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passaporte falso 27.04.2020 | 10h45

Ronaldinho diz não saber porque está preso no Paraguai

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Reprodução/Instagram

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"Foi um duro golpe". "Nunca imaginei que passaria por uma situação dessas". "Durante toda a minha vida, busquei atingir o mais alto nível profissional e trazer alegria às pessoas com o meu futebol." Esta é a visão alienada de um homem de 40 anos. E de quem acredita, de verdade, que nasceu apenas para demonstrar seu talento nos campos. Sendo profissional ou não. Se divertir. Deixando as decisões adultas nas mãos do irmão Assis.

 

Esse foi o tom constrangedor da primeira entrevista de Ronaldinho Gaúcho, preso no Paraguai, desde o dia 6 de março. Por entrar no país com passaportes falsificados. Graças à fiança milionária, R$ 8,4 milhões, desde o dia 7 de abril, ele e seu irmão, passaram a cumprir prisão domiciliar em um hotel cinco estrelas, em Assunção. Aproveitar de todo o conforto, a ponto de entrar em lives de sambistas amigos.

 

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Ronaldinho disse que foi surpreendido. E que ele e seu irmão foram para o Paraguai para o lançamento de um cassino e de um livro. "Tudo o que fazemos é a partir de contratos gerenciados por meu irmão, que é meu representante. Nesse caso, participamos do lançamento de um cassino on-line, conforme especificado no contrato, e do lançamento do livro ‘Craque da Vida’, organizado com uma empresa no Brasil que tem o direito de explorar o livro no Paraguai".

 

Chega a ser surreal a confissão da surpresa com a prisão. "Ficamos surpresos ao saber que os documentos não eram originais". "Desde então, nossa intenção tem sido colaborar com a Justiça para esclarecer o fato, como temos feito desde o início". "Desde esse momento até hoje, explicamos tudo e facilitamos tudo o que a justiça solicitou de nós", disse o ex-melhor jogador do mundo".

 

Chega a ser difícil de acreditar. Porque foi ele quem apresentou seu passaporte, ao desembarcar no Paraguai. O documento toscamente falsificado o apresentava como "naturalizado paraguaio". As autoridades paraguaias acreditam que ele e seu irmão Assis possam estar envolvidos em crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A empresária que levou os dois para o Paraguai, Dalia Lopez, está foragida.

 

Ela é acusada de usar uma Ong para disfarçar um esquema de lavagem de dinheiro. A legislação paraguaia permite que a prisão preventiva, por conta de investigação, possa durar até seis meses. Ronaldinho ficou detido em um quartel adaptado como presídio para militares e pessoas ligadas ao crime organizado.

 

Lá, ele jogou futebol, deu autógrafos, posou para fotos. "Não tinha motivos para não fazer isso, ainda mais com pessoas que estavam vivendo um momento difícil como eu", justificou. O ex-jogador se mostra otimista com a situação. E garante que sabe qual será sua primeira atitude ao sair desta constrangedora situação.

 

"Tenho fé. Esperamos que possam utilizar e confirmar tudo o que declaramos sobre nossa posição no caso e que possamos sair dessa situação o mais breve possível".

 

"A primeira coisa que farei é dar um beijo na minha mãe. Ela vive dias difíceis desde o início da pandemia de covid-19 na sua casa. Depois será absorver o impacto que essa situação gerou e seguir adiante com fé e força", disse ao jornal paraguaio ABC Color.

 

Ronaldinho Gaúcho não tocou no principal ponto, na entrevista, o que o fez um presidiário. A empresa que Wilmondes Souza Lira, brasileiro também preso, confessou que Assis abriria no Paraguai. E que teria também a participação de Ronaldinho Gaúcho.

 

Infelizmente, tudo indica que o ex-jogador não tocou no tema, porque ele não sabe, de verdade, explicar como seria essa empresa. Por um simples motivo. Desde que começou a jogar futebol, ele deixa todas as decisões sérias, empresariais, nas mãos do seu irmão Assis. Ronaldinho o trata com o respeito de um filho, já que ele perdeu o pai precocemente, quando ainda era criança.

 

Essa postura o fez pensar, por 40 anos, apenas em mostrar seu talento excepcional como jogador. Organizar suas baladas intermináveis. O pior é que, nem a dura realidade de ir para a cadeia o acordou. A entrevista deixa claro. Ele não sabe e nem quer se inteirar das questões adultas de sua vida.

 

Demonstra que sempre assinou os documentos que o irmão lhe entregava, sem questionar. Agora, paga o preço. Embora ele seja um dos embaixadores do Turismo do Brasil, o atual governo Bolsonaro não quis se envolver na sua prisão. Por um motivo muito simples.

 

Não tem como avaliar se é inocente. As investigações seguem. A empresária Dalia Lopez segue sendo caçada no Paraguai e até no Brasil. Ela é peça-chave para elucidar a situação de Assis e Ronaldinho.

 

Enquanto isso, o ex-jogador desfruta a suíte presidencial do hotel cinco estrelas Palmaroga. Com livre acesso a telefone, Internet. E, brincando, sorrindo, nas lives dos amigos sambistas.  Segue como se nada estivesse acontecendo.

Completamente alienado...

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