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20.07.2018 | 11h55

Juiz nega pedido de advogado que tentava remarcar audiência da grampolândia

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A defesa do coronel da Polícia Militar Ronelson Jorge de Barros, réu na ação penal que apura esquema de interceptação telefônica que ficou conhecido como “grampolândia pantaneira”, pediu que a audiência marcada para a próxima sexta-feira (27), às 13h30, fosse reagendada.

Otmar de Oliveira

Advogado Saulo Gahyva pediu redesignação de audiência

Examinando o pedido, o juiz Murilo Moura Mesquita, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá – de Justiça Militar, negou porque a argumentação apresentada era de que o advogado Saulo Gahyva, que representa Ronelson de Barros, tem outra audiência marcada anteriormente para a mesma tarde do dia 27, na 5ª Vara Federal de Cuiabá, onde defende réus acusados de organização criminosa.

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Caso a redesignação da audiência não fosse possível de ser atendida, Saulo Gahyva solicitou que o magistrado deixasse para interrogar o coronel acusado de participar do esquema de grampos por último, pois dessa forma teria tempo para chegar e acompanhar a oitiva.

O juiz Murilo Mesquita, por sua vez, verificou que além de Gahyva, Ronelson tem a sua disposição outros 6 advogados habilitados para acompanha-lo no processo. “Deste modo, a assistência jurídica ao réu Ronelson, durante seu interrogatório a ser realizado na sessão designada, poderá ser realizada pelos outros seis causídicos outorgados”, afirmou o magistrado em sua decisão, proferida no último dia 18.

Ele também negou deixar a oitiva de Ronelson por último, frisando que a ordem dos interrogatórios dos acusados será definida no ato.

João Vieira

Coronel Ronelson de Barros, ao centro

Grampos ilegais

O esquema de grampos ilegais que são apurados na ação penal foi denunciado em maio do ano passado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, que descobriu as irregularidades quando era secretário de Estado de Segurança Pública, no primeiro ano da gestão de Pedro Taques (PSDB).

Conforme apontado por ele e por investigações que foram realizadas posteriormente, os grampos ocorriam na modalidade “barriga de aluguel”, quando o número de telefone de pessoas inocentes é inserido de forma fraudulenta em ação judicial de interceptação, e tiveram como vítimas milhares de pessoas, incluindo políticos de oposição ao governo, advogados, médicos, jornalista, entre outros.

Nesse esquema, o ex-comandante da Polícia Militar Zaqueu Barbosa teria sido o responsável por viabilizar a realização dos grampos, assinando os pedidos de interceptações que foram posteriormente autorizadas pelo Juízo da Comarca de Cáceres, onde as vítimas tiveram suas conversas telefônicas invadidas, juntamente com os terminais de membros de uma quadrilha de tráfico de drogas.  

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