DEU NA GAZETA 02.11.2021 | 07h46

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Luiz Leite
Depois de mais de 1 ano e 7 meses do primeiro caso de covid-19 ser confirmado em Mato Grosso, seguido de tantas perdas e tempo no qual muitos não puderam se despedir de seus entes queridos, o feriado de Finados (2 de novembro) se tornou, de alguma forma, mais especial para muitas famílias que têm agora a oportunidade de prestar homenagens àqueles que nem mesmo puderam ser velados.
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- Benilce da Guia Magalhães, 56, faz parte desse processo de luto e foi ao Cemitério Nossa Senhora da Piedade, nesta segunda-feira (01), para visitar familiares, entre eles a irmã que morreu em fevereiro deste ano, aos 59 anos, após ficar 10 dias internada em decorrência da covid-19. Quase 9 meses depois da morte de Gilcinéia, para Benilce o momento é muito especial, uma vez que a irmã, tão querida entre 5 irmãos, não teve direito a uma despedida.
“Foi uma época muito cruel com quem teve a doença e para a família”, lembra ela, ao citar que não pode estar com a irmã nos momentos mais difíceis da doença, assim como na sua partida. “Não tive nem a oportunidade de me despedir”, afirma emocionada.
Benilce aproveitou o dia para ir até o cemitério rezar, acender velas e levar flores aos familiares, em especial à irmã. “É um tempo muito bom, precioso, já que hoje podemos estar aqui mais próximos a eles, mas também é muito triste por causa de tudo que passamos”.
Para a família de Laís Pimenta, 32, a data é especial, vista como um dia de “dedicação” àqueles que tanto amam. Durante a pandemia, sua família perdeu pessoas queridas como o avô, a avô e tios, tudo de forma muito rápida, por isso, a data era muito esperada. “Nós aproveitamos o feriado para nos reunirmos e todos irmos juntos ao cemitério. Sempre foi assim, mas este ano será ainda mais especial”.
Psicólogo Carlos Leite explica que o feriado, simbolicamente, faz parte do processo de cicatrização da dor, da ferida que foi aberta em muitos lares, em especial durante a pandemia. Ele lembra que muitas famílias perderam até mesmo o conforto para um momento de luto, quando perderam, de uma vez só, várias pessoas da mesma convivência.
Assim, o psicólogo destaca que no atual cenário, o Dia de Finados representa um momento cercado de sentimentos ambivalentes como saudades, tristeza, amor e esperança, em que muitas pessoas, dentro de suas crenças e rituais, podem se beneficiar, reviver a pessoa amada e seguir no processo de aceitação.
A família de dona Nildes Fernandes Campos, 81 anos, já vive esse processo e entende bem o significado de uma data além da dor e da saudade. Embora durante a pandemia não tenha abandonado a tradição das orações para aqueles que partiram, ter novamente a oportunidade de homenageá-los é motivo de alegria para ela.
Mesmo diante de muitos familiares enterrados no Cemitério Nossa Senhora da Piedade, alguns até mesmo por causa da covi-19, Nildes afirma estar feliz porque quase dois anos após a pandemia, ela e o filho podem estar no local, limpando, dando manutenção e colocando flores nos túmulos dos entes queridos. “Muita gente gosta de colocar velas, mas eu prefiro as flores. Nós vemos a morte de forma diferente”, afirma.
Nildes afirma que a vida não termina aqui e a data de finados é muito importante para que os mortos saibam que por aqui
ninguém esquece deles. O filho, Carlos Alberto Campos, 57, lembra que a família sempre lidou com a morte como um processo natural da vida e, que desde pequeno, escuta sua mãe falar sobre como quer morrer e planejar seu enterro.
“Ela sempre pediu que morresse dormindo, e que o túmulo tenha bastante flores e rosas. Ela fala muito sobre isso”.
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