DEU EM A GAZETA 19.07.2026 | 11h30

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Divulgação
Efeitos da tropicalização da soja no Cerrado e produção em larga escala extrapolam os limites das fazendas e redefinem a geografia econômica de Mato Grosso. Municípios que surgiram e se desenvolveram atrelados à expansão da sojicultura tornaram-se centros regionais de comércio, serviços, indústria, tecnologia e logística. Sinop, Lucas do Rio Verde, Campo Verde, Sorriso, Nova Mutum, Campo Novo do Parecis e Primavera do Leste são alguns exemplos de cidades que figuram entre as maiores economias do Estado, conforme apresentado nesta 2ª de três reportagens da série especial “Revolução Verde - 50 anos de inovação”, publicadas pelo Jornal A Gazeta.
O cultivo da oleaginosa, sucedido pelo milho como 2ª safra, ocorre em todos os 142 municípios mato-grossenses, aponta a pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ranking do Produto Interno Bruto (PIB) municipal de 2023, divulgado pelo IBGE, evidencia essa transformação a partir da ambientação de cultivares de soja e avanço da cultura, junto com o milho, em Mato Grosso. Embora Cuiabá permaneça como a maior economia mato-grossense, com PIB de R$ 39 bilhões, sustentada pelos setores de comércio, serviços e administração pública, grande parte das maiores economias do estado está atrelada ao agronegócio.
Rondonópolis ocupa a 2ª posição (R$ 16,5 bilhões), com desenvolvimento alavancado pela produção agrícola, logística e indústria de transformação. Em seguida aparecem Várzea Grande (R$ 13,9 bilhões), Sorriso (R$ 13,7 bilhões), Sinop (R$ 11,7 bilhões), Primavera do Leste (R$ 8,5 bilhões), Lucas do Rio Verde (R$ 8,2 bilhões), Campo Novo do Parecis (R$ 7,9 bilhões), Nova Mutum (R$ 7,6 bilhões) e Sapezal (R$ 6,4 bilhões), municípios cuja base econômica está ancorada na cadeia produtiva dos grãos.
“Um hectare plantado movimenta uma extensa cadeia de valor. Mesmo quando a produção agrícola representa uma parcela menor do PIB municipal, ela fomenta o comércio, transporte, armazenagem, serviços financeiros, indústria de máquinas, oficinas, tecnologia, seguros, construção civil e arrecadação pública de tributos”, observa o professor de Economia da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Maurício Munhoz.
Segundo ele, uma centena dos 142 municípios mato-grossenses tem na cadeia produtiva da soja e milho suas principais atividades econômicas, que estimulam outras atividades correlatas no comércio e serviços. Em 2023, a agropecuária respondeu por 33,6% do PIB mato-grossense, participação quase 6 vezes superior à média nacional (5,6%), informa o IBGE.
Munhoz destaca que os segmentos que mais cresceram “da porteira para a cidade” nas últimas décadas foram a logística, comércio atacadista e varejista, construção civil, mercado imobiliário, instituições financeiras, agritechs, ensino superior, saúde privada, hotelaria, alimentação e prestação de serviços especializados. “Os últimos 50 anos não transformaram apenas a agricultura mato-grossense. Reconfiguraram municípios, geraram milhares de empresas, elevaram a arrecadação de tributos, criaram empregos qualificados e mudaram a posição do Brasil na segurança alimentar mundial”, observa.
Em Lucas do Rio Verde, referência em agroindustrialização, a verticalização da produção tornou-se um dos principais vetores de crescimento econômico. Em menos de uma década, entre 2016 e 2025, a arrecadação aos cofres do município deu um salto de 341%, saindo de R$ 193 milhões para R$ 853 milhões. Para 2026, a estimativa é alcançar R$ 980 milhões.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Planejamento e Cidade, Danilo Messias afirma que o município iniciou esse processo há décadas e hoje colhe os resultados. Ressalta, ainda, que esse crescimento permitiu ampliar investimentos em pavimentação, escolas, infraestrutura urbana e serviços públicos ao longo dos últimos anos.
Segundo ele, a futura integração ferroviária, a duplicação da BR-163 e novos investimentos logísticos irão ampliar a competitividade da produção agrícola e atrair novas agroindústrias de processamento de alimentos, biocombustíveis e proteína animal. “A expectativa é muito promissora. Aumentando a produtividade no campo, amplia-se também a capacidade de industrialização e geração de novos produtos de maior valor agregado”, afirma.
O secretário destaca que praticamente toda a cadeia econômica é influenciada pela atividade rural. “O agro movimenta transportadoras, oficinas, armazenagem, empresas de tecnologia, consultorias, pesquisas, revendas de máquinas, engenharia e construção civil. Isso aumenta a arrecadação de ISS (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza) e fortalece a economia”.
Campo Verde também exemplifica esse movimento de verticalização. O município concentra 5 indústrias de fiação e beneficiamento do algodão e responde por aproximadamente 6% da produção brasileira de fios de algodão.
Outro exemplo da transformação promovida pelo agronegócio é Sinop. Entre janeiro e maio de 2026, o município tornou-se o 3º maior exportador de Mato Grosso, com US$ 1,056 bilhão em vendas externas, atrás apenas de Rondonópolis e Sorriso. O crescimento foi de 57,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, alavancado principalmente pela soja, responsável por US$ 877 milhões em exportações, além do avanço das vendas de milho, farelos e carne bovina.
A o mesmo tempo, Sinop se estabelece como importante polo urbano. Registrou saldo positivo de 2.467 empregos formais entre janeiro e abril de 2026, superado apenas por Cuiabá. Também abriu 4.932 empresas no 1º semestre, crescimento de 17% em relação ao ano anterior, com expansão dos setores de serviços especializados, logística, construção civil, alimentação e saúde, segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. Com isso, novos bairros passaram a concentrar empreendimentos comerciais e de prestação de serviços.
Confira reportagem completa na edição do Jornal A Gazeta
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Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
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