19.05.2016 | 15h06
Alvo de um bloqueio em suas contas até o valor de R$ 466 mil, o empresário Samuel Maggi Locks, sobrinho do senador Blairo Maggi (PMDB), terá parte dos valores desbloqueados. No entanto, só será liberada a quantia que ultrapassou o valor que deveria ser retido. A decisão é do juiz Jeferson Schneider, responsável pelas ações penais decorrentes da Operação Ararath que envolvem réus sem foro privilegiado.
O magistrado também negou a absolvição sumária de Locks conforme pleiteou sua defesa e marcou para o dia 2 de junho às 13h30, a primeira audiência de instrução na ação penal contra Maggi. Ele é processado pelo crime de lavagem de dinheiro, em decorrência de fatos investigados na Operação Ararath deflagrada em novembro de 2013 para investigar crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.
Os delitos, segundo as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF), foram praticados por vários empresários e políticos de Mato Grosso.
Na denúncia, o Ministério Público destaca que entre os anos 2007 e 2008, a SML Comunicação na época de propriedade de Samuel Maggi Locks, fez vários empréstimos no Bic Banco. Em 2 desses empréstimos, no valor de R$ 127 mil e R$ 180 mil, a empresa deu como garantia ao banco valores que supostamente teria a receber do governo do Estado, por meio da Secretaria de Comunicação.
A denúncia contra Locks e outras 7 pessoas, sendo empresários do ramo da comunicação, da construção civil, advogados e um ex-secretário de Estado foi divulgada pelo Ministério Público Federal em janeiro deste ano. Os demais denunciados foram: o empresário Renato Novacki, o ex-secretário de Fazenda Éder de Moraes, os irmãos e advogados Alex e Kleber Tocantins e ainda os 3 irmãos: Edson Ribeiro de Miranda, José Gonçalo de Miranda e Carlos Roberto Ribeiro de Miranda.
Na audiência de junho o juiz federal vai ouvir 7 pessoas, entre testemunhas e informantes arrolados pela acusação. A defesa de Samuel deverá informar o endereço das testemunhas num prazo de 3 dias sob pena de ter os pedidos indeferidos, ponderou Jeferson Schneider em seu despacho.
Acusação
De acordo com investigações da Operação Ararath, os 8 denunciados participaram do esquema criminoso que se valeu de um sistema financeiro paralelo (à margem do oficial), movimentou cifras milionárias para fins diversos, incluindo corrupção e financiamento ilegal de campanhas eleitorais, praticando diversos crimes conexos com crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, notadamente a operação clandestina de instituição financeira, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro.
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