Publicidade

Cuiabá, Quarta-feira 09/09/2026

Eleições 2026 - A | + A

AUMENTO SALARIAL de 6,8% 09.09.2026 | 12h10

Base de Pivetta esvazia sessão e impede votação de veto ao reajuste do Judiciário

Facebook Print google plus
Fred Moraes e Pablo Rodrigo

redacao@gazetadigital.com.br

João Vieira

João Vieira

A articulação do governo Otaviano Pivetta (Republicanos) esvaziou a sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) desta quarta-feira (9) e impediu a votação aberta do veto do ex-governador Mauro Mendes (União) ao reajuste de 6,8% dos servidores do Poder Judiciário. Apenas nove deputados registraram presença, número insuficiente para que o veto pudesse ser apreciado, e o presidente da Casa, Max Russi (Pode), encerrou a sessão. A votação foi colocada em pauta após decisão judicial.

 

A estratégia da base governista ocorre em meio ao receio de que deputados sejam expostos politicamente diante dos servidores caso tenham de declarar publicamente seus votos, o que prejudicaria a campanha à reeleição. O veto já havia sido mantido em votação secreta no ano passado, mas uma nova apreciação, agora sob determinação judicial, deveria ocorrer de forma aberta.

 

Conforme apurado pelo , o governo Pivetta mobilizou o líder do Executivo na Assembleia, deputado Dilmar Dal Bosco (União), para atuar na desmobilização da base e evitar que houvesse quórum suficiente para a votação. A avaliação política era de que parte dos deputados governistas poderia votar contra o veto para evitar enfrentar desgaste eleitoral. O mínimo de deputados na Casa de Leis deveria ser 13.

 

Leia também - Fávaro denuncia na PF suposta arapongagem nas eleições deste ano

 

A articulação surtiu efeito. Além de Russi, compareceram ao plenário Lúdio Cabral (PT), Carlos Avallone (PSDB), Janaina Riva (MDB) e Juca do Guaraná (PSDB), este último de forma remota. Também registraram presença Eduardo Botelho (MDB), Wilson Santos (PSD), Elizeu Nascimento (Novo) e Júlio Campos (União).

 

Júlio Campos chegou a tentar convocar os deputados que permaneciam em seus gabinetes para que fossem ao plenário. A movimentação, porém, não foi suficiente para assegurar o quórum necessário.

“Não adianta vir aqui, registrar presença e não ficar para votação”, reclamou o deputado.

 

O esvaziamento ocorre após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) determinar que a Assembleia incluísse o veto na pauta da primeira sessão subsequente à intimação da Mesa Diretora. A decisão mais recente foi proferida pela desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, que rejeitou o pedido de adiamento apresentado por Max Russi. A Mesa Diretora havia informado ao Tribunal que pretendia deixar a votação para sete de outubro, depois do primeiro turno das eleições, alegando dificuldade para reunir o quórum necessário durante o período eleitoral.

 

A magistrada manteve ainda multa pessoal de R$ 50 mil por dia ao presidente da Assembleia em caso de descumprimento.

Para Helena, a determinação judicial não poderia ser adiada unilateralmente pelo Legislativo. “A ordem judicial não constitui recomendação dirigida à autoridade pública, tampouco faculdade cujo cumprimento possa ser unilateralmente postergado”, afirmou.

 

A desembargadora também destacou que já havia sessão plenária marcada para esta quarta-feira, o que, segundo ela, afastava a justificativa para transferir a votação para outubro. O tribunal deixou claro que sua decisão não determina como os deputados devem votar. A exigência é que o veto seja submetido à apreciação do plenário dentro do prazo estabelecido.

 

“A determinação judicial em nada interfere na liberdade de voto dos membros do Poder Legislativo. O Poder Judiciário não escolhe o voto, não determina o resultado, não mantém nem rejeita o veto”, escreveu a magistrada.

 

A disputa, portanto, passou a envolver não apenas o mérito do reajuste, mas também a exposição política dos parlamentares às vésperas das eleições. Uma votação aberta obrigaria os deputados a tornar público o posicionamento sobre a recomposição salarial reivindicada pelos servidores.

 

Antes da decisão judicial, Russi havia argumentado que seria difícil reunir deputados durante o período eleitoral. Segundo ele, seria necessário um quórum de aproximadamente 20 parlamentares para garantir uma votação efetiva.

 

“Não adianta a gente colocar o veto para votação com 13 ou 14 deputados. Porque aí, com um ou dois votos contra, o veto é mantido”, afirmou o presidente da Assembleia.

 

A Mesa Diretora chegou a defender que a análise ocorresse apenas em 7 de outubro, depois do primeiro turno. O Sinjusmat, sindicato que representa os servidores do Judiciário, recorreu ao TJMT para impedir o adiamento.

 

O caso teve origem no projeto de lei nº 1.398/2025, encaminhado pelo próprio Tribunal de Justiça à Assembleia. A proposta prevê reajuste de 6,8% para os servidores efetivos do Judiciário, além de alterações no Sistema de Desenvolvimento de Carreiras e Remuneração.

 

O governador Mauro Mendes vetou a proposta, e o veto acabou mantido em votação secreta realizada pela Assembleia no ano passado. Com a determinação judicial, o Legislativo foi obrigado a recolocar o tema em pauta. Nesta quarta, contudo, a falta de quórum impediu que os deputados chegassem ao voto.

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Enquete

Você sabe as atribuições de cada cargo em disputa este ano?

Parcial

Publicidade

Edição digital

Quarta-feira, 09/09/2026

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 66,90 0,75%

Algodão R$ 164,95 1,41%

Boi à vista R$ 285,25 0,14%

Soja Disponível R$ 153,20 1,06%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2022 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.