GRAMPOLÂNDIA 2.0 09.09.2026 | 11h37

pablo@gazetadigital.com.br
Montagem/GD
O senador Carlos Fávaro (PSD), que disputa a reeleição em Mato Grosso, denunciou formalmente à Polícia Federal o possível uso de uma estrutura de arapongagem para monitorar candidatos durante as eleições deste ano. Fávaro prestou depoimento pessoalmente na terça-feira (8) e entregou às autoridades uma denúncia anônima que havia recebido sobre a suposta formação de grupos destinados a realizar escutas e acompanhar adversários políticos.
O temor do senador é que o episódio represente a repetição, em plena disputa eleitoral, de práticas semelhantes às que deram origem à chamada “Grampolândia Pantaneira”. O esquema de interceptações clandestinas veio à tona em Mato Grosso durante o governo de Pedro Taques. Porém, todos os inquéritos contra ele foram arquivados.
Por se tratar de uma denúncia, ainda não há confirmação pública de que as supostas escutas tenham ocorrido, nem de quem estaria por trás da estrutura. Caberá à PF verificar a procedência das informações e avaliar a necessidade de abertura de investigação.
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Fávaro decidiu levar o caso diretamente à Polícia Federal, responsável pela investigação de crimes eleitorais, em vez de promover uma apuração própria. A medida transfere às autoridades a tarefa de verificar se existe uma estrutura clandestina de monitoramento em funcionamento.
Escutas clandestinas
O episódio ocorre em um Estado marcado pelo histórico de denúncias de espionagem política. As investigações da “Grampolândia Pantaneira”, que vieram a público em 2017, apontaram que práticas de arapongagem poderiam ter sido utilizadas em diferentes disputas eleitorais anteriores, incluindo as eleições de 2012, 2014 e 2016.
À época, o
revelou que um dos episódios teria ocorrido em 2012, durante a eleição municipal de Lucas do Rio Verde. Em depoimento à Polícia Civil, a publicitária Tatiane Sangalli relatou a existência de uma estrutura clandestina de monitoramento durante aquela campanha.
Segundo o depoimento, uma conversa envolvendo o então juiz eleitoral André Gahyva teria sido gravada com uma “caneta espiã”. O relato também mencionava computadores e fones de ouvido em um imóvel utilizado durante a campanha.
O episódio provocou uma apuração eleitoral após a divulgação de um áudio envolvendo o magistrado. A versão apresentada no depoimento, porém, apresentava divergências em relação à denúncia que havia circulado na época sobre os participantes da conversa.
As suspeitas também alcançaram a eleição de 2014. Conforme o histórico reunido pelo
, as investigações da “Grampolândia” apontaram que coordenadores jurídicos de campanhas adversárias do então governador Pedro Taques teriam sido incluídos entre os alvos de interceptações.
Entre os monitorados estavam advogados ligados a campanhas adversárias e o jornalista e então candidato ao governo José Marcondes, conhecido como Muvuca. Um dos mecanismos apontados nas investigações ficou conhecido como “barriga de aluguel”, prática em que números de pessoas que não eram alvo da apuração eram incluídos em pedidos judiciais de interceptação destinados originalmente a outros investigados.
Em 2016, novamente Lucas do Rio Verde apareceu no histórico. Segundo depoimento do então secretário de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Siqueira, o comitê da campanha de Otaviano Pivetta, então prefeito, teria sido monitorado durante a disputa municipal.
O relato mencionava a instalação de escuta ambiental e câmeras de vídeo no comitê, além da invasão do escritório jurídico da campanha para obtenção de informações que poderiam ser utilizadas em uma eventual contestação eleitoral.
Em 2020, o
voltou ao caso ao revelar novos áudios relacionados à eleição de Lucas do Rio Verde. Segundo a reportagem, Edgar Savaris, ex-secretário de Comunicação da gestão de Pivetta, descreveu em uma gravação a montagem de uma estrutura de “arapongas” para atuar em campanhas.
A publicação também relatou um áudio no qual Paulo Franz, irmão do ex-prefeito Marino Franz, dizia que um suposto “serviço de inteligência” havia identificado o posicionamento eleitoral de um eleitor. A “Grampolândia Pantaneira” veio a público em 2017, após reportagens revelarem a existência de interceptações telefônicas clandestinas em Mato Grosso. Entre os alvos estavam políticos, advogados e jornalistas. O caso deu origem a investigações policiais e judiciais para identificar responsáveis e dimensionar a extensão do esquema.
Caberá à Polícia Federal verificar se existem elementos que confirmem a denúncia, identificar eventuais responsáveis e apurar se houve interceptações sem autorização judicial ou outras práticas destinadas a monitorar candidatos.
Outro lado
Procurado, Carlos Fávaro emitiu uma nota via assessoria, alegando que, após receber a denúncia, decidiu procurar a PF para não correr o risco de prevaricação.
"O senador Carlos Fávaro recebeu uma denúncia anônima de que grupos criminosos estão sendo formados para monitorar candidatos com escutas. Como o senador não poderia prevaricar, levou a informação até o conhecimento da Polícia Federal, que é a instituição que fiscaliza, investiga e cuida das eleições".
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