'mentira fabricada pela imprensa' 24.08.2026 | 18h30

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João Vieira/Montagem GD
O ex-deputado estadual Ulysses Moraes (Podemos) é alvo de uma investigação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) após denúncia do jornal A Gazeta de que ele nunca apareceu para trabalhar na Assembleia Legislativa como servidor comissionado, apesar de ser contratado e receber para isso. O inquérito foi aberto em julho e espera resposta da ALMT. Além da imprensa, o MP recebeu queixa popular anônima.
A investigação surge de uma notícia de fato protocolada de forma anônima, apontando “suposta ausência de efetivo exercício das atribuições” dos cargos para os quais foi contratado. Também está sendo apurado se houve “omissão de seu superior hierárquico quanto à fiscalização das atividades desempenhadas”.
Na portaria em que instaurou o processo, o promotor de Justiça determina que a Assembleia Legislativa entregue ao MP a ficha funcional de Ulysses; toda a documentação referente à nomeação, alteração de lotação e exoneração do servidor.
Também foram solicitados documentos que demonstrem as atividades desempenhadas pelo ex-servidor; informações sobre a forma de controle da frequência na jornada de trabalho de Ulysses; além de esclarecimentos sobre a alteração na lotação ocorrida imediatamente antes da sua exoneração.
Nas redes sociais, numa das várias discussões em que ele se torna personagem e que capitaliza para seu projeto eleitoral, Ulysses classificou como “mentira fabricada pela imprensa” a informação de que seria alvo de investigação.
“Fake news é crime. Não respondo a nenhum processo e já provei com documentos que foi uma mentira fabricada pela imprensa”, escreveu na postagem do candidato Leo Rondon (PT). A declaração não se sustenta diante da medida do MPMT.
Recorde o caso
Ulysses ocupava o posto de Superintendente de Controle Interno de Fiscalização Financeira e Contábil da Assembleia Legislativa (ALMT) e não precisava bater ponto nem comparecer no local de trabalho. Antes de ser exonerado, ele mudou de função, passando a responder pelo cargo de Superintendente de Relações Internacionais.
Com salário de cerca de R$ 19 mil, ele raramente era visto por colegas de trabalho na AL. Naquela altura, a reportagem verificou que o ex-parlamentar realizava, em pleno horário de expediente, atividades políticas em defesa da agenda bolsonarista e contra o governo Lula (PT).
Após a denúncia ganhar repercussão nacional e vários parlamentares pressionarem por providências, Ulysses foi exonerado a pedido ainda no mês de maio.
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