por trás da tela 17.09.2026 | 15h05

fred.moraes@gazetadigital.com.br
Chico Ferreira
O debate da TV Vila Real, canal 10.1, entre os candidatos ao Senado teve de tudo: candidatos ausentes e seus suplentes virando alvo, direito de resposta negado, acusações relacionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), disputa para saber quem é o verdadeiro candidato de direita e até brincadeiras nos intervalos. Se no palco o tom subia, nos bastidores os adversários aproveitavam cada brecha para provocar, e Pedro Taques (PSB) era protagonista de quase todas.
O primeiro bloco já começou com Carlos Fávaro (PSD) mirando Janaina Riva (MDB) e seus suplentes. A ausência da candidata virou munição desde a primeira pergunta. Ainda no início, Fávaro cutucou José Medeiros (PL), lembrando uma acusação de falsificação de ata para sua candidatura de suplente em 2015. O ataque gerou um pedido de direito de resposta do bolsonarista, que foi negado.
Antônio Galvan (Avante) e Fávaro também inauguraram a troca de farpas sobre os presidentes Lula e Trump. Galvan acusou o governo de mentir, Fávaro pediu postura e chegou a mandar o adversário tomar cuidado para não ser “atropelado por ambulância”, ao reforçar que sua articulação trouxe 400 veículos ao estado.
Taques, por sua vez, aproveitou para cobrar Medeiros sobre Janaína e voltou a cutucar a ausência de Mauro.
Margareth Buzetti (PP) ainda tentou trazer o feminicídio para a pauta, bem como suas leis aprovadas pró-mulheres.
Bloco 2
O STF tomou conta do segundo bloco. Medeiros cobrou posicionamentos dos candidatos de esquerda sobre Alexandre de Moraes. Nas respostas, Taques defendia mandato de dez anos para ministros e disse que o Senado não deveria fazer sabatinas de indicados ao Supremo. Janaina continuou sendo personagem mesmo sem estar no estúdio. Taques afirmou que a chapa dela parecia uma “organização criminosa”.
Galvan e Fávaro travaram outro duelo. Galvan insistiu que Fávaro não responderia se votaria pela cassação de ministro do STF. Fávaro pediu direito de resposta, riu da provocação e, em outro momento, chamou Galvan de “raso”.
O feminicídio voltou ao centro, com Galvan questionando Buzetti sobre a efetividade de suas leis. Ela rebateu e defendeu as medidas.
Bloco 3
Com a ausência de dois candidatos, a dinâmica mudou e as perguntas passaram a ser livres. Taques reclamou da falta de questionamentos a ele e voltou ao tema do impeachment de Moraes. Ao ser questionado por Buzetti, confirmou ter assinado pedido de impeachment do ministro. Também criticou o que chamou de “corporativismo” em uma audiência envolvendo Moraes.
Medeiros aproveitou para cobrar Fávaro sobre declarações envolvendo o filho de Lula. O confronto ideológico continuou, enquanto Taques, em alguns momentos, parecia mais interessado em acompanhar as brigas dos colegas do que entrar nelas.
Bloco 4
O STF voltou ao centro. Galvan insistiu que era o “único candidato da direita” e provocou Fávaro. A resposta veio com ironia: Fávaro sugeriu que Galvan procurasse um oftalmologista ou médico de ouvido, porque já havia deixado sua posição clara contra os ministros.
Medeiros também reforçou ataques a Janaína e tentou se colocar no campo da direita. Taques chegou a cutucá-lo para que respondesse e assumisse o posto.
No intervalo desse bloco, porém, o clima mudou completamente. Enquanto a propaganda eleitoral era exibida, os candidatos brincavam nos bastidores. Taques disse que pediria a impugnação do debate por falta de cadeiras. Galvan respondeu que era exagero.
Foi aí que surgiu uma das frases da manhã. Taques contou que seus avós morreram com mais de 100 anos e, diante da incredulidade dos colegas e de uma acusação de mentira, soltou: “Eu sou político, posso mentir.”
Galvan ainda perguntou se político podia mentir. Buzetti entrou na conversa e rebateu a declaração.
Nos blocos finais, Taques chegou a encostar no cenário, em uma espécie de demonstração de tédio por não receber perguntas. Enquanto os outros candidatos se atacavam, ele ria das provocações.
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