram o aluguel social por meio da Prefeitura de Cuiabá, mas também não sabem o novo endereço.

 

Durante toda a noite, o clima foi de tensão no loteamento. Prestes a serem evacuados, alguns moradores sequer dormiram, preocupados com o futuro incerto. Por volta das 4h30, policiais militares começaram a chegar ao local e, ao amanhecer, dezenas de viaturas e a cavalaria faziam parte do cenário.

 

Em frente às casas, algumas mudanças já estavam prontas. Em outras, os moradores se equilibravam no telhado para retirar as telhas que compraram para cobrir a casa, que estava sucateada quando chegaram. “Coitada da vizinha. Agora que conseguiu sair da lona e colocar telha tem que sair da casa”, lamentou uma moradora.

 

Sem dinheiro para o frente, alguns ocupantes esperavam o caminhão da prefeitura de Cuiabá e outros transportavam os poucos pertences em carrinhos de mão. O adiantamento era para evitar atrito com a polícia.

 

Toda a movimentação era entoada por músicas gospel, que tocavam em diferentes residências. Além da música que clamava ajuda, o silêncio era rompido pelo choro desesperado de quem não tem para onde ir, nem como proteger os filhos.

 

Enquanto chora, uma das moradoras amamenta a filha de 3 meses, sentada na calçada a olhar para o nada, a espera de algum milagre. A mulher tem outros 11 filhos e vive “escondida” do ex-marido, pai de 8 crianças e que a persegue depois que ela conseguiu fugir de 13 anos de violência e sofrimento. 

 

“Não sei o que vou fazer. Até arroz eu estou devendo para o vizinho. Você sabe o que é pedir arroz emprestado e não ter nem como devolver? Só meus filhos para me dar força, porque eu estou perspectiva”, afirma mãe.

 

“Eu fui contemplada com o aluguel social. Mas não sei pra onde vou. Minha família não é daqui. Não tenho ninguém. Sou só eu e as crianças. Ninguém fala nada, só um monte de polícia dizendo que vai levar”, desabafa Neime, entre lágrimas.

 

Outra família que não teve a mesma “sorte” é de Alcione e Erotildes Santana. Ambas são deficientes e não têm para onde ir. Erotildes é cega e se indignou por não ter recebido o aluguel social.

 

“Tenho diabetes. Tenho pressão alta. Tomo remédio controlado. Não tenho para onde ir e não ganhei aluguel social. Vamos para debaixo da ponte”, conta a moradora.

 

Um funcionário da prefeitura informou que cada caminhão cedido tem 5 servidores que ajudam no carregamento dos móveis. Esses veículos levarão os pertences ao destino escolhido pela pessoa. Para quem não tem novo endereço o futuro é uma incógnita. “Isso já não é comigo”, disse o servidor.

 

Residencial Jonas Pinheiro
O Jonas Pinheiro 3 foi idealizado, por meio de um convênio da Prefeitura de Cuiabá, Caixa Econômica Federal e Construtora Lumen, com o objetivo de abrigar famílias de diversas regiões de Cuiabá, que seriam selecionadas pela Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária.

Financiado por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) e do Minha Casa Minha Vida, o conjunto habitacional deveria ter sido entregue ainda em 2014, mas estava abandonado até 2017, quando os ocupantes se reuniram para dividir as moradias entre eles.

 

Quando as pessoas ocuparam o local, a obra estava parada e as casas sucateadas.

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