‘NÃO VOTO EM LADRÃO’ 23.09.2026 | 18h00

laisa@gazetadigital.com.br
João Vieira
O candidato ao governo de Mato Grosso, Rafaell Milas (Missão), afirmou que, em um possível segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), irá anular o voto. Para ele, ambos são “ladrões e corruptos”. Além disso, Milas voltou a defender o aumento do contingente de policiais penais para construir o “Inferno Pantaneiro” e a criação de uma fila única na saúde por meio de inteligência artificial.
“A minha posição pessoal é que eu não voto em ladrão. Para mim, Flávio Bolsonaro é ladrão, comprovadamente. A rachadinha foi comprovada. [...] Lula é o maior corrupto da história do Brasil, apesar de que agora a questão do Vorcaro está colocando todo mundo no mesmo balaio. Mas aí, do outro lado, tem o Flávio, que tem relações com o Vorcaro, relações promíscuas com o Vorcaro, que vai sair vídeos comprometedores horrorosos. [...] Eu anulo e, com certeza, o partido Missão também anularia, e eu acho que é o que deve ser feito”, afirmou em sabatina no Jornal do Meio-Dia nesta quarta-feira (23).
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Já quando questionado sobre a segurança pública, o candidato abriu a discussão afirmando que a educação é o foco principal, mas logo redirecionou o debate para o projeto apelidado de “Inferno Pantaneiro”, que pretende construir na região de Cáceres (225 km a oeste de Cuiabá), com custo estimado em R$ 225 milhões. Milas ressaltou que a iniciativa serve para passar uma mensagem firme de combate à criminalidade organizada, visando zerar o déficit de 1.600 vagas no sistema prisional, além de atacar iniciativas da gestão atual de Otaviano Pivetta (Republicanos).
“Zero dor de cabeça para a facção. Eu esperava mesmo que o combate fosse feito, mas não foi. [...] Lógico que há [tecnologia para bloquear celulares em presídios], falta é a vontade de governadores que irem de fato combater a facção criminosa”, pontuou o candidato.
Nesse sentido, ele defendeu regras mais rígidas, como acabar com a visita íntima e gravar conversas de criminosos faccionados com seus advogados. O candidato também relembrou episódios de infiltração política e o medo de autoridades em denunciar o envolvimento de vereadores, mencionando que o vereador Ranalli (PL) havia apontado a influência de quatro parlamentares, mas depois “ficou quietinho, ficou com medo”.
Sobre o déficit de agentes de segurança em um estado de “dimensões continentais”, Milas pontuou que, para cobrir 100% do território com policiais militares nos moldes de regiões de ponta, “seria quase que o país da Europa, das Forças Armadas do país da Europa”, ponderando que Mato Grosso é um estado de privilégios financeiros caros para a classe política.
Diante disso, defendeu que “quanto mais policial na rua, melhor” e considerou imperativo aumentar o número de policiais penais e criar uma delegacia penal especializada para combater o crime organizado de dentro dos presídios.
Ao finalizar a sabatina, anunciou seus projetos voltados à saúde, apontando que a implantação da saúde digital e de uma fila única gerida por inteligência artificial é o seu projeto prioritário, servindo para modernizar o sistema e gerenciar verbas com transparência. Segundo ele, a I.A. criará um cadastro único que eliminará a dependência de “favores a vereadores” para conseguir exames ou consultas e fará o controle inteligente de estoque de medicamentos para evitar compras emergenciais suspeitas.
O candidato também destacou o problema crônico do atendimento às mulheres, apontando que a falta de exames preventivos, como a mamografia, evidencia pontos cegos na gestão que podem ser resolvidos com a unificação de dados tecnológicos. Por fim, expandiu as críticas à falta de prioridade governamental em relação às mães e crianças, apontando a escassez de vagas em creches e criticando a incapacidade de gestões anteriores na capital para solucionar demandas básicas da população.
“Eu acho que não é uma questão mais de prioridade. Apesar de as mulheres serem a maioria dos eleitores, deveriam entender que não só por serem eleitoras, mas pela urgência que é”, concluiu.
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